Museu do Côa vai celebrar a pré-história com exposição internacional

O Museu do Côa anunciou hoje que vai acolher, de 12 fevereiro a 12 de maio, a exposição internacional ‘Prehistórico: De la Roca al Museo’, composta por 270 peças oriundas do Museu Nacional de Arqueologia de Espanha.

artecoa.pt

O Museu do Côa vai acolher, de 12 fevereiro a 12 de maio, a exposição internacional ‘Prehistórico: De la Roca al Museo’, composta por 270 peças oriundas do Museu Nacional de Arqueologia de Espanha.

A mostra foi, originalmente, a primeira exposição a nível mundial a debruçar-se sobre a arte pré-histórica, e desempenhou um papel incontornável na sua divulgação pública.

Esta exposição internacional torna-se ainda mais pertinente com a entrada do Museu do Côa na curta lista dos museus nomeados para o prémio Museu Europeu do Ano de 2022, sendo o único museu português entre os candidatos.

O museu está construído no concelho de Vila Nova de Foz Côa, no distrito da Guarda, e assenta parte da sua estrutura numa colina sobranceira ao rio Côa, celebrando o “encontro” dos patrimónios mundiais deste território: a arte pré-histórica do Vale do Côa e a Paisagem do Alto Douro Vinhateiro.

Pinturas, gravuras e alguns tesouros nacionais

Em declarações à agência Lusa, a presidente da Fundação Côa Parque, Aida Carvalho, disse que “esta exposição é composta por pinturas, gravuras e alguns tesouros nacionais (arte móvel), que pretende celebrar uma outra, que teve lugar há precisamente 100 anos, no Museu Nacional de Arqueologia de Espanha”, localizado em Madrid.

A responsável pela Fundação Côa Parque destaca a importância das peças que compõem a mostra, que vão desde exemplares de arte móvel, como estelas, vasos, placas decoradas ou artefactos em ouro, à escultura de maiores dimensões. É também recordado o arqueólogo amador proprietário do terreno onde foi encontrada a gruta de Altamira, Marcelino Sanz de Sautuola, representado num busto, assim como outras figuras fundamentais na descoberta da arte paleolítica, em Espanha.

As pinturas a óleo sobre animais são, na sua maioria, datadas dos anos 20 do século passado, nas quais se destaca a reprodução de um bisonte que figura nas grutas de Altamira (Espanha).

“São peças feitas de papel, osso ou tecido com grande relevo artístico”, indicou Aida Carvalho à Lusa.

Segundo aquela responsável, através da representação e de exposições como a que agora se celebra, foi possível estabelecer um processo de mediação entre os discursos científicos, em torno daquele tipo de vestígios, e o público, um processo que se prolonga até à atualidade, e no qual se insere o Museu do Côa, entre o rigor da investigação e a arte pré-histórica, a sua divulgação e a abertura ao público.

Para a presidente da Fundação Côa Parque, hoje, a arte pré-histórica “é um valor patrimonial universalmente reconhecido, como o demonstra cabalmente o número de sítios inscritos na lista do Património Mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura [UNESCO] e a sua distribuição por todos os continentes”.

A exposição ‘Arte Préhistórico: De la Roca al Museo’, é comissariada por Eduardo Galán Domingo, Ruth Maicas Ramos e Juan Antonio Martos Romero, sendo assim “uma forma de reconhecimento da importância da mediação para a afirmação deste tipo de arte”.

Terreno fértil para o fluxo turístico ibérico

“A exposição focando-se, por razões historiográficas, no contexto peninsular, revela-se de uma extraordinária importância para o reforço, quer da dimensão internacional da Fundação [Côa Parque], quer da consciencialização pública da integração da arte do Côa num contexto europeu mais vasto. A exposição promoverá igualmente a circulação dos visitantes, e a partilha de conteúdos e experiências que suscita”, continua Aida Carvalho.

A localização geográfica do Vale do Côa, o seu crescente prestígio internacional e o facto de aí se encontrar a mais importante concentração de um tipo de arte de distribuição essencialmente ibérica, a arte paleolítica ao ar livre, afirmaram a região como polo de atração turística ibérica, mesmo em pandemia.

“O Vale do Côa é, consequentemente, um ‘terreno fértil’ para o aproveitamento destes fluxos turísticos, devendo-se, desde logo, reforçar a curadoria de conteúdos”, considerou a responsável pelo museu do Côa, recordando que “serão estas e outras estratégias análogas, que permitirão ao público tomar consciência” do que a instituição “tem para oferecer de mais inovador e diferenciador: a arte das origens, como destino da contemporaneidade”.

 

Recomendadas

Portugal-França: a Temporada Cruzada continua a agitar o mês de agosto

Ao oitavo mês, a Temporada Cruzada Portugal-França não dá tréguas a quem procura alimento para os sentidos, com propostas que vão da instalação sonora à subversão do privado. Quem disse que agosto é ‘silly’?

Livro: “Viagens de Mandeville”

A literatura de viagens medieval tinha os seus cânones. Um deles era a descrição de povos grotescos que viveriam do outro lado do mundo. Mandeville, ao narrar as “suas” viagens, não impôs qualquer travão à sua imaginação.

Andrea Bocelli dá dois concertos no Altice Arena em Lisboa em 2023

O tenor italiano sobe ao palco a 30 de junho e 1 de julho, fazendo-se o tenor acompanhar por uma orquestra e um coro.
Comentários