Myanmar executa quatro ativistas pró-democracia

As primeira execuções em décadas no país que foi alvo de golpe militar em 2021 receberam condenação generalizada a nível internacional.

A junta militar de Myanmar anunciou esta segunda-feira a execução de quatro ativistas pró-democracia acusados ​​de ajudar a realizar “atos terroristas”, provocando uma condenação generalizada daquelas que são as primeiras execuções do país do sudeste asiático em décadas, avança a “Reuters”.

Condenados à morte em julgamentos a portas fechadas, os quatro homens foram acusados ​​de ajudar os insurgentes a combater o exército que tomou o poder no golpe de Estado do ano passado.

O governo de Unidade Nacional de Myanmar (NUG), uma administração paralela banida pela junta governante, condenou as execuções e intervenção internacional.

“Extremamente entristecido… condeno a crueldade da junta”, disse o porta-voz do gabinete do presidente do NUG, Kyaw Zaw, à “Reuters”. “A comunidade global deve punir a sua crueldade.”

Entre os executados estavam o ativista Kyaw Min Yu e o ex-legislador e artista de hip-hop Phyo Zeya Thaw, disse o jornal “Global New Light of Myanmar”. Os outros dois executados foram Hla Myo Aung e Aung Thura Zaw.

“Essas execuções equivalem à privação arbitrária de vidas e são outro exemplo do histórico atroz de direitos humanos de Myanmar “, disse o diretor regional da Amnistia Internacional, Erwin Van Der Borght. “Os quatro homens foram condenados por um tribunal militar em julgamentos altamente secretos e profundamente injustos. A comunidade internacional deve agir imediatamente, pois acredita-se que mais de cem pessoas estejam no corredor da morte depois de serem condenadas em processos semelhantes”.

Não se sabe o modo de execução dos condenados, mas as execuções anteriores no país foram por enforcamento.

No mês passado, o porta-voz da junta, Zaw Min Tun, defendeu a pena de morte, dizendo que ela era justificada e usada em muitos países.

O primeiro-ministro do Camboja e presidente da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), Hun Sen, apelou, via uma carta, em junho ao líder da junta, Min Aung Hlaing, para não realizar as execuções, transmitindo profunda preocupação entre os vizinhos da nação asiática. Na mesma altura, o Japão alertou para o risco de maior isolamento caso a junta fosse para a frente com as suas intenções.

“Nem mesmo o regime militar anterior, que governou entre 1988 e 2011, ousou aplicar a pena de morte contra presos políticos”, disse o deputado malaio e presidente do grupo para os Direitos Humanos da ASEAN, Charles Santiago. “Isso significa mais um aumento na brutalidade da junta, que vem de uma sensação de impunidade amplamente fomentada pelo fracasso da comunidade global em fazer qualquer coisa eficaz para impedi-la de cometer mais atrocidades”.

Desde o golpe de 2021, a Associação de Apoio aos Presos Políticos (AAPP) diz que mais de 2.100 pessoas foram mortas pelas forças de segurança, número que a junta considera “exagerado”. A “Reuters” destaca que a verdadeira imagem da violência tem sido difícil de avaliar, pois os confrontos espalharam-se para áreas mais remotas, onde grupos insurgentes de minorias étnicas combatem os militares.

Na sexta-feira passada, o Tribunal Internacional de Justiça rejeitou as objeções da nação asiática relativamente ao caso de genocídio à minoria muçulmana Rohingya, abrindo caminho para uma audiência completa.

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