Myanmar: Petrolífera japonesa ENEOS anuncia saída de projeto de gás

Desde o golpe militar de 1 de fevereiro de 2021, que pôs fim a uma década de uma frágil democracia, empresas internacionais de energia, como Chevron, Total e Woodside, decidiram deixar Myanmar (antiga Birmânia), devido às violações dos direitos humanos cometidas pela junta no poder.

A companhia petrolífera japonesa ENEOS anunciou hoje a saída de um projeto de gás no sul de Myanmar, devido à atual situação no país.

A ENEOS decidiu retirar-se do projeto Yetagun, do qual detinha 19,3% através da subsidiária Nippon Oil, “tendo em conta a situação atual do país, incluindo as questões sociais e a projeção económica baseada na avaliação técnica dos campos de gás Yetagun”, de acordo com um comunicado da petrolífera.

A saída da empresa japonesa será efetiva assim que for aprovada pelo Governo birmanês, acrescentou a mesma nota.

No sábado, a petrolífera estatal tailandesa PTTEP e a petrolífera malaia Petronas, parceiros no projeto Yetagun, anunciaram também a saída, deixando a companhia estatal birmanesa como único operador.

Desde o golpe militar de 1 de fevereiro de 2021, que pôs fim a uma década de uma frágil democracia, empresas internacionais de energia, como Chevron, Total e Woodside, decidiram deixar Myanmar (antiga Birmânia), devido às violações dos direitos humanos cometidas pela junta no poder.

Várias organizações não-governamentais (ONG) denunciaram que as enormes receitas provenientes da colaboração das companhias petrolíferas nas exportações de Myanmar estão a financiar o regime militar e a repressão de protestos pró-democracia.

Mais de 1.800 pessoas morreram na repressão das forças de segurança birmanesas e 13.469 estão detidas, de acordo com dados recolhidos pela ONG Associação de Assistência aos Presos Políticos (AAPP).

O Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos acusou os militares birmaneses de crimes de guerra e contra a humanidade, incluindo detenções arbitrárias, tortura, assassínio de civis e execuções extrajudiciais.

Outras empresas como a cervejeira japonesa Kirin, a multinacional British American Tobacco ou a empresa norueguesa de telecomunicações Telenor já cortaram laços, desde o golpe, com empresas birmanesas ligadas aos militares.

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