Na senda de “Fernão de Magalhães, pelos mares do mundo inteiro”

Magalhães é um nome incontornável na “odisseia” que ficou para a História como a Primeira Circum-Navegação. O Museu Nacional Soares dos Reis, no Porto, expõe um precioso espólio para assinalar o V Centenário deste feito até 16 de outubro.

Tudo começou em 1517, quando um nobre português, Fernão de Magalhães de seu nome, após uma carreira sem brilho nem grandes feitos pessoais, ao serviço de D. Manuel, em África e na Ásia, ofereceu os seus préstimos ao rei de Espanha, Carlos V.

A exposição “Fernão de Magalhães, pelos mares do mundo inteiro”, patente no Museu Nacional Soares dos Reis (MNSR), reúne 40 peças do Museu de História Natural e da Ciência da Universidade do Porto, resultado da vontade da Direção-Geral do Património Cultural, através do MNSR, em parceria com a Estrutura de Missão para as Comemorações do V Centenário da Primeira Circum-Navegação (1519-1522).

Até 16 de outubro, poderá saber mais sobre a expedição desenhada e comandada inicialmente por Fernão de Magalhães, concluída posteriormente por Sebastián Elcano. A exposição não obedece a uma sequência cronológica da armada de Magalhães, antes nos seus vários percursos de vida e em descobertas relevantes para o conhecimento do mundo, como o Oceano Pacífico.

O circuito é composto por um conjunto documental, proveniente de arquivos nacionais e estrangeiros, de cartografia, tratados e correspondência vária, com destaque para o incontornável Tratado de Tordesilhas, do acervo do Arquivo Nacional da Torre do Tombo. A mostra integra, igualmente, artefactos dos povos da Melanésia, uma região da Oceânia, entre os quais uma escultura funerária “Malangan”, originária da Ilha de Nova Irlanda, Papua Nova Guiné. Há também um escudo de proa de canoa (Médio Sepik, Papua Nova Guiné), que servia para proteger a embarcação e os seus ocupantes, assim como um conjunto de painéis pintados, originários do Estuário do Sepik, Papua Nova Guiné.

Do Alto Minho às Filipinas

O local de nascimento de Fernão de Magalhães não é consensual. A data sim, 1480, mas os historiadores dividem-se no que à geografia diz respeito. Possivelmente em Sabrosa,  no distrito de Vila Real, ou em Ponte da Barca, no Alto Minho, como defendem alguns estudos mais recentes. A sua morte, porém, dá-se bem longe do berço, a mais de 15.000 quilómetros, na ilha de Mactan, nas Filipinas, a 27 de abril de 1521. Sem honra nem glória, permaneceu durante muito tempo esquecido.

O diário de bordo e as anotações de Magalhães desapareceram depois da sua infeliz ingerência nas guerras tribais na ilha de Mactan, incidente que lhe tirou a vida, às mãos do régulo nativo Lapu-Lapu. Acabava assim uma “odisseia” que percorreu dois longos oceanos e um número incontável de peripécias, problemas, mortes e revoltas entre os seus subordinados.

Até 16 de outubro, os visitantes poderão contactar com as culturas do Pacífico, à imagem do que fizeram os navegantes. Desta feita na cidade do Porto, no Museu Nacional Soares dos Reis.

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