“Nada muda” ou “má notícia”. Partidos criticam escolha do novo ministro da Saúde

O presidente do PSD, Luís Montenegro, antevê dificuldades na governança de Manuel Pizarro e tem pouca confiança de que “vá conseguir obter bons resultados”.

Manuel Pizarro foi anunciado esta sexta-feira como novo ministro da Saúde, sucedendo a Marta Temido, e as críticas rapidamente se fizeram ouvir, da esquerda à direita. Os partidos desejam sorte ao próximo responsável pela pasta da Saúde, mas temem que a opção do primeiro-ministro signifique continuidade em vez de mudança.

O Partido Social-Democrata (PSD) foi o mais censurador, ao considerar que o Governo está “tomado por núcleo restrito do Partido Socialista (PS)” e que António Costa “já só consegue recrutar nos fervorosos dirigentes do PS”. O presidente do PSD, Luís Montenegro, antevê dificuldades na governança de Manuel Pizarro e tem pouca confiança de que “vá conseguir obter bons resultados”, segundo comentou aos jornalistas, a partir de Arganil.

Ainda antes destas declarações, Ricardo Baptista Leite disse à “Lusa” que “escolha de Manuel Pizarro demonstra que António Costa, enquanto primeiro-ministro, está cada vez mais limitado àquilo que é o aparelho socialista”, “sem desprimor para a experiência passada de Manuel Pizarro como eurodeputado e como secretário de Estado da Saúde no tempo do primeiro-ministro José Sócrates”.

De acordo com o deputado, aquilo que preocupa os sociais democratas são as afirmações de Costa aquando da demissão de Marta Temido, “quando afirmou que, independentemente de quem viesse a ser o próximo ministro, que não estaria disponível para mudar de política, de rumo para o Serviço Nacional de Saúde (SNS)”.

Além destes cargos governativos, entre 2008 e 2011, Manuel Pizarro foi médico no Centro Hospitalar e Universitário de São João e diretor clínico do Hospital da Ordem da Trindade, na cidade do Porto.

A coordenadora do Bloco de Esquerda (BE), Catarina Martins, recorreu à sua conta oficial de Twitter para lamentar a falta de mudança que o novo ministro significa. “A escolha do novo ministro não garante qualquer mudança. Salvar o SNS exige fixação de profissionais, mais investimento e menos vetos de gaveta. Nada muda com a mesma política”, alertou a líder bloquista, na publicação nessa rede social.

Na mesma ótica, embora de outro espectro político, o Iniciativa Liberal (IL) foi taxativo: a escolha de Manuel Pizarro é uma “má notícia” e “significa que António Costa está contente com o estado da saúde e que não tem qualquer intenção de mudar as políticas que têm conduzido o SNS ao colapso”. Num vídeo enviado à imprensa, a deputada da IL Joana Cordeiro critica que, no Executivo, caiba “sempre mais um fiel do aparelho do PS”.

A porta-voz do PAN admitiu que esperava que o novo ministro da Saúde fosse alguém que viesse do “ativo dos profissionais de saúde”, mas reconhece que Manuel Pizarro deverá conhecer o contexto de carências na política de saúde “preventiva e de proximidade”. Inês Sousa Real espera que o governante – que toma posse amanhã à tarde e até agora era eurodeputado – solucione efetivamente os problemas do SNS e que não seja só “um ministro no papel”.

O Partido Comunista Português (PCP) referiu à Lusa que o Governo demonstra, com esta decisão, “não quer fazer aquilo que é necessário” para o SNS. Ou seja, “restabelecer as carreiras dos profissionais de saúde, carreiras estáveis com remunerações justas, que permitam a sua realização pessoal e profissional, com um estímulo que nós defendemos – e que este Governo não tem querido defender – que é à dedicação exclusiva”, na opinião do deputado do PCP João Dias.

Já o próprio Manuel Pizarro, ainda no cargo de eurodeputado socialista, disse, num evento do PS na Batalha que, “perante a importância deste sector da saúde” e do seu “percurso profissional enquanto médico não podia recusar este convite”. “Regresso a Portugal cheio de determinação e vontade de trabalhar em favor da saúde dos portugueses e em defesa do SNS”, afiançou, prestando ainda homenagem à sua antecessora.

Relacionadas

Eurodeputado Manuel Pizarro é o novo ministro da Saúde

O sucessor de Marta Temido, que foi secretário de Estado da Saúde entre 2008 e 2011, no XVIII Governo Constitucional, vai tomar posse amanhã, pelas 18h00, no Palácio de Belém.

Manuel Pizarro: à segunda foi de vez

O novo ministro da Saúde esteve para o ser em 2015. Ou era pelo menos essa a ideia dos que seguiam de perto a sua carreira. Sete anos depois, chega ao lugar que qualquer ex-secretário de Estado da Saúde quer, em princípio, ocupar.

Manuel Pizarro: “A gestão privada dos hospitais já provou que funciona, deve continuar e até pode ser alargada”

Ex-secretário de Estado da Saúde considera que a Lei de Bases da Saúde “responde às necessidades”, mas “espera que venha a ser melhorada” no debate no Parlamento. Em entrevista à Antena 1 e “Jornal de Negócios”, Pizarro diz que não concorda com o fim da gestão privada dos hospitais e enaltece os resultados das quatro PPP existentes no setor da Saúde.
Recomendadas

João Cotrim de Figueiredo no regresso do Clube dos Pensadores

Líder do Iniciativa Liberal está no Porto para o regresso do Clube dos Pensadores, um grupo de debate enraizado na sociedade civil por onde já passaram quase todos os líderes políticos nacionais.

Ministro da Saúde quer reinício das negociações com sindicatos ainda em outubro

O ministro da Saúde, Manuel Pizarro, disse hoje em Coimbra que o regresso às negociações com os sindicatos dos médicos e enfermeiros “de outubro não passará”.

JE Podcast: Ouça aqui as notícias mais importantes desta segunda-feira

Da economia à política, das empresas aos mercados, ouça aqui as principais notícias que marcam o dia informativo desta segunda-feira.
Comentários