Nagorno-Karabakh: Azerbaijão lança ultimato à Arménia

O presidente do Azerbaijão diz que os arménios não estão empenhados nem na paz nem no Corredor Zangezur. Aparentemente, as iniciativas da União Europeia não surtiram efeito.

Nagorno-Karabakh

O presidente do Azerbaijão, Ilham Aliyev, disse esta quarta-feira que o seu país vai tomar decisões sobre o enclave de Nagorno-Karabakh se a Arménia não retirar da região, conforme está fixado no acordo assinado após a guerra de 2020. “O que as forças armadas arménias estão a fazer ainda em Karabakh? A nossa paciência não é ilimitada, e mais uma vez quero alertar que, se essa obrigação não for cumprida, o Azerbaijão tomará as medidas necessárias”, escreveu Aliyev no Twitter.

Esta tomada de posição – que tem todo o aspeto de um ultimato e aponta sem qualquer dúvida para o reacender de uma guerra que, de facto e em baixa intensidade, nunca deixou de existir – dá-se numa altura em que a União Europeia (UE) decidiu que iria ter uma palavra mais ativa no conflito.

Aliyev falou sobre os esforços para um acordo final de paz entre as duas nações do Cáucaso do Sul, dizendo que “os termos que apresentamos são justos, baseados no direito internacional, e o tratado de paz deve ser assinado com base nesses termos. Se a Arménia mostrar boa vontade, será assinada, caso contrário, não será assinado”.

“Se a Arménia quiser conduzir uma boa política de vizinhança, deve, antes de tudo, cumprir todas as disposições da declaração de 10 de novembro de 2020. Deve ser sincera nas negociações de paz com o Azerbaijão. Não deve prolongar o tempo artificialmente”, disse Aliyev.

As relações entre as duas ex-repúblicas soviéticas estão tensas desde 1991 (o ano em que o império soviético colapsou) quando os militares arménios ocuparam ilegalmente Karabakh, território reconhecido internacionalmente como parte do Azerbaijão.

Os confrontos mais recentes eclodiram em 27 de setembro de 2020, com o exército arménio a atacar as forças do Azerbaijão, violando vários acordos de cessar-fogo anteriores. Durante o conflito de 44 dias, o Azerbaijão libertou várias cidades e cerca de 300 lugares e aldeias, que estavam ocupadas pela Arménia há quase 30 anos.

O conflito terminou com um acordo mediado pela Rússia em 10 de novembro de 2020, que foi visto como uma vitória do Azerbaijão e uma derrota da Arménia. O cessar-fogo foi quebrado várias vezes desde essa data. Mesmo assim, o Azerbaijão lançou iniciativas de ocupação nas regiões libertadas de Nagorno-Karabakh e tentou criar um corredor de livre circulação (chamado Corredor Zangezur) que, diz Aliyev, não conheceu nenhum empenho do lado arménio.

No início de outubro, a Arménia e o Azerbaijão concordaram em aceitar uma missão civil da UE na fronteira do enclave. A missão, que era suposto começar no final de outubro e durar dois meses, teria por objetivo ajudar a delinear a fronteira entre os dois países.

O acordo foi alcançado depois de Ilham Aliyev, o primeiro-ministro da Arménia, Nikol Pashinyan, o presidente da França, Emmanuel Macron, e o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, se terem encontrado em Praga, à margem do primeiro encontro da Comunidade Política Europeia.

“A Arménia e o Azerbaijão confirmaram o seu compromisso com a Carta das Nações Unidas e a Declaração de Alma Ata de 1991, por meio da qual ambos reconhecem a integridade territorial e a soberania um do outro”, disse na altura o Conselho Europeu em comunicado.

Relacionadas

UE em Nagorno-Karabakh, enquanto a Turquia define política do gás natural do Azerbaijão

A missão vai para já durar dois meses e tem por objetivo ajudar os dois países a chegarem a um entendimento face ao enclave de Nagorno-Karabakh. Resta saber se a Turquia – que acaba de assinar mais um acordo para o gás natural com o Azerbaijão, facilitará a mediação.

Arménia e Azerbaijão esperam assinar tratado de paz antes do fim do ano

O primeiro-ministro arménio declarou no parlamento esperar a assinatura do tratado de paz com o Azerbaijão antes do final do ano e fazer, juntamente com o seu governo, os possíveis por que tal aconteça.
Recomendadas

Oposição venezuelana acusa governo de Maduro de quebrar acordo negociado

A Plataforma Unitária Democrática (PUD) da Venezuela acusou hoje o governo do presidente Nicolás Maduro de procurar “sair dos acordos” negociados no México, exigindo que seja retomado o diálogo.

Apelos a novos protestos no Irão após abolição da polícia da moralidade

Ativistas iranianos convocaram hoje protestos para os próximos três dias, com mobilizações e greves, após o procurador-geral do Irão ter anunciado que a polícia da moralidade, na origem de meses de protestos no país, “foi encerrada”.

Moeda chinesa atinge valor mais alto desde setembro

A cotação da moeda chinesa, o yuan, face ao dólar norte-americano, atingiu hoje o valor mais alto desde meados de setembro, após a China ter relaxado as medidas de prevenção epidémica, sinalizando o fim da estratégia ‘zero covid’.
Comentários