Não à venda da TAP

1. A TAP é uma empresa estratégica para a inserção de Portugal no mundo. 2. O Estado deve continuar a ter intervenção e presença na definição do rumo estratégico da maior empresa exportadora nacional. 3. O Estado deve manter 51% do capital e em caso algum deve perder posição de controlo. 4. A manutenção do […]

1. A TAP é uma empresa estratégica para a inserção de Portugal no mundo.
2. O Estado deve continuar a ter intervenção e presença na definição do rumo estratégico da maior empresa exportadora nacional.
3. O Estado deve manter 51% do capital e em caso algum deve perder posição de controlo.
4. A manutenção do controlo pelo Estado serve justamente para assegurar o desenvolvimento da atual estratégia da TAP, completamente alinhada com os interesses geopolíticos e geoeconómicos portugueses.
5. O controlo público permite assumir o desígnio nacional de assegurar as ligações aéreas essenciais num país geograficamente descontínuo e preservar a capacidade de transporte para Portugal das comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo.
6. A TAP tem sido um exemplo de como uma empresa do Estado pode ter uma gestão profissional, competente e independente e em caso algum esta qualidade de gestão e a orientação estratégica da empresa deve ser modificada.
7. Face às restrições da UE e as necessidades de capitalização da empresa, pode aceitar-se a abertura do capital a investidores privados.
8. Tratando-se de capitalizar a empresa e não de obter receita para o Estado, não se deve proceder a uma privatização por alienação de participações do Estado, mas a um aumento de capital em bolsa, sem que o Estado fique com menos de 51% do capital e, em caso algum, perder controlo da empresa.
9. Usando a TAP o encaixe financeiro para reduzir passivo e renovar a frota, pode oferecer-se aos acionistas privados níveis de rentabilidade e remuneração elevados para os padrões da aviação comercial.
10.  Esta tem sido a posição de António Costa: há alternativas para a TAP. É preciso lutar pelos valores nacionais!
11.  Chega de nos dizerem que não há alternativas!
12.  É inaceitável que um governo a poucos meses de fim de mandato, insista numa medida com este enorme alcance, totalmente irrecuperável no futuro, sabendo quanto o PS, principal partido da oposição (e mais que provável governo dentro de um ano) é contra ela. É a prova da farsa com que este governo fala de consensos com o PS.
13.  Passos Coelho desconhece o conceito de “valor imaterial”.
14.  A dimensão intangível, não mensurável porque simbólica, ultrapassa a capacidade de compreensão de uma certa direita, inculta, impreparada e incompetente.
15. A greve dos sindicatos da TAP é terrível para a empresa e para os passageiros. Mas a privatização total da companhia é o princípio da aniquilação de um dos bens públicos mais importantes que ainda nos restam.

Gabriela Canavilhas
Pianista, deputada e ex-ministra da Cultura

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