“Não acreditamos numa aterragem a pique da China”

Os mercados asiáticos são os eleitos para investimento pela equipa da Schroders de Waj Hashmi, Global Emerging Markets Equity Fund Manager.


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A China está no radar com um mercado barato, contrastando com o mercado caro que é a Índia e o da África do Sul. Sobre o Brasil diz que os problemas atuais serão um trunfo a prazo.

A Argentina é uma vencedora entre os mercados emergentes. Porquê?
Teoricamente a Argentina é um mercado emergente, está no Índice Fronteira, pelo que, de momento, não está no Índice Emergente. Já esteve em tempos, mas não agora. Em termos do modo como olhamos para os mercados emergentes, está acima desse nível. Potencialmente, as eleições são um bom catalisador, porque permitem o afastamento do Governo de políticas de esquerda, que poderão ser substituídas por outras mais dirigidas para o mercado. Isto é algo que deverá ser positivo. Em termos da nossa estratégia isso não é relevante para os mercados emergentes, mas está num Fundo Fronteira gerido pela nossa equipa.

A Venezuela está a mudar de políticas e perspetivas. Pode ser um mercado a apostar?
A Venezuela não é, de todo, um mercado emergente. Já o foi, mas há muito que deixou de o ser. A Argentina está no radar, mas a Venezuela não.

Que impacto terá o colapso da economia no Brasil no mercado de ações global?
No mercado de ações global não deverá ter muito, pois o Brasil não é um grande consumidor global. Já a nível interno devo dizer que a situação está muito difícil. O próximo ano deverá registar um Produto Interno a cair. Estimamos que o PIB seja 2 a 3% negativo, pelo que a situação parece muito difícil. A política tem sido muito afetada, especialmente pelas detenções do senador Amaral e do André Esteves a que assistimos (no dia 25 de novembro). A detenção de André Esteves tem consequências muito negativas do ponto de vista dos negócios e a do Senador Amaral é muito pouco usual. Não costumamos ver senadores a ser detidos, isto não acontecia há décadas. O facto de isto estar a acontecer demonstra quão profundo é o problema.
Mas, a longo prazo, isto poderá ser positivo, no sentido em que se mostra que o Brasil não é a Rússia ou a China, tem um sistema judiciário independente que lida com estas situações, não relevando a importância social das pessoas. As investigações poderão chegar a Lula, mas não creio que a presidente Dilma esteja diretamente implicada. De facto, é muito positivo haver esta independência judicial. O problema é que, no curto prazo, dificulta a implementação de algumas medidas de ajustamento significativas no terreno. A minha esperança é que algumas medidas de reestruturação pública de longo prazo, como as pensões e reformas, sejam implementadas; mesmo que as reformas públicas não estejam a acontecer no curto prazo, devido ao abrandamento do crescimento. Mas a detenção do senador dificulta a implementação de medidas de longo prazo e, logo, o impacto destes acontecimentos é muito negativo para o Brasil.

Com o dólar forte, o que irá acontecer no mercado de ações emergente?
Historicamente, os mercados emergentes não gostam de um dólar forte. Posto isto diria, primeiro, que temos assistido a uma enorme correção nas divisas emergentes, como a do Brasil, mas também a da Rússia, da Malásia e da Turquia. No que respeita ao poder de compra, vê-se que o dólar avançou muito e está em vias de impactar no crescimento dessas economias. É muito difícil fazer frente ao dólar quando a Fed aumenta a pressão, mas penso que o preço (da divisa) já inclui muito disso. As divisas emergentes ajustaram-se muito, o dólar reforçou-se e acho possível que, quando as taxas começarem a subir, que o dólar modere porque as taxas não vão subir depressa. Portanto, em termos históricos, é muito negativo, mas não penso que o dólar avance mais do que já avançou. Penso que dentro dos emergentes, se o dólar ganhar mais força, assistiremos a diferentes desempenhos, e nem todos serão afetados da mesma maneira, sendo que alguns mercados beneficiarão, porque serão impulsionados pelo crescimento. O norte da Ásia e outras economias exportadoras, serão beneficiadas com o fortalecimento do dólar propulsionado pelo crescimento nos EUA. Se o dólar continuar a subir, os países mais fracos e com défices externos elevados irão, provavelmente, sofrer. Mas acho que grande parte do ajustamento já ocorreu.

Qual será o cross euro/dólar em dezembro do próximo ano?
Não tenho opinião nessa matéria, a nossa equipa não faz previsões. Essa questão deve ser colocada à equipa europeia.

Qual será o impacto das iniciativas públicas na Índia para manter o crescimento comum défice controlado? Os indicadores macroeconómicos chave do país são auspiciosos?
Em termos históricos, o crescimento da Índia tem-se baseado na ruralidade e impulsionado pelo consumo interno. Logo não tem havido investimento suficiente. Isso significa que, quando há crescimento na Índia, ele tende a gerar um maior défice externo e inflação. Ou seja, o crescimento na Índia dá-se por “explosões” e não é sustentável, isto porque há sempre a inflação e défices externos. A situação agravou-se nos últimos 5 a 10 anos porque tivemos um espécie de bloqueio burocrático e político, pelo que não tem havido investimento no país, o que tem sido um enorme problema. É neste aspeto que um forte mandato do atual Governo tem sido positivo. Tem permitido implementar algumas destas reformas, em particular aquelas que podem dar o pontapé de saída ao investimento. Por isso, há que acelerar uma reforma agrária, que facilita o investimento, e diminuir a burocracia. Assim, a médio prazo, as perspetivas para a Índia são muito positivas, porque este investimento acontece num momento em que em muitos outros sítios, está a diminuir. Neste aspeto, a Índia pode estar em contraciclo com o resto do mundo. Isto, em meu entender, pode gerar um bom mercado. Mas isso também pode acontecer se se moderar a inflação e diminuir as taxas de juro, que têm sido mantidas baixas por causa da inflação.

Quanto tempo vai isto demorar?
Em grande medida, o mercado na Índia encareceu. Por isso, se olhar para as avaliações há um ano do país, elas estão bastante caras. As avaliações da Índia a curto prazo estão inflacionadas e este ano a margem desilude, devido aos resultados eleitorais e às  ações do Estado, pelo que as coisas não têm progredido assim tão depressa. Penso que isto será temporário e se olharmos para além do período de 12 meses, o potencial para um aumento dos ganhos está lá. De certeza que vale a pena regressar lá dentro de um ano em busca de números mais otimistas e, numa perspetiva de longo prazo. Devemos olhar para o mercado consoante as iniciativas se forem concretizando e sempre que se registar um crescimento forte e sustentável que reaja ao aumento do investimento. O problema na Índia é que a urbanização (social e económica) ainda não começou. Enquanto na China a urbanização deve estar acima dos 50%; na Índia, não me admiraria que estivesse nos 10%. Por isso, no longo prazo, ainda há uma perspetiva de crescimento bastante grande. Na minha opinião, nos próximos 12 meses (e as avaliações já compreendem esse período), a dificuldade reside no facto de ser um mercado caro.

Quais são as suas expetativas para os mercados emergentes na Europa, tais como a Grécia e a Hungria?
Penso que serão beneficiados pelo crescimento europeu. Penso que, dentro desse mercado, assistiremos a um bom crescimento na Hungria. A Grécia está numa situação bem mais difícil porque o nível de incerteza ainda permanece, estamos no momento de recapitalização do setor bancário. Mas, para além disto, ainda temos de ver o impacto de todos os outros aspetos. Mas apesar de muito do poder decisório lhe ter sido retirado, ainda assim, a Grécia tem de adotar medidas políticas. Penso que isso virá a alterar o grau de incerteza que dificulta a situação. De um modo geral, a Europa deverá recuperar bem.

E esse grande mercado que é a China?
Não estamos pessimistas em relação à China. Não achamos que a situação esteja assim tão má porque não acreditamos que haja uma queda a pique ou uma aterragem violenta, devido às medidas políticas aplicadas que se têm mantido. As taxas de juro continuam altas, as reservas obrigatórias também, pelo que, por um lado, deverão aliviar as suas políticas e, por outro, há medidas fiscais que têm de ser tomadas. Outra coisa que as pessoas esquecem é que o investimento abrandou mas isso é bom, é suposto acontecer à medida que a economia estabiliza. Por outro lado, assistimos a um forte crescimento em superfícies (de consumo e serviços).
O produto originado pelos serviços já ultrapassou a indústria e a construção. Ora, é muito difícil medir essa parte da economia. Como tal, é verdade que os números do crescimento são inferiores aos oficiais mas, em certos serviços, não serão assim tão baixos e não se assistiu a um aumento no desemprego, o que significa que os serviços estão a absorver as dispensas da indústria, um setor que a par dos serviços, está ótimo e no bom caminho. As ferramentas políticas estão à disposição e o crescimento dos serviços está a dar uma grande ajuda. Penso que um abrandamento generalizado do crescimento, consoante se passe de um crescimento suportado pelo investimento para um crescimento suportado pelo consumo, é um aspeto positivo, e revela uma estabilização. A questão é a que ponto cai esse investimento. A nosso ver, uma queda a pique será impossível. A suceder, será devido a um erro político ou a um acontecimento externo. Penso que as Autoridades dispõem das ferramentas para a evitar.

Nas suas recomendações, quais são os maiores mercados e setores nos mercados emergentes?
Neste momento, em termos de mercados, a Ásia ainda tem um grande peso e gostamos dos exportadores asiáticos. Neste âmbito, também gostamos da China, porque as estimativas são baratas. Cremos que os receios de uma queda a pique são exagerados e que, por volta do próximo trimestre, assistiremos a uma melhoria dos números porque a abertura das políticas vai manter-se e deverá estender-se à política fiscal. E, apesar de as divisas terem entrado na lista de divisas de reserva, não existem planos para alterar muito a moeda. Não vamos fazer uma reavaliação súbita da moeda local porque os chineses não vão tentar controlá-la. Penso que virá a depreciar-se, mas não permitirão uma alteração imediata de 15 ou 20%. Em termos de curto prazo, a China é uma boa aposta no contexto global.

Estão expostos em algum país africano, na África do Sul, por exemplo?
Estamos na África do Sul, que é um mercado emergente, mas temos uma exposição muito reduzida. Isto porque, a longo prazo, ainda prevemos problemas sociais significativos. Nesse mercado, há muitas indústrias mineiras e companhias de recursos naturais, sendo que várias delas, mesmo que o preço das commodities não seja mau, não têm bons resultados a nível de custos. Se adicionarmos a isto o facto de a gestão dos fundos domésticos ser sinónima de avaliações caras, significa que é um mercado desinteressante e isso acontece há já algum tempo.
O único mercado africano que está dentro dos índices é o Egito, pelo que aí temos uma exposição maior, por haver lá uma empresa de que gostamos e que suscitou uma oportunidade de compra muito forte no país.
Mas penso que no Egito, existem algumas preocupações quanto à moeda, porque foi suportada e, embora o país não dependa diretamente do preço do petróleo, depende de ajudas externas e, em particular, dos países do Golfo. Perguntamo-nos se essa ajuda se irá manter? E se a isso juntarmos o facto de que o turismo não vai estar bem durante uns tempos, tudo constitui uma preocupação para a moeda. Quanto ao próprio Egito, e numa ótica de longo prazo, direi que o seu posicionamento geográfico é ótimo, é o país com mais população árabe e jovem, e a penetração do que quer que seja – bancarização, bens de consumo e todos os produtos a que chamamos “bens ocidentais” – é muito reduzida. Em conclusão e ao nível do potencial a curto prazo, as preocupações são a moeda centram-se na geopolítica.

Por Vítor Norinha/OJE

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