“Não é necessário emigrar para desenvolver uma carreira profissional atrativa”

Professor Jorge Bravo considera que as novas funções do sector financeiro são bastante competitivas em comparação com outras áreas e defende que há espaço para alargar a diversidade da oferta e o número de lugares de formação.

A NOVA IMS, Escola da Universidade NOVA de Lisboa destaca-se na formação para a transição digital no sector financeiro. Oferece um mestrado em Análise e Gestão de Risco, muito direcionado para a gestão de risco de intermediários financeiros, banca, seguros, gestão de ativos e gestão de investimentos e duas Pós-Graduações: Ciência de Dados para Finanças ou Data Science for Finance, na designação em inglês, e Mercados e Riscos Financeiros.

Quais os desafios que se colocam ao sistema financeiro, do ponto de vista da tecnologia?
No essêncial trata-se de aproveitar a revolução tecnológica que tem vindo a ocorrer no sentido de transformar o negócio. Aliás, já está a acontecer. Temos assistido nos últimos anos e de forma mais acelerada desde o início da pandemia à crescente digitalização da atividade financeira, quer no sector bancário, quer no sector segurador, quer na área dos mercados de capitais. A transição digital no sector financeiro é importantíssima porquanto vai ao encontro das necessidades dos clientes de terem serviços e produtos financeiros em contexto real, de forma rápida e utilizando os sistemas de comunicação móvel existentes hoje.

Esta transição implica riscos?
Talvez o risco mais evidente, o que é mais debatido, tem a ver com as questões da cibersegurança. Em que medida é que a transição digital, a maior partilha de dados, a protecção dos dados, a segurança das operações em contexto digital pode ser afetada se não forem tidos em conta os cuidados adequados para estes processos.

A formação está a ajudar a resolver os desafios e riscos que enunciou?
Creio que sim, pelo menos, da nossa parte em contexto universitário, mas também a um nível mais geral.Tem havido um reforço muito grande da comunidade educativa, mas também das empresas do sector financeiro de promover uma requalificação geral dos seus quadros, dos seus colaboradores, no sentido de melhorar a literacia digital, aumentar as capacidades de tratamento, análise e processamento de dados, investir nos sistemas e processos de cibersegurança. Creio que Portugal a esse nível compara bem com o que se passa de melhor a nível internacional.

De que novas profissões está o mercado sedento?
São várias. Claramente analistas de dados e pessoas com formação específica na área de blockchain e “decentralized finance”, no fundo, os chamados “smart contracts”, i.e., contratos com menor intermediação financeira assentes na tecnologia. Gestores de risco e gestores de investimento – é uma área muito carenciada no sector financeiro, porque se sofisticou bastante esta matéria a nível internacional e também porque o leque de riscos a que estão sujeitas as instituições hoje é mmuito vasto. Inclui novos riscos até de natureza não financeira, como sejam as alterações climáticas, os riscos pandêmicos, a cibersegurança, etc.

Portugal está a conseguir formar para as necessidades?
Do feedback que vamos tendo dos empregadores, creio que manifestamente há espaço. As necessidades que o mercado tem não estão a ser suficientemente preenchidas pela oferta. A procura tem sido crescente e acelerou na sequência da pandemia da Covid-19.

A oferta pode aumentar?
Há espaço para alargar a diversidade da oferta e também o número de lugares de formação. Nem todas as áreas estão ainda cobertas ou suficientemente cobertas e há um problema no número de quadros qualificados que são necessários. Nós próprios, na Universidade NOVA, não temos uma capacidade ilimitada, mas estamos a procurar alargar essa oferta para ir ao encontro das necessidades do sistema financeiro em Portugal.

As profissões são atrativas do ponto de vista remuneratório?
Claramente são. Temos tido feedback dos nossos antigos alunos e informação dos recrutadores/empregadores, que nos fazem chegar ofertas de trabalho com bastante regularidade com condições bastante competitivas até por comparação com outras áreas. Estamos a falar de profissões altamente exigentes e complexas do ponto de vista da formação e da sua natureza, é natural que tenham também um salário diferenciado. Em termos competitivos, eu diria que são bastante atrativas para os jovens estudantes ou os quadros qualificados que se queiram (re) direcionar para esta área do sector financeiro.Temos bastantes antigos alunos que trabalham em multinacionais e trabalham em Portugal para múltiplas geografias. É uma área em que é possível fazer muito trabalho em termos remotos, o que significa que não é necessário emigrar para desenvolver uma carrreira profissional atrativa e compensadora. Creio que tenderá a atrair crescentemente mais quadros do sector financeiro.

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