“Não há margem para baixar o ritmo, antes pelo contrário”, diz CEO do BCP sobre subida de rating da Moody’s

A Moody’s anunciou a subida do rating da dívida sénior unsecured do BCP para Baa3, isto é para o primeiro nível de grau de investimento, com perspetiva estável. Miguel Maya elogiou o trabalho da equipa numa nota interna, mas recusa-se a baixar os braços porque os desafios são grandes.

Miguel Maya
Miguel A. Lopes/Lusa

A Moody’s anunciou a subida do rating da dívida sénior unsecured do BCP para Baa3, isto é para o primeiro nível de grau de investimento, com perspetiva estável.

Miguel Maya, CEO do Millennium bcp, numa nota publicada hoje à tarde no portal interno do banco a que o Jornal Economico teve acesso, comenta o facto de a Moody’s ter deixado de considerar a dívida sénior de longo prazo, sem garantia, do BCP como especulativa (lixo), e ter voltado, esta terça-feira, 14 de junho, a classificá-la como “grau de investimento”. É a primeira agência a elevar algum rating do BCP a “grau de investimento” e Miguel Maya não quis deixar de reconhecer o trabalho da sua equipa.

“Este passo tem um significado muito relevante e reflete o excelente trabalho realizado por múltiplas equipas do Banco ao longo de vários anos”, diz aos seus colaboradores o presidente do BCP.

“Temos sido capazes, com elevadíssimo profissionalismo e muitos sacrifícios, que todos temos memória, de promover a transformação dos modelos e processos de negócio, de alcançar e consolidar a liderança na satisfação dos clientes dos segmentos de empresas e particulares em múltiplas linhas de negócio, de melhorar significativamente a qualidade do balanço, de melhorar a eficiência e de progredir na rendibilidade”, refere o CEO do BCP.

“Estamos a criar condições para podermos gerar mais valor para a sociedade, mais valor para os acionistas, mais valor para os trabalhadores. Mas é uma prova de fundo que continua a requerer resiliência, inovação e capacidade de execução dado que o contexto macroeconómico continua muito desafiante”, reconhece o banqueiro .

“Não há margem para baixar o ritmo, antes pelo contrário, temos de continuar a ser capazes de reinventar o banco para merecermos a preferência e a confiança dos clientes e para nos tornarmos mais eficientes e gerarmos mais prosperidade”, avança Miguel Maya.

“Em nome da Comissão Executiva, felicito-vos a todos, sem exceção de áreas do Banco, pois é um trabalho de todos os que com o seu talento e trabalho foram e são protagonistas no caminho bem sucedido que estamos a percorrer”, conclui o CEO do Millennium BCP.

De acordo com o comunicado enviado pelo BCP à CMVM, esta decisão reflete a redução do stock de non-performing assets [ativos não produtivos, como crédito malparado e imóveis] e a melhoria dos rácios de capital nos últimos anos, a melhoria da rendibilidade doméstica, que permite compensar o impacto das provisões para o risco legal na Polónia.

“A agência de notação financeira Moody’s, no âmbito da sua revisão regular, atribuiu notação de Investment Grade ao rating da dívida sénior unsecured do BCP, que passou de Ba1/Prime-2 para Baa3/Prime-2, refletindo a redução do stock de Non-performing assets (NPA) e a melhoria dos níveis de capitalização nos últimos anos, a melhoria da rendibilidade doméstica, que permite compensar o impacto das provisões para o risco legal na Polónia, bem como o plano de funding do Banco em execução tendo em vista o cumprimento com o requisito mínimo de fundos próprios e de passivos elegíveis final (MREL – Minimum Requirement for own funds and Eligible Liabilities), incluindo o requisito Combinado de Reservas (CBR – Combined Buffer Requirement), a partir de 1 de janeiro de 2024”, lê-se no comunicado.

Simultaneamente, a agência de rating reafirmou o Baseline Credit Assessment (BCA) do Banco e o BCA Ajustado em ba2; os ratings de depósito em Baa2/Prime-2; o rating da dívida sénior não preferencial em (P)Ba2; o rating da dívida subordinada não perpétua em (P)Ba3; e a notação de rating para as ações preferenciais em B2(hyb).

O Outlook dos ratings de longo prazo para os depósitos e para a dívida sénior unsecured mantém-se estável, refletindo a perspetiva da Moody’s de que a qualidade de crédito do BCP se mantenha estável ao longo do horizonte de análise.

A Moody’s diz que levou em conta a melhoria dos indicadores de risco dos ativos do BCP, embora as exposições de incumprimento continuem elevadas e os seus níveis de capital modestos. A agência alerta que apesar da redução significativa nos últimos anos, o BCP continua a deter um grande stock de NPA, incluindo não só empréstimos, mas também um volume significativo de ativos imobiliários.

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