“Não há outros candidatos à altura para assumirem o Montepio”

Em exclusivo ao OJE, Tomás Correia, presidente da Associação Mutualista do Montepio, faz um balanço do anterior mandato e traça as linhas principais da sua recandidatura. Eleições são a 2 de dezembro.


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Há eleições na Associação Mutualista do Montepio no próximo dia 2 de dezembro. Há quatro listas que concorrem a todos os órgãos e uma que concorre apenas ao conselho geral. Tomás Correia, o atual presidente da Associação Mutualista, quer fazer um novo mandato e responde a questões difíceis como a perda de valor do fundo de participação, a passagem de lucros a prejuízos e ainda a exposição dos ativos financeiros da Associação ao banco Montepio.

Qual o balanço de todos estes anos em que dirige a Associação Mutualista e a Caixa Económica Montepio Geral?
É, obviamente, muito positivo, mesmo nos anos difíceis que atravessámos desde 2008. Como sabe, o país teve um resgate, a economia degradou-se, as falências aumentaram exponencialmente, o desemprego atingiu números impensáveis e a carga fiscal é a que todos conhecemos, com consequências terríveis para o rendimento disponível das famílias. O setor financeiro foi severamente atingido, tendo registado uma forte redução no volume de atividade e níveis de incumprimento crescentes, por parte das empresas e das famílias, geradores de elevadas perdas, que atingiram todos os operadores do setor e conduziram à diminuição do número de balcões e de postos de trabalho e obrigaram a que a generalidade desses agentes tivesse recorrido à ajuda do Estado para poderem superar as dificuldades de liquidez e de insuficiência de capital.

A Caixa Económica Montepio Geral pode dizer que, graças as seus acionistas, é um dos poucos bancos de capital português que não foi intervencionado?
A Associação Mutualista e o seu grupo de empresas instrumentais não podiam ficar incólumes, face aos efeitos da crise. No entanto, o Montepio resolveu, por si só, com as suas capacidades, com a força da relação com os seus associados e clientes, todos os problemas que teve de enfrentar sem qualquer apoio público, do Estado, fosse para colmatar insuficiências de liquidez ou de capital. Acresce que o seu desempenho, comparado com o do setor financeiro, evidencia diferenças substanciais. Há aspetos que quero sublinhar. Na última década, o número de associados da Associação Mutualista Montepio Geral multiplicou-se por cerca de 2,5 vezes, atingindo 630 513 no final de 2014, e o balanço respetivo multiplicou-se por cerca de quatro vezes, ultrapassando os 4.750 milhões de euros. No mesmo período, o ativo líquido da Caixa Económica passou de cerca de 12 mil milhões de euros para cerca de 22.500 milhões de euros. A Associação Mutualista apresentou, durante o período e em todos os exercícios, resultados positivos e normalmente crescentes. Já a Caixa Económica, só em 2013 e 2014 teve resultados negativos. São desempenhos e crescimentos notáveis que ocorrem num período de crise e de redução de poupanças das famílias. Este facto, só por si, mostra a pujança e a confiança que a nossa Associação inspira junto de um número crescente de associados, que confiam o seu futuro e o das suas famílias à gestão da sua Associação. E, na gestão da Associação e do grupo, a política interna de recursos humanos sempre preservou os postos de trabalho. Ao contrário do mercado, no nosso grupo foi possível criar novos postos  de trabalho, quer na expansão em África, quer nas Residências Montepio, as quais, só por si, foram geradoras de cerca de 600 novos empregos, num domínio inovador da atividade da Associação, que se iniciou na preparação de cuidados de saúde, de apoio domiciliário e de prestação de cuidados continuados e de proximidade. Foi, ainda, possível desenvolver e modernizar o grupo no domínio da governação das empresas que o integram, dotando a Caixa Económica de uma gestão própria, num quadro que responda às  exigências regulatórias e às necessidades da Associação.

Quais as razões da sua recandidatura?
São fundamentalmente duas. A primeira resulta da visão de futuro que o grupo Montepio foi construindo ao longo dos últimos anos. De facto, embora haja alguma turbulência para o exterior, internamente há uma grande convergência nessa visão. Refiro apenas, para não me alongar, que, no passado dia 9 de novembro, o Conselho Geral aprovou as linhas de orientação estratégica para o grupo e para os próximos três anos propostas pelo atual conselho de administração. Foram aprovadas sem qualquer voto contra e sem reparos ou sugestões de melhoria das propostas apresentadas pelo CA. Se se considerar que, no Conselho Geral, há elementos que integram candidaturas de oposição à Lista A, tal votação demonstra que estamos no caminho certo. Uma segunda razão reside no facto de não se terem apresentado candidatos à altura de assumirem a responsabilidade da condução dos destinos do Montepio. Basta considerar os programas que apresentam e, sobretudo, os seus passados profissionais e pessoais.

Como é que o Montepio está a reagir à supervisão do Banco de Portugal com a imposição de novas regras semelhantes à da banca tradicional?
A Caixa Económica Montepio Geral é, há muitíssimos anos, supervisionada pelo Banco de Portugal e está sujeita às normas regulatórias aplicáveis ao setor bancário. E, ao contrário do que muitos fazem passar, não tem sido alvo de quaisquer observações diferentes dos demais operadores de setor. É importante dizer que, apesar da tentativa de destruição do grupo que alguns que agora até são candidatos quiseram fazer, as autoridades souberam fazer a análise de factos e separá-los das calúnias.

A Caixa Económica apresentou um prejuízo de 59,5 milhões de euros nos primeiros nove meses do ano, que compara com lucros homólogos de 19,5 milhões de euros. Como se explica esta quebra?
Foi um resultado parcelar. A tendência vai no sentido de obtenção de resultados positivos. O facto de haver não recorrentes nos resultados anteriores tornou essa diferença de resultados mais notória.

A Associação tem 650 mil associados. Como é que estes têm reagido à perda de cotação em bolsa do banco, uma vez que também foi notícia a perda de depositantes?
A Caixa Económica, em si, não tem o seu capital institucional cotado na Bolsa, mas apenas o seu Fundo de Participação, que sofre os efeitos da mesma forma que ocorre com o capital dos bancos cotado em bolsa. Ainda assim, as unidades de participação do Fundo referido têm tido um desempenho mais positivo do que o apresentado pelo setor financeiro em Portugal.

A excessiva exposição dos ativos financeiros da Associação Mutualista ao banco tem sido um dos temas que tem dominado a campanha para as eleições para os órgãos da Associação Mutualista. O que é que nos pode dizer sobre isso?
Salvo no que interessa à produção de ruído por parte dos opositores da Lista A, a questão coloca-se do mesmo modo que quando acionistas de referência de outras grandes empresas nelas investem. É uma questão de confiança. Durante o período conturbado, se tivesse havido investimentos em outros ativos, talvez as coisas não estivessem tão bem na Associação Mutualista.

Por Vítor Norinha/OJE

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