“Não perspetivo nenhuma subida do malparado nos próximos dois anos por causa da subida dos juros”, disse Miguel Maya

O CEO do BCP foi taxativo quando disse “não perspetivo, nos próximos dois anos, nenhuma subida de NPL (Non Performing Loans) com base no aumento dos custos financeiros, ou seja com a subida das taxas de juro, a não ser de empresas que já não tinham modelo de negócio adaptado à nova realidade pós pandemia”. O horizonte de subida de juros pelo BCE para os próximos dois anos é de 200 pontos base.

Cristina Bernardo/JE

O presidente executivo do Millennium BCP, Miguel Maya, instado a comentar a subida dos juros da zona euro, disse que se “trata de um processo de normalização” e que não se está a verificar “nenhuma subida de juros para patamares que são fora da normalidade”. Ainda hoje “temos taxas zero, o que não é normal”.

“É desejável que haja uma normalização da política monetária por múltiplas razões, não só por causa da rentabilidade do banco, mas também por causa rigor do investimento, porque estar a tomar decisões de investimento com base num cenário de taxas de juro negativas é estar a financiar projetos que não são estruturalmente rentáveis”, disse Miguel Maya.

“Não é bom para a economia haver taxas de juro negativas”, frisou.

O CEO do BCP foi taxativo quando disse “não perspetivo, nos próximos dois anos, nenhuma subida de NPL (Non Performing Loans) com base no aumento dos custos financeiros, ou seja com a subida das taxas de juro, a não ser de empresas que já não tinham modelo de negócio adaptado à nova realidade pós pandemia”.

O horizonte de subida de juros pelo BCE para os próximos dois anos é de 200 pontos base. E neste cenário base que Miguel Maya expressa a sua convicção, indo ao encontro do que disse ontem o presidente da CGD, Paulo Macedo.

Miguel Maya está mais preocupado com o impacto dos custos de energia nas empresas suas clientes.

“Os custos de energia podem pôr fora do mercado empresas viáveis e bem geridas”, disse.

O presidente do banco disse que a grande preocupação não são os juros, são o contexto de subida dos custos da energia e perturbações da cadeia de valor. “Como é que a sociedade portuguesa vai conseguir defender as empresas bem geridas e com viabilidade economica afectadas por aquelas condicionantes.

O BCP reportou uma redução do custo do risco de 68 pontos base para 61 pontos base. Mas as imparidades para crédito subiram de 156,9 milhões de euros em junho de 2021 para 179,4 milhões em junho deste ano.

Em Portugal o custo do risco caiu de 81 pontos base para 69 pontos base. As imparidades caíram 2,6% num ano para 190,5 milhões. Daqui, 139,5 milhões de euros foram novas imparidades para crédito. O stock de imparidades na atividade doméstica soma 1.040 milhões  (-26,2%). Nas operações internacionais o custo do risco subiu de 38 pontos base para 44 pontos base.

No consolidado as imparidades subiram 19,4% para 551,4 milhões de euros, o que inclui 102,3 milhões de imparidades para o goodwill do Bank Millennium. As imparidades para riscos legais com os créditos concedidos em francos suíços na Polónia baixaram de 214,2 milhões para 198,1 milhões.

As imparidades em balanço (stock) caíram 19,3% para 1,615 mil milhões de euros.

A qualidade da carteira melhorou de junho de 2021 para junho de 2022, já o crédito NPE caiu 501 milhões de euros (-16,7%). A cobertura por imparidades é de 65%.

O rácio de NPE está em 4,3%.

Na atividade em Portugal o malparado caiu 22%, ou 460 milhões de euros e o rácio de NPE está em 4%.

Relacionadas

BCP pagou 62,2 milhões em contribuições extraordinárias. CEO diz que “é inqualificável”

Millennium BCP contabilizou no segundo trimestre as contribuições bancárias que em Portugal somam 62,2 milhões de euros, dos quais para o Fundo de Resolução português foram 18,7 milhões (mais 1,7 milhões que no primeiro semestre de 2021). “Isto é um fardo pesadíssimo que mina a competitividade da banca portuguesa na Europa”, disse o CEO.

BCP afasta descida nas comissões porque “preços estão adequados aos serviços prestados”

“Cria-se a ideia de que os juros sobem e as comissões caem. Não é assim”, afirma Miguel Maya, CEO do BCP, notando que “o banco não perspetiva nenhuma baixa das comissões”, uma vez que “os preços estão adequados aos serviços prestados”.

Lucros do BCP sobem para 74,5 milhões de euros no primeiro semestre

O BCP obteve um resultado positivo de 74,5 milhões de euros no primeiro semestre, multiplicando por seis os lucros face ao mesmo período do ano passado. O ROE situa-se nos 2,8%.
Recomendadas

CaixaBank recomprou quase 18 milhões de ações na semana passada (com áudio)

O CaixaBank anunciou hoje a compra de 17.947.222 ações próprias, por 53.063.926 milhões de euros entre 1 e 5 de agosto.

Mutualista Montepio com lucros de 12,9 milhões de euros no primeiro semestre

A Associação Mutualista Montepio Geral (AMMG) registou um lucro de 12,9 milhões de euros no primeiro semestre, superando os 11,9 obtidos em igual período do ano passado.

PremiumAplicação moey! vai apostar em seguros para animais e ciclistas

Depois de ter lançado um seguro de viagens, a solução ‘mobile-only’ do Grupo Crédito Agrícola prepara o lançamento de apólices para animais de estimação e ciclistas até ao final deste ano.
Comentários