Premium“Não podemos prever o futuro, mas podemos criá-lo”. O que esperam as multinacionais em 2019?

“Para 2019, antevê-se que o crescimento económico será mais dinâmico nos EUA que na Europa, que confirmará um desenvolvimento mais lento em linha com o que se verifica atualmente, assim como iremos continuar a assistir à desaceleração da economia chinesa.”

José Lopes : Diretor Geral da easyJet Portugal

2019 será um ano desafiante, principalmente, pelas difíceis negociações em torno do Brexit, mas o nosso objetivo é tornar a presença da easyJet cada vez mais relevante em Portugal, porque acreditamos no enorme potencial turístico do país e estamos confiantes de que teremos um futuro risonho.
Portugal bateu todos os recordes de turismo em 2018 e, apesar de terem sido perdidas algumas oportunidades, ainda existirão espaços de crescimento e antevemos que existam menos entraves ao crescimento colocado por limitações nas infraestruturas. Em 2019, é previsível que se sinta um ligeiro abrandamento da economia portuguesa, o que não deverá impedir as nossas previsões de crescimento na casa dos 9%, continuando assim a dar uma resposta rápida e eficiente às necessidades do mercado.
Iremos manter o nosso crescimento a dois dígitos no próximo inverno no aeroporto do Porto e de Faro, contrariando assim os efeitos de sazonalidade que, a pouco e pouco, se vai esbatendo, uma vez que cada vez mais turistas procuram conhecer Portugal fora das épocas altas.
Portugal continuará a atrair turistas dos diversos pontos do globo, que olham para Portugal como uma plataforma de desenvolvimento das suas competências, o que contribui para o desenvolvimento da nossa economia.
Por outro lado, os obstáculos no aeroporto Humberto Delgado, infelizmente, parecem não querer desaparecer e estamos conscientes de que também existirá um aumento da irregularidade aeronáutica, causada pelo controlo de tráfego aéreo a nível europeu e pela alteração e agravamento das condições atmosféricas.

Alexandre Fonseca: Presidente Executivo da Altice Portugal

“Num mundo cada vez mais global, não podemos esquecer que os desafios mais pertinentes na gestão de uma empresa estão hoje em muito relacionados com uma série de fatores que lhe são externos, tais como como os processos globais que impactam o ecossistema onde esta se insere, a economia local e global actual, o fim de empresas multinacionais, o aparecimento e ascensão meteórica de outras, os rankings internacionais dos Mercados, os fatores financeiros, as relações entre a Europa e os Estados Unidos e a China, as tensões políticas e como estas afetam as relações comerciais e a estabilidade das empresas, sem esquecer os ambientes regulatórios e o papel das Autoridades de Regulação sectoriais e de concorrência.
Desafios que se amplificam ainda mais quando temos em conta a digitalização, a transformação dos concorrentes, as mudanças rápidas e profundas no perfil do consumidor e as novas técnicas de gestão.
A digitalização acelerou a produção e a circulação de informação, a inovação e a disrupção, a integração do físico com o virtual e o uso de dados em tempo real. Tudo isto com enorme impacto nas estruturas organizacionais, nos modelos de negócio, nas operações de logística e nos próprios produtos e serviços.
O pai da Administração moderna, Peter Drucker dizia que “Não podemos prever o futuro, mas podemos criá-lo.”
Assim, acreditamos que 2019 vai ser um ano de Oportunidades. Um ano decisivo para o fortalecimento da liderança e estratégia que a Altice Portugal traçou há 1 ano. Vamos dar seguimento aos nossos pilares estratégicos: Investimento, Inovação e Proximidade. Investimento na expansão de redes de Nova Geração (fibra ótica e 4G/4G+) e Inovação e Proximidade através da descentralização da Altice Labs, através do reforço de parcerias pelo território e também pelo reforço de ligação com instituições de ensino. Vamos continuar a antecipar tendências deste que é um setor chave para a economia e sociedade, a começar pelo caminho já feito no 5G. Finalmente, a transformação dos modelos de negócio “tradicionais” das Telecomunicações continuará a ser uma prioridade, na modernização do portfólio de Produtos e Serviços e no enfoque na melhoria continuada da Qualidade de Serviço aos nossos clientes, residenciais e empresariais.
Espírito empreendedor, competência, inovação, capacidade de investimento, escala e um ecossistema de parcerias forte são os nossos principais ativos e é neles que nos vamos continuar a focar para nos continuarmos a afirmar como um player digital global e o parceiro de referência da transformação digital da sociedade…acreditando sempre em Portugal e no crescimento da nossa Economia!

Ana Torres: Líder do Cluster Doenças Raras da Pfizer na Europa

“Sendo alguns destes os mercados exportadores para Portugal, é relevante que se tenha em consideração esta dinâmica mundial.
A sociedade e a economia digital tenderão a manter um desenvolvimento acelerado com todos os agentes económicos a tentarem acompanhar a evolução. O “Big Data” e a Inteligência Artificial irão liderar esta agenda que se pretende dinamizada pelas start-ups. Quanto à Diversidade, continuaremos a assistir a uma progressão, que continuará a ser lenta, mas consistentemente crescente. A procura de soluções equilibradas que proporcionem a todos contribuir para uma comunidade mais produtiva, é decisiva para o futuro da sociedade. O equilíbrio de género deve ser encarado com a seriedade que merece, para que se alcancem os resultados económicos esperados dessa mudança societária, tão necessários para a melhoria das condições das famílias.
A tendência mundial, em particular nos países mais desenvolvidos, em encontrar políticas de equilíbrio trabalho/pessoal, será potenciado em 2019 e nos anos seguintes, e será considerado como uma vantagem competitiva de atração de talentos.
O valor em Saúde deverá fazer parte das grandes tendências para 2019 pela importância que toma a cada ano que passa devido a uma população mais envelhecida e a necessitar de mais cuidados de longa duração para doenças crónicas, que afetarão cada vez mais doentes. A melhoria do valor em saúde é estimada pela entrega aos doentes de melhores resultados em saúde, que é um imperativo para uma sociedade saudável e produtiva. É crítico construirmos um Sistema de saúde sustentável que coloque as pessoas no centro da decisão.
Em resumo, 2019 será um ano desafiante, com temas relevantes, mas com sinais muito positivos de desenvolvimento e consolidação.

Artigo publicado na edição semanal do Jornal Económico de 28 de dezembro de 2018. Para ter acesso em primeira mão a todos os nossos conteúdos premium, aceda aqui ao JE Leitor.

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