Não tenhamos pressa, mas não percamos tempo! 2023 e agora?

Sempre achei curiosos os ensinamentos que o mar nos dá e que podem ser aplicados a contextos organizacionais e à nossa vida em geral.

É incrível imaginar que estamos apenas a um mês e meio do final do ano. Muitos de nós anseiam por um novo ano que traga oportunidades, esperança e novos capítulos a serem vividos. O contexto e a sucessão de acontecimentos dos últimos dois anos, pandemia, guerra, alterações climáticas, inflação, subida das taxas de juro, conduziu a transformações muito intensas na gestão das organizações e no comportamento dos consumidores.

Não é a primeira vez que a sociedade passa por estas transformações, mas o que é verdadeiramente único é a intensidade, a cadência e o curto intervalo de tempo entre todas elas. E não sendo nem praticante nem grande conhecedora de questões relacionadas com o surf, sempre achei curiosos os ensinamentos que o mar nos dá e que podem ser aplicados a contextos organizacionais e à nossa vida em geral.

A capacidade de estarmos atentos aos sinais e de sabermos reagir a mudanças bruscas que surgem, o respeito por forças da natureza que são superiores a nós, a humildade de saber ouvir quem tem mais experiência do que nós porque já “surfou” outras ondas de mudança, a resiliência para aceitar que nem sempre as ondas estão a nossa favor e que isso não nos deve fazer desistir, a capacidade de comemorar as vitórias, por mais pequenas que elas sejam, para nos dar ânimo e foco para outros desafios futuros, saber assumir riscos e que o resultado pode nem sempre ser o que esperamos.

Gerry Lopez, célebre jornalista e surfista americano, dizia que “surfing teach us a really important lesson about life. When we are in the lineup and for some reason we get caught by the set, we have two options: we can give up and let the waves take us back to the beach, or we can keep paddling and fight until we get back to our position”.

Se é a segunda opção que queremos para as nossas organizações e para as nossas vidas, então, para lutar e nos mantermos na onda, precisamos de desenvolver e adquirir competências e ferramentas que nos ajudem nessa missão.

No “Future of Jobs Report”, publicado pelo World Economic Forum com o Top 10 Skills para 2025, surgem algumas competências como: analytical thinking e innovation, active learning e learning strategies, complex problem solving, critical thinking & analysis, leadership and social influence, creativity and initiative, resilience, flexibility stress tolerance. Já pensou em como algumas destas competências são verdadeiramente críticas para a sobrevivência, quer do praticante de surf, quer do gestor de empresas, quer mesmo para qualquer um de nós nas várias esferas da nossa vida?

No contexto que vivemos, muito imprevisível, torna-se crítico que consigamos desenvolver estas competências e que a aprendizagem e a formação sejam encaradas como ferramentas que nos tornam mais capazes de enfrentar os desafios.

Não precisamos de controlar todas as esferas da nossa vida e devemos reconhecer também o encanto da imprevisibilidade, mas é melhor ser surpreendido estando preparado para receber essas mudanças. Como escreveu José Saramago, não tenhamos pressa, mas não percamos tempo! 2023 está mesmo a chegar.

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