Navalny classifica de “vergonhosa” pena de oito anos de cadeia a opositor russo

A condenação hoje do opositor russo Ilya Yashin a oito anos e meio de prisão por criticar a ofensiva militar contra a Ucrânia é “um veredicto vergonhoso”, denunciou o também opositor Alexei Navalny.

EPA/ Sergei Ilnitsky

“Outro veredicto vergonhoso e ilegal de (Vladimir) Putin, que não vai silenciar Ilya e não deve intimidar as pessoas honestas na Rússia”, reagiu Navalny, numa mensagem divulgada pelos seus apoiantes nas redes sociais.

Navalny, que está detido na Rússia desde o início de 2021, acrescentou que está “orgulhoso” de Yashin, assegurando que ele “sobreviverá a tudo”.

Um tribunal de Moscovo condenou hoje o opositor Ilya Yashin a oito anos e meio de cadeia, por este ter criticado a ofensiva militar russa contra a Ucrânia, após um julgamento que ilustra o clima de intimidação e repressão por parte do regime do Presidente Vladimir Putin.

O tribunal considerou Ilia Yashin culpado de ter cometido o crime de divulgar “informações falsas” sobre o exército russo, explicou o coletivo de juízes.

Ilya Yashin, 39 anos, foi detido em junho e julgado por ter denunciado, durante uma intervenção ao vivo num canal da plataforma YouTube, “o assassínio de civis” na cidade ucraniana de Busha, perto de Kiev, onde o exército russo está a ser acusado de abusos.

Nos últimos meses, várias pessoas foram condenadas a penas de prisão, depois de serem condenadas por divulgar “informações falsas” ou por “desacreditar” o Exército.

A ofensiva militar lançada a 24 de fevereiro pela Rússia na Ucrânia causou já a fuga de mais de 13 milhões de pessoas – mais de seis milhões de deslocados internos e mais de 7,7 milhões para países europeus -, de acordo com os mais recentes dados da ONU, que classifica esta crise de refugiados como a pior na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

A invasão russa – justificada pelo Presidente russo, Vladimir Putin, com a necessidade de “desnazificar” e desmilitarizar a Ucrânia para segurança da Rússia – foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que tem respondido com envio de armamento para a Ucrânia e imposição à Rússia de sanções políticas e económicas.

A ONU apresentou como confirmados desde o início da guerra 6.430 civis mortos e 9.865 feridos, sublinhando que estes números estão muito aquém dos reais.

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