Navios russos estão a navegar em ‘modo invisível’ para esconder a quem vendem petróleo (com áudio)

Refinarias na China e na Índia são os principais destinos do petróleo produzido no país de Putin. Barril de crude russo está a ser vendido a um valor mais baixo que o Brent. Marinha mercante russa aprendeu os truques usados nos últimos anos pela Venezuela e pelo Irão.

Bloomberg

Os petroleiros russos estão a desligar os seus localizadores para não serem detetados nos mares em todo o mundo. Estes navios contam com um sinal transmissor que lhes permite ser detetado por satélites, mas estes estão a ser desligados de forma a ocultar os países de destino do petróleo russo.

A informação é revelada pela “CNN” que destaca que o Governo norte-americano considera esta atividade oculta uma má-prática marítima que é usada para contornar sanções.

A marinha mercante russa está a usar, e abusar, desta tática para transportar petróleo produzido no país para outros países.

Esta atividade oculta disparou 600% recentemente face ao período pré-invasão russa, segundo dados da companhia Windward.

“Estamos a assistir a um disparo nos petroleiros russos a desligarem propositadamente as suas transmissões de forma a ultrapassar as sanções. A frota russa está a começar a esconder as suas localizações e exportações”, disse o presidente executivo da Windward, Ami Daniel, citado pela “CNN”.

Durante a semana de 12 de março, esta empresa registou 33 ocorrências de atividade oculta por navios petroleiros russos, mais 236% face à média semanal dos 12 meses anteriores.

No entanto, o petróleo russo está muito apetecível neste momento: o barril está a ser vendido 30 dólares mais barato que o barril de Brent. O barril de Brent está a negociar hoje acima dos 111 dólares.

Esta prática também é usada por razões de segurança: em águas infestadas de piratas, os localizadores são desligados para os navios não serem localizados. Mas a Windward rejeita esta possibilidade: “estes navios querem desaparecer do radar”.

Washington garante estar atenta a este fenómeno e que usa uma série de métodos que não dependem somente destes localizadores para monitorizar estes navios.

A marinha mercante de outros países têm usado esta tática nos últimos anos para conseguirem exportar petróleo, incluindo a Venezuela e o Irão.

“A Rússia está a seguir o manual de instruções criado pelo Irão e a Venezuela”, disse à “CNN” Andy Lipow presidente da consultora Lipow Oil Associates.

A grande diferença é que o petróleo russo não está sujeito a nenhum embargo a nível internacional, apesar de os Estados Unidos da América e o Reino Unido terem imposto um embargo limitado ao seu território (a União Europeia não impôs nenhum embargo, por exemplo).

Esta atividade oculta serve tanto a Rússia como aos países compradores que não querem ser visto a comprar petróleo ao regime de Putin.

“É um desastre de relações públicas”, disse o vice-presidente da Mizuho Securities, Robert Yawger.

“Os navios estão a tornar-se invisíveis porque têm medo de, ao terem negócios com a Rússia, serem colocados numa lista negra”, acrescenta Andy Lipow.

“É um grande desconto. O incentivo económico está lá, se não estiverem preocupado com sanções”, segundo Michael Tran da RBC Capital Markets.

E quem é que está a comprar petróleo russo? Os analistas apontam para refinarias na China e na India, duas das maiores economias mundiais e grandes consumidoras de petróleo.

Outra possibilidade é que as empresas de trading de petróleo estão a comprar petróleo russo para o armazenar, incluindo em armazéns flutuantes: navios petroleiros.

Recomendadas

Julius Baer torna unidade de mercados independente

A Julius Baer Group, que em Espanha tem portugueses na equipa de gestão, está a criar uma divisão de mercados autónoma e para dirigir essa unidade escolheu Luigi Vignola.

CEO deixa empresa de 65 mil milhões para ir para a “praia e não fazer nada”

Formica, que está no Reino Unido há quase três décadas, disse em entrevista que a sua saída se deve a “motivos pessoais”, incluindo o desejo de estar mais perto dos pais já idosos. Planeia voltar para a Austrália, o seu país natal.

ANJE com concessionária Norscut e Egis escolhem quatro propostas para melhorar autoestrada A24

O valor do prémio em concurso era de 30 mil euros, sendo atribuídos dois prémios por categoria – o valor do 1.º prémio era de 10 mil euros e do 2.º prémio de 5 mil euros.
Comentários