ACIF: “Necessitamos de um novo modelo económico para a região”

Turismo deverá regressar aos registo de pré-pandemia, mas a economia madeirense não evitará o embate da atual crise.

Depois da pandemia de Covid-19, a economia madeirense enfrenta outra crise, enquadrada pelos aumentos de preços da energia e das matérias-primas e pela guerra provocada pela invasão russa da Ucrânia. Para o presidente da Associação Comercial e Industrial do Funchal (ACIF), Jorge Veiga França, a região necessita de um novo modelo de desenvolvimento, que lhe permita deixar de ser tão dependente do exterior.

Que expectativas tem para a evolução da economia da Região Autónoma da Madeira (RAM) no pós-pandemia?
Após estes dois últimos anos, em que a atividade económica foi bastante afetada pela crise pandémica, e uma vez que a situação sanitária estava mais controlada, havia a expetativa de uma recuperação económica, no segundo semestre, conforme vaticinou a Comissão Europeia, mas que, repentinamente, foi abalada, primeiro pela subida quase generalizada dos preços das matérias-primas, do gás, do combustível e da eletricidade, depois pela falta de mão de obra e, por fim, pela guerra que está a ser travada na Ucrânia, e que trará consequências nefastas para a economia numa escala global.

Obviamente que esta crise que está a atingir toda a Europa também terá os seus reflexos na Madeira, que está altamente dependente dos transportes e da importação das matérias-primas.

As boas notícias poderão surgir do lado do sector do turismo, pois a Região tem vindo a registar níveis de ocupação bastante satisfatórios, perspetivando-se que, este ano, se atinja ou supere os resultados de 2019, um cenário que é confirmado pelos operadores turísticos e que ganha cada vez mais relevo com a entrada de novas companhias aéreas a operar na RAM.

Quais são os principais obstáculos ao desenvolvimento que identifica?
Os obstáculos estão relacionados com todos os constrangimentos que foram identificados anteriormente e que resultam, em primeiro lugar, da retoma da economia pós-pandemia, que fez aumentar o preço das matérias-primas, devido ao desajuste entre a procura e a oferta, inclusive dos combustíveis, do gás, da eletricidade e dos cereais e, em segundo lugar, da invasão da Rússia à Ucrânia, que está a causar uma inflação acentuada e generalizada e a travar a recuperação que seria desejável para este ano.

Obviamente que há empresas que estão a ser mais afetadas do que outras, pois tudo depende do grau de dependência de determinadas matérias primas que se encontram inflacionadas e que estão a condicionar o valor final dos produtos, e, inclusive, nalguns casos, a determinar a paralisação das empresas.

Em que sectores o investimento privado é mais necessário na RAM?
A sustentabilidade e a transição digital eram temas que vinham conquistando alguma importância no contexto empresarial, no entanto, após a pandemia, ganharam uma outra dimensão. Não há dúvida que estamos perante um novo paradigma e que necessitamos de um novo modelo económico para a nossa Região, que não nos torne tão dependentes e tão vulneráveis.

A visão que a ACIF-CCIM tem para a Madeira é a de uma Região inteligente, sustentável e inclusiva, com capacidade de desenvolver e atrair talento, com uma forte aposta no sector das novas tecnologias, da transição digital, da cibersegurança, bem como na área da descarbonização energética.

 

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