Negociações do acordo nuclear com o Irão retomadas a 27 de dezembro

As partes presentes disseram que as reuniões recomeçam na próxima segunda-feira, mas o tom geral é que não há ainda qualquer evidência de que tudo não acabe num enorme fracasso.

As negociações para o regresso do acordo nuclear assinado em 2015 entre o Irão e as potências mundiais (conhecido como JCPOA), serão retomadas na próxima segunda-feira na capital austríaca, Viena.

O anúncio foi feito esta quinta-feira, no meio de advertências de que o acordo histórico se tornaria obsoleto dentro de semanas se o Irão continuar a intensificar as suas atividades nucleares como faz desde 2019, um ano após os Estados Unidos se retirarem unilateralmente e imporem novas sanções contra o Irão.

“As negociações de Viena serão retomadas na segunda-feira, 27 de dezembro. A Comissão Conjunta da JCPOA reunirá para discutir e definir o caminho a seguir”, escreveu o diplomata da União Europeia destacado para a capital austríaca, Enrique Mora, no Twitter. “É importante acelerar o ritmo nas principais questões pendentes e seguir em frente, trabalhando em estreita colaboração com os Estados Unidos”, que não se encontram diretamente presentes por imposição do Irão.

As negociações foram reiniciadas em novembro, após um hiato de cinco meses em que o Irão passou a ter um novo presidente. A sétima ronda foi concluída na semana passada, sem grandes avanços a serem relatados.

Algumas fontes indicam que os participantes – Irão, China, Rússia, França, Alemanha e Reino Unido – estavam perto de chegar a um novo projeto conjunto, incorporando elementos de um texto alcançado por o fim da sexta ronda (em junho) e as novas propostas, da administração do presidente iraniano Ebrahim Raisi, apresentadas no início deste mês.

Mas a questão que impede qualquer avanço mantém-se: o Irão impõe como linha vermelha a retirada de todas as sanções por parte dos Estados Unidos – o que a administração de Joe Biden até agora não aceitou.

Mikhail Ulyanov, o principal enviado da Rússia às negociações, disse esta quinta-feira, citado por vários jornais, que a retoma das negociações indica um consenso para restaurar o acordo o mais rapidamente possível.

O negociador dos Estados Unidos, Rob Malley, que se limita a acompanhar o processo, alertou esta semana sobre um “período de crise crescente” se a diplomacia falhar em restaurar o acordo.

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