Negociações entre Moscovo e Kiev “estão a derrapar”, alerta Lavrov

As negociações entre a Rússia e a Ucrânia para encontrar uma solução para a guerra “estão a derrapar”, não tendo até agora produzido qualquer progresso visível, declarou hoje o chefe da diplomacia russa, Serguei Lavrov.

POOL/Reuters

As negociações entre a Rússia e a Ucrânia para encontrar uma solução para a guerra “estão a derrapar”, não tendo até agora produzido qualquer progresso visível, declarou hoje o chefe da diplomacia russa, Serguei Lavrov.

“Elas estão a derrapar, pois uma proposta que apresentámos aos negociadores ucranianos há cinco dias, e que foi elaborada tendo em conta os comentários deles, continua sem resposta”, declarou Lavrov numa conferência de imprensa em Moscovo com o seu homólogo cazaque, Mukhtar Tleuberdi.

A equipa negocial ucraniana disse nunca ter recebido qualquer proposta russa e acusa Moscovo de mais uma manobra de desinformação para manipular a opinião pública.

Na mesma ocasião, o MNE russo disse igualmente ter dúvidas quanto à vontade dos dirigentes ucranianos de prosseguir as negociações.

“É muito estranho para mim ouvir todos os dias declarações (…), inclusive do Presidente [ucraniano] e dos seus conselheiros, que dão a impressão de que não precisam destas negociações para nada”, observou Lavrov, sem especificar exatamente a que declarações se referia.

O chefe da delegação negocial russa, Vladimir Medinski, indicou também que hoje decorreu uma nova sessão de conversações.

Na semana passada, Kiev assegurou que as negociações com Moscovo estavam a ser “extremamente difíceis”.

Entretanto, no terreno, os combates prosseguem, em particular no leste da Ucrânia e na grande cidade portuária de Mariupol, no sudeste do país, desde o início de março cercada pelo exército russo e onde as forças ucranianas controlam ainda o enorme complexo industrial siderúrgico de Azovstal, onde se encontram refugiados milhares de civis.

A Rússia lançou na madrugada de 24 de fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia que causou já a fuga de mais de 12 milhões de pessoas, mais de 5 milhões das quais para fora do país, de acordo com os mais recentes dados da ONU, que a classificou como a pior crise de refugiados na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Segundo as Nações Unidas, cerca de 13 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária na Ucrânia.

A invasão russa – justificada pelo Presidente russo, Vladimir Putin, com a necessidade de “desnazificar” e desmilitarizar a Ucrânia para segurança da Rússia – foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e a imposição à Rússia de sanções que atingem praticamente todos os setores, da banca ao desporto.

A guerra na Ucrânia, que entrou hoje no 58.º dia, já matou mais de 2.000 civis, segundo dados da ONU, que alerta para a probabilidade de o número real ser muito mais elevado.

Recomendadas

Severodonetsk “totalmente ocupada” pela Rússia, segundo autarca

A cidade de Severodonetsk, no leste da Ucrânia, está “totalmente ocupada” pelas forças russas após semanas de combates intensos, segundo informações do presidente da câmara, Oleksandr Stryuk.

Condenação do estatuto de candidato à UE revela fraqueza do Kremlin

O ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano afirmou este sábado que a condenação do Kremlin de uma “garra geopolítica” dirigida à Rússia, na sequência da atribuição à Ucrânia e à Moldova de estatuto de candidato à UE “mostra a sua fraqueza”.

Ucrânia. Exército acusa Bielorrússia de bombardear a região fronteiriça de Chernigiv

A Bielorrússia, aliado diplomático de Moscovo, bombardeou a região fronteiriça de Chernigiv, na Ucrânia, a nordeste de Kiev, disse este sábado o Exército ucraniano, acrescentando que o ataque não causou vítimas e afetou uma infraestrutura.
Comentários