Negociador ucraniano prevê retomar conversações com a Rússia em agosto

Numa entrevista à emissora “Voice of America”, que foi difundida hoje pelos órgãos de comunicação ucranianos, o chefe da delegação ucraniana nas negociações de paz com a Rússia, David Arajamia, disse que Kyiv não planeia retomar as conversações por enquanto, mas apenas no final do verão.

Yehor Milohrodskyi/Unsplash

O chefe da delegação ucraniana nas negociações de paz com a Rússia, David Arajamia, apontou a possibilidade de retomar as conversações no final de agosto, assim que Kyiv conseguir reforçar a sua posição com uma série de contraofensivas.

Numa entrevista à emissora “Voice of America”, que foi difundida hoje pelos órgãos de comunicação ucranianos, o chefe dos negociadores disse que Kyiv não planeia retomar as conversações por enquanto, mas apenas no final do verão.

Questionado sobre o que vai mudar entre hoje e agosto, Arajamia recusou-se a dar detalhes, mas disse acreditar que haverá “operações de contraofensiva em alguns locais”.

Para retomar as negociações, paralisadas desde o final de março, o negociador colocou a condição de as forças ucranianas conseguirem reforçar significativamente o seu controlo sobre o território ou que as tropas russas se retirem “voluntariamente” para as suas posições antes de 24 de fevereiro, dia em que a invasão começou.

Uma vez cumprida essa exigência, seria possível a Ucrânia sentar-se à mesa das negociações e lidar “através de canais diplomáticos e políticos” com questões como o regresso dos territórios separatistas no Donbass e na península da Crimeia.

“Estaríamos dispostos a considerar um acordo político, como o que propusemos em Istambul”, acrescentou Arajamia, referindo-se à última ronda de conversações presenciais entre Kyiv e Moscovo, que teve lugar em 29 de março.

Após estas reuniões, a Rússia acusou os negociadores ucranianos de terem interrompido o diálogo.

Atualmente, o Governo ucraniano está relutante em voltar à mesa das negociações porque considera que Moscovo não é de confiança e que, com um cessar-fogo neste momento, a Rússia teria o controlo definitivo sobre os territórios ocupados durante a invasão.

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