Nem tudo o vento levou…

Sem grandes euforias – é certo – mas o mercado imobiliário de industrial e logística em 2014 deu os primeiros sinais positivos para uma recuperação gradual, com destaque para a evolução favorável das exportações de bens e serviços que beneficiou a performance do setor. A tendência tem sido claramente marcada pelo dinamismo da atividade exportadora, […]

Sem grandes euforias – é certo – mas o mercado imobiliário de industrial e logística em 2014 deu os primeiros sinais positivos para uma recuperação gradual, com destaque para a evolução favorável das exportações de bens e serviços que beneficiou a performance do setor.
A tendência tem sido claramente marcada pelo dinamismo da atividade exportadora, no seguimento da política que tem vindo a ser posta em prática pelas empresas em função das medidas de austeridade com impacto na procura interna. Os mercados de língua portuguesa foram e continuarão a ser o alvo mais natural com os portos nacionais a seguirem o seu ciclo de crescimento, sendo de destacar os recordes sucessivos em termos de volume de mercadoria movimentada ao longo destes últimos anos. De braço dado com as empresas exportadoras, os portos nacionais têm contribuído positivamente para a recuperação da economia portuguesa.
A denominada “terceira maior economia do mundo”, mais conhecida por “e-commerce”, também motivou a procura e contratação de novos espaços, ainda que exista um potencial por explorar nesta segmento que ainda não resultou em ocupações de grande relevância e dimensão. Num mercado onde o Business-to-Business tem sofrido com a crise económica, o Business-to-Consumer apresenta um potencial de crescimento bastante significativo e é unanimemente considerada como a grande oportunidade de negócio. Responder de forma eficaz aos seus desafios e a todo um novo esquema da cadeia de abastecimento trará também dinamismo ao setor imobiliário.
Outro drive continuará a passar pelo mercado local e pelo potencial de externalização de serviços logísticos. Ainda existe um número considerável de empresas que não revelaram a abertura suficiente para potenciar o seu core-business através da contratualização da operação logística por parte de um player especializado. Ser mais competitivo e racional continua na ordem do dia, pelo que a externalização destes serviços será uma inevitabilidade com resultados expectáveis na absorção de novos espaços.
Por fim e no seguimento da melhoria do clima económico, importa destacar a vontade de alguns promotores revitalizarem os seus projetos logísticos que estavam em stand by, procurando reposicioná-los e relançá-los nesta fase do ciclo de retoma económica. Projetos como a Plataforma Logística do Porto de Leixões já contam com existência de alguns operadores (a Luís Simões irá ocupar cerca de 20.000 m2) e têm sido objeto do interesse de vários operadores que procuram aí instalar a sua atividade.
A correção de desequilíbrios acumulados é um processo difícil e deverá continuar, mas não irá inverter a tendência positiva. O caminho está traçado e o dinamismo está para breve!

Leonardo Peres

Consultor Sénior do departamento de Agência de Industrial e Logística da CBRE

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