“Nenhum sítio é deserto. Álvaro Siza: Piscina de Marés”, uma exposição inspiracional

A Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto recorda um projeto de referência internacional, que também pretende ser um registo inspiracional para todos aqueles que se interessam por arquitetura. Inaugura a 18 de maio.

Piscina de Marés, Leça da Palmeira

Álvaro Siza Vieira tem assinatura dupla na marginal de Leça da Palmeira, em Matosinhos: a Casa de Chá da Boa Nova (1963) e a Piscina das Marés (aberta em 1966). Esta obra icónica, e verdadeiro convite à contemplação da paisagem marítima, é agora objeto de uma exposição, no âmbito do programa que celebra os 40 anos da FAUP (1979-2019).

“NENHUM SÍTIO É DESERTO. Álvaro Siza: Piscina de Marés (1960-2021)”, tem curadoria de Teresa Cunha Ferreira e Luís Urbano e “ilustra as múltiplas vidas de uma das mais emblemáticas obras da arquitetura do século XX”, como realça o comunicado da Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto (FAUP).

A inauguração tem lugar quarta-feira, 18 de maio, na FAUP, e conta com a presença do autor, que viu esta sua obra emblemática ser classificada como Monumento Nacional em 2011 e incluída no “Conjunto de Obras Arquitectónicas de Álvaro Siza” inscritas na Lista Indicativa do Património Mundial (2017).

Considerada uma referência internacional da arquitetura moderna, tem a particularidade de continuar a ser fruída pelas comunidades locais. Foi alvo de  obras de conservação e restauro durante dois anos, sempre acompanhadas de perto pelo autor e prémio Pritzker em 1992, tendo reaberto ao público em junho de 2021.

O projeto inicial data de 1961 e previa a construção de um bar no limite sul da piscina, que acabou por não ser realizado. Aliás, como refere o comunicado, embora possa não parecer, o complexo Piscina de Marés de Leça da Palmeira, “desenhado e construído entre 1960 e 2021, não foi concebido como um projeto único, mas sim resultado de consecutivas encomendas e revisões que foram ditando o crescimento paulatino do conjunto balnear, desde a edificação de um tanque de marés até à sua recente renovação e extensão para norte”.

Da mesma forma que o título da exposição, “NENHUM SÍTIO É DESERTO”, não é fruto do acaso, mas sim do célebre aforismo que o autor elaborou a propósito das múltiplas referências – naturais, construídas, topográficas, imateriais – que o arquiteto encontra no lugar e que são incorporadas no processo criativo.

A exposição centrada nesta emblemática piscina de água salgada, construída em linguagem modernista, reúne maquetas, elementos desenhados, fotográficos, audiovisuais e objetos – muitos deles inéditos –, com vista a reconstituir uma narrativa crítica do processo de projeto, construção e reabilitação do edifício ao longo das últimas seis décadas.

 

 

Composta por três secções, a exposição apresenta no primeiro núcleo uma leitura temporal do processo de projeto e construção (1960-1995) daquela que era “a ‘piscina natural’ ou a ‘poça’, onde Siza ia a banhos na infância”. A segunda secção foca-se na recente intervenção (2018-2021) de restauro e conservação, enquanto que a terceira reúne imagens, captadas entre 1979 e 2022, por um vasto leque de fotógrafos, como Mimmo Jodice, Luís Ferreira Alves, Fernando Guerra, Brigitte Fleck, Giovanni Chiaramonte, João Morgado, Niccolò Galeazzi, Marta Ferreira, Inês d’Orey e Roberto Collovà.

A exposição estará patente ao público na FAUP de 18 de maio a 1 de julho, de 2.ª a 6.ª feira, 9h00-20h00 (encerra aos feriados). A entrada é livre.

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