Netanyahu encontra-se com o rei da Jordânia em viagem não anunciada a Amã

Aparentemente, o primeiro-ministro de Israel tenta controlar os estragos causados pela visita do seu ministro Bem-Gvir ao Monte do Templo. Entretanto, a reforma da independência do sistema judicial continua a ser mal recebida internamente.

O primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu encontrou-se inesperadamente com o rei da Jordânia Abdullah II. Segundo o gabinete do primeiro-ministro, os dois líderes discutiram “cooperação estratégica, de segurança e económica” durante o encontro, o primeiro entre os líderes em mais de quatro anos.

Do outro lado, e segundo a imprensa israelita, a Jordânia disse em comunicado que Abdullah “enfatizou a necessidade de respeitar o estatuto histórico e legal” do Monte do Templo e da Mesquita de Al Aqsa”, numa alusão direta à recente visita ao local do ministro da Segurança israelita, o extremista Itamar Ben-Gvir – que mereceu a desaprovação de uma larga maioria da comunidade internacional.

A Jordânia recordou também, segundo as mesmas fontes, a necessidade de a região caminhar para a solução de dois Estados com Jerusalém Oriental como capital.

Durante a última passagem de Netanyahu no lugar de primeiro-ministro, entre 2009 e 2021, os laços entre Telavive e Amã deterioraram-se acentuadamente, com Abdullah a afirmar em 2019 que as relações tinham atingido “o nível mais baixo” após uma série de incidentes que levaram a Jordânia a retirar o seu embaixador em Israel.

Abdullah encontrou-se com Netanyahu pela última vez em 2018, noutra viagem que foi mantida em segredo até depois ter acontecido. O antecessor de Netanyahu, Yair Lapid, encontrou-se com Abdullah na Jordânia e nas Nações Unidas e o ex-primeiro-ministro Naftali Bennett (que deveria ter alternado no lugar com Lapid) também se encontrou com o rei da Jordânia em Amã.

Para os analistas, a viagem de Netanyahu, que também não foi previamente anunciada, pode querer dizer que o primeiro-ministro israelita sabe que a presença de Bem-Gvir no Monte do Templo foi uma demostração de força contraproducente, que o bom-senso devia ter evitado. O encontro entre os dois parece ser, assim, uma forma de repor um mínimo de entendimento entre as duas capitais – no sentido de a diplomacia comum não voltar ao ‘grau zero’ de 2019.

É o Departamento de Assuntos da Mesquita Waqf e Al-Aqsa de Jerusalém, também conhecido como Waqf de Jerusalém ou Waqf jordano, é a organização designada pela Jordânia que é responsável por controlar e administrar os atuais edifícios islâmicos no Monte do Templo na Cidade Velha de Jerusalém. O Waqf é dirigido por um conselho composto por 18 membros e chefiado por um diretor, todos indicados pela Jordânia. Um acordo assinado em 2013 entre o Estado da Palestina (representado por Mahmoud Abbas) e Abdullah II reconheceu o papel da Jordânia na gestão dos locais sagrados de Jerusalém – acordo esse que substituiu um o anterior entendimento verbal.

Entretanto, internamente, o governo de Netanyahu está a conhecer esperadas dificuldades em convencer o país da pertinência da reforma que pretende diminuir o grau de independência do poder judicial face ao poder político.

“A reforma não será implementada porque metade do país – muito mais da metade, as sondagens mostram que até 30% dos membros do Likud [o partido de Netanyahu] – não querem essa reformas e, portanto, não vai acontecer”, disse o deputado Ram Ben Barak, membro do Yesh Atid, o partido que agora lidera a oposição, em declarações a uma estação de rádio.

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