Nigéria: Ataques à comissão eleitoral podem implicar o adiamento das eleições

A 25 de fevereiro, o país elege duas câmara e o novo presidente – para além de alguns governadores estaduais. Mas, segundo a própria Comissão Eleitoral, a violência pode implicar o adiamento do escrutínio popular.

Os escritórios da Comissão Eleitoral Nacional Independente (INEC) no Estado de Enugu, no sudeste da Nigéria, foram acatados, tal como aconteceu em dezembro no Estado de Imo, o  que veio reforçar as dúvidas da comunidade internacional sobre as eleições gerais que, se tudo correr como o previsto, terão lugar no próximo mês de fevereiro.

Os ataques vêm somar-se às tentações secessionistas de uma parte do país e à violência que grassa em algumas regiões, fomentada por grupos ligados ao antigo Estado Islâmico.

“Se a insegurança não for contida e combatida de forma decisiva, pode culminar no cancelamento e/ou adiamento das eleições em círculos eleitorais suficientes para impedir a declaração dos resultados das eleições”, disse Abdullahi Abdu Zuru, presidente da Comissão do Instituto Eleitoral do INEC, citado pelas agências internacionais.

Esses incidentes são os mais recentes do padrão de violência de longa data que ocorre sempre que há eleições na Nigéria, mas os analistas dizem que esta é uma nova realidade ainda mais grave. “Historicamente, à medida que nos aproximamos do ciclo eleitoral, há sempre um aumento da violência no país”, disse àOluwole Ojewale, analista do Instituto de Estudos de Segurança da África em Dakar, citado pela Al Jazeera. “O que mudou é que agora temos ataques intensificados à infraestrutura do INEC. Nunca vimos antes esta dimensão”.

No mês passado, o INEC disse ter registado 50 ataques em 15 dos 36 estados do país e na capital, desde 2019 – numa estimativa que pode ser conservadora. Os analistas afirmam que os ataques são uma forma de impedir as eleições por todos os meios e impulsionar a agenda separatista, liderada pela direita nacionalista.

O país, um dos maiores produtores de gás natural de África e fornecedor tradicional de Portugal, tem a insegurança no topo da lista das preocupações dos cerca de 93,4 milhões de eleitores – num quadro em que os ataques mais recentes permitem concluir que há um aumento significativo da capacidade dos grupos armados.

Em princípio, a 25 de Fevereiro a Nigéria vai a votos para eleger o seu 16 º, o vice-presidente, os deputados do Senado (109 lugares), da Câmara Baixa (360) e ainda bem 30 dos 36 governadores dos Estados.

A vida política nigeriana ´´e dominada pelo All Progressive Congress (APC), no poder,  e pelo Peoples Democratic Party (PDP), na oposição -que em conjunto transformaram o regime político num bipartidarismo que parece difícil de quebrar.

Quando às presidenciais, é possível que pelo menos 18 candidatos venham a apresentar-se à votação, mas o atual presidente, Muhammadu Buhari, será substituído, provavelmente, por uma das três figuras principais. São eles Bola Ahmed Tinubu, ex-governador do Estado de Lagos, que foi bem sucedido nas primárias do APC (derrotou o ainda vice-presidente Yemi Osinbajo); o veterano político e antigo vice-presidente Atiku Abubakar (do PDP) e Peter Obi, candidato do Partido Trabalhista.

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