“Nova atitude da TAP perante os gastos terá de abranger também os pilotos”, desafia SPAC (com áudio)

Sindicato dos Pilotos diz que “enquanto uns têm cortes brutais no seus vencimentos” e ainda há “processos de despedimento em curso”, renova-se o parque automóvel dos cargos de direção “com 79 viaturas”.

“À mulher de César não lhe basta ser séria, tem que parecer séria”. É com esta frase que o Sindicato dos Pilotos de Aviação Civil (SPAC) concluiu um comunicado em que critica a gestão da TAP – entregue atualmente à francesa Christine Ourmiere-Widener – por ter renovada a frota automóvel da administração com mais de 50 viaturas BMW, uma marca topo de gama.

“No dia de ontem ficámos a saber que o estado financeiro da TAP está tão saudável que permite a renovação da frota automóvel da administração, num total de 79 viaturas ascendendo a um valor próximo dos quatro milhões de euros”, refere o SPAC com ironia. “Gostaríamos de congratular a administração da TAP pela gestão que permitiu esta rápida mudança de paradigma”, sublinha no mesmo tom.

De seguida, o SPAC alude ao momento sensível da companhia – atualmente sob um plano de reestruturação imposto por Bruxelas pelo facto de ter recebido ajudas do Estado, ou seja dos contribuintes, que podem ascender a 3,7 mil milhões de euros. Esse plano tem como contrapartidas reduções salariais transversais aos vários trabalhadores, reduções de frota e de slots e obrigatoriedade de a TAP vender algumas das suas subsidiadas.

“Seguindo o racional da justificação por parte de quem optou por adquirir viaturas nesta altura tão sensível, que tem como fundamento uma miraculosa poupança, sugerimos a mesma lógica de ‘gastar mais, para poupar’ para a reposição de dignidade aos trabalhadores”, sublinha o sindicato, um dos mais ativos nas negociações com a administração da TAP.

Assim, acusa o SPAC, “enquanto uns têm cortes brutais no seus vencimentos, quando ainda há processos de despedimento em curso e quando se condiciona a qualidade de vida a outros, em simultâneo, renova-se o parque automóvel dos cargos de direção”.

O SPAC salienta, portanto, que “esta nova atitude perante os gastos terá de abranger os pilotos na reposição das condições laborais”.

“Se tal não acontecer, ficaremos realmente surpreendidos e seremos obrigados a acreditar na hipótese de que a administração da TAP ou não quer aplicar o excedente financeiro na justa reposição das condições laborais dos trabalhadores, ou não existe excedente financeiro”. Esta última hipótese, conclui o sindicato, significaria que “a renovação da frota foi paga com os cortes nos salários dos trabalhadores”.

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