Nova estratégia francesa em África será finalizada em seis meses, avança Macron

O Presidente francês, Emmanuel Macron, anunciou hoje que a nova estratégia francesa em África será finalizada no prazo de seis meses, após consultas com os seus parceiros, confirmando o fim da operação antiterrorista Barkhane.

“Vamos lançar nos próximos dias uma fase de intercâmbios com os nossos parceiros africanos, os nossos aliados e organizações regionais para desenvolver em conjunto o estatuto, formato e missões das atuais bases militares francesas no Sahel e na África Ocidental”, disse Macron.

Ao apresentar a nova estratégia de defesa francesa, em Toulon (sul de França), Emmanuel Macron anunciou que a mesma “será finalizada no prazo de seis meses”.

“Esta estratégia será finalizada no prazo de seis meses (…). É essencial e é uma das consequências que retiramos do que temos experimentado nos últimos anos, em toda a região do Sahel”, explicou.

O exército francês deixou o Mali em agosto, após nove anos no país, empurrado pela junta no poder, que está agora a trabalhar – embora o negue – com o grupo paramilitar russo Wagner.

Contudo, permanece na região e continua a lutar contra os grupos fundamentalistas islâmicos ligados à Al-Qaida ou ao grupo do Estado Islâmico, que estão gradualmente a alargar as suas atividades aos países do Golfo da Guiné.

O anúncio do fim da Barkhane não tem impacto imediato na presença militar francesa no Sahel, que compreende cerca de 3.000 soldados no Níger, Chade e Burkina Faso, depois de ter contado até 5.500 homens no auge do seu destacamento.

Macron disse que o Governo francês tinha de ser mais flexível no seu destacamento e que as intervenções do país “devem ser mais limitadas no tempo (…)”.

“A nossa vocação não é permanecermos empenhados em operações externas durante um período de tempo ilimitado”, justificou o chefe de Estado.

“O nosso apoio militar aos países africanos da região vai continuar, mas de acordo com os novos princípios que definimos com eles”, disse, acrescentando: “Será recusado, ao nível de cada país, de acordo com as necessidades que serão expressas pelos parceiros”.

Paris tem de lidar com uma opinião pública africana cada vez mais hostil, na qual a influência de poderes rivais, liderados por Moscovo, está a crescer através de redes sociais e meios de comunicação oficiais.

“Os nossos soldados permanecem cobertos, protegidos, apoiados e administrados em condições satisfatórias”, mas o anúncio oficial é “necessário localmente”, explicou hoje o Eliseu.

“No campo das perceções, Barkhane continua a ocupar uma presença muito importante nas redes sociais. É necessário pôr um fim claro a isto a fim de mudar para outra lógica”, adiantou a Presidência francesa.

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