Nova Iorque renova máximos Europa… não

A divergência entre o comportamento das bolsas dos dois lados do Atlântico voltou a ficar clara. Nos emergentes, destaque para o brasileiro Bovespa.

A rentabilidade das bolsas norte-americanas continua a ter pouco a ver com as das praças europeias. O Dow Jones e o S&P 500 estão a subir cerca de 10% em 2018 e o Nasdaq regista quase 20% de ganhos. Na Europa, quase todas as bolsas registam perdas em 2018, com o CAC francês a constituir-se como honrosa exceção, subindo 3,5%. O DAX alemão está 10% abaixo dos máximos históricos.

Nas últimas semanas, Nova Iorque até se comportou de forma volátil devido aos avanços e recuos no que toca à guerra comercial com a China, mas os dados económicos positivos e o acordo comercial atingido entre os EUA, Canadá e México acabaram por impor a sua lógica, puxando pelas ações.

Foram várias as histórias em destaque esta semana nos EUA, numa altura em que está a começar a época de divulgação de resultados trimestrais. A Tesla esteve em especial evidência devido ao afastamento de Elon Musk da presidência do Conselho de Administração e as ações chegaram a cair 15% num só dia, recuperando a seguir ao perceber-se que Musk continuaria como CEO. O Facebook também não tem tido dias fáceis, depois de ter admitido que foi alvo de um ataque informático que terá permitido o acesso a 50 milhões de contas. Além de arriscar uma multa pesadíssima – que não se deverá materializar – a confiança fica fragilizada. Tudo isto tem impactado a rentabilidade da empresa, que está a cotar já 25% abaixo dos máximos históricos registados em julho. A cotação da General Electric subiu mais de 15%, após a substituição inesperada do seu CEO.

Na Europa, as atenções centraram-se em Itália. Inicialmente, o governo afirmou que não iria ceder às exigências de Bruxelas, mantendo a meta para o défice e ameaçando processar a UE pela subida dos custos do serviço da dívida do país.

Talvez pressionado pelo mercado e seguramente por Bruxelas, Luigi di Maio, que tinha afirmado que não voltaria atrás nem um milímetro, acabou por fazê-lo. Manteve a meta para 2019, mas cortou para os dois anos seguintes, para 2,2% e 2%, respetivamente. O facto de a dívida italiana ter sido vendida e de alguns políticos dizerem que o país estaria melhor com uma moeda própria levaram a que o mercado recordasse a crise da dívida da zona euro, o que penalizou sobretudo as ações dos bancos. Em Portugal, o PSI 20 foi penalizado precisamente pelas ações do BCP, mas também da Jerónimo Martins e grupo Sonae.

Vale a pena ainda referir a recuperação da bolsa se São Paulo e do real brasileiro, nas vésperas da primeira volta das presidências que se realizam já no domingo. As sondagens estão a mostrar o crescimento das intenções de voto em Jair Bolsonaro, que é visto como tendo uma agenda mais liberal para a economia. Até agora, o mercado teve o seu pico de pessimismo aquando a possibilidade de Ciro Gomes vencer as eleições. O Bovespa recuperou 15% em apenas três semanas.

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