Nova resolução da AIEA censura Irão por falta de cooperação

O Irão continua a exigir que uma investigação sobre partículas nucleares encontradas nas suas instalações nucleares seja abandonada.

O diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), Rafael Grossi, disse que o conselho de governadores do órgão regulador nuclear, aprovou uma nova resolução que, apesar das objeções de Teerão, condena o Irão penas suas práticas.

Apresentada pelos Estados Unidos e pela chamada E3 – França, Alemanha e Reino Unido – a resolução exige, aprovada esta quinta-feira, que o Irão coopere com a investigação da AIEA sobre vestígios de urânio encontrados em vários locais não declarados.

A agência vem pedindo repetidamente ao Irão que dê explicações completas sobre vestígios de partículas nucleares artificiais encontradas em várias localizações no país em 2018 e que restabeleça totalmente as capacidades de monitorização da agência no seu território.

Esta é a segunda resolução contra Teerão em poucos meses, depois de uma outra ter sido aprovada em junho, com a oposição da China e da Rússia.

Recorde-se que o Irão retirou unilateralmente várias câmaras da agência colocadas em instalações nucleares do país após a resolução de junho, depois de ter feito o mesmo em 2018, quando os Estados Unidos na altura liderados por Donald Trump saíram do perímetro do Acordo Nuclear de 2015, conhecido formalmente como Plano de Ação Abrangente Conjunto (JCPOA).

O Irão sustenta que o caso da investigação da AIEA sobre as partículas nucleares tem de ser encerrado antes que qualquer acordo sobre a restauração do JCPOA possa ser finalizado. Na prática, as negociações do acordo – que estão suspensas e tinham lugar em Viena, capital da Áustria – ficam assim bloqueadas sine die, não se vislumbrando qualquer hipótese de vir a ser novamente assinado. A verdade é que o Irão vai acrescentando linhas vermelhas sempre que a contraparte aceita qualquer linha vermelha anterior, o que, na prática, inviabiliza constantemente a sua conclusão.

Entretanto, um comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão já condenou a resolução, relacionando-a com os contínuos protestos que grassam no país desde há várias semanas. Sem os mencionar diretamente, o comunicado deixa a ideia de que a resolução faz parte de um movimento mais amplo de tentativa do Ocidente em intrometer-se em assuntos internos do Irão, tentando dar força aos manifestantes.

Com a resolução, diz o documento, Estados Unidos e União Europeia estão a tentar “aproveitar as condições recentes, estritamente com a motivação e o objetivo de exercer pressão política sobre o Irão”.

Rafael Grossi rejeitou as alegações iranianas de que a  agência foi politizada e disse que Teerão precisa de “começar a entregar alguma coisa” que possa convencer a contraparte de que está de boa fé nas negociações. O líder da área nuclear do Irão, Mohammad Eslami, também condenou a apresentação da resolução e sugeriu que ela pode afetar futuras negociações com a agência.

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