Novo Banco: Administração na Ásia vai ser mantida depois do regulador recusar alteração

A administração do Novo Banco quer manter na sua operação asiática os administradores José Morgado e Carlos Freire, uma decisão tomada depois do regulador em Macau ter recusado uma proposta de novos corpos sociais, disse à agência Lusa Vítor Fernandes. Fonte ligada ao processo contactada pela agência Lusa explicou que numa primeira fase a administração […]

A administração do Novo Banco quer manter na sua operação asiática os administradores José Morgado e Carlos Freire, uma decisão tomada depois do regulador em Macau ter recusado uma proposta de novos corpos sociais, disse à agência Lusa Vítor Fernandes.

Fonte ligada ao processo contactada pela agência Lusa explicou que numa primeira fase a administração do Novo Banco apresentou à Autoridade Monetária de Macau, o regulador bancário e segurador, os nomes de Paulo Franco, João Rato e William Mok para integrarem a Comissão Executiva, com José Morgado (atual presidente da Comissão Executiva), Paula Ferreira e Morais Sarmento, para o Conselho de Administração.

A fonte contactada pela Lusa refere uma “recusa” dos novos corpos gerentes por parte do regulador, mas Vítor Fernandes, administrador do Novo Banco, fala em conselho de “manutenção” dos atuais gestores.

Tal como aconteceu em Portugal, Vítor Fernandes reconhece que o Novo Banco Ásia, o antigo Banco Espirito Santo do Oriente, sofreu o impacto da intervenção pública que ditou o fim do antigo BES, nomeadamente com a “diminuição significativa” dos depósitos dos clientes.

Fontes do setor financeiro local explicaram que no início da crise, no verão de 2014, o atual Novo Banco Ásia tinha depósitos entre 3.500 e 4.000 milhões de patacas (entre 375 e 430 milhões de euros ao câmbio atual), valores agora substancialmente inferiores, mas que Vítor Fernandes se recusou revelar.

O administrador admitiu, contudo, que o rácio entre empréstimos e depósitos ronda agora os 300% quando as boas práticas internacionais indicam como limite de alarme os 120% e a banca de Macau encerrou 2014 com um rácio de 86%.

Apesar da disparidade dos números, Vítor Fernandes desvaloriza a situação por se tratar “de um pequeno banco, de nicho” de mercado.

“É verdade. Os depósitos tanto em Portugal como aqui em Macau caíram significativamente”, disse ao salientar, contudo, que a “boa notícia é que desde setembro de 2014 e até agora, os depósitos em Portugal já voltaram a subir em montantes relevantes”, embora não os possa revelar dado que o banco ainda não apresentou contas.

Vítor Fernandes manifestou-se convicto que, quer em Portugal, quer em Macau, 2015 será um “ano de progressivo crescimento” e lembrou que a “confiança se perde num minuto”, mas “leva tempo a conquistar”.

“O banco em Portugal está claramente mais forte em termos de recursos de clientes do que estava nos seus primeiros meses de vida, porque a confiança foi restabelecida, os clientes estão cada vez mais confiantes no Novo Banco e tudo isso é uma trajetória”, salientou ao manifestar confiança de que a situação em Macau seguirá o mesmo caminho, embora numa cadência “mais lenta”.

Apesar de aceitar que a situação em Macau não é idêntica àquela que se vivia antes da crise do BES, Vítor Fernandes vincou ainda que o mais “importante” foi o Novo Banco Ásia ter tido o apoio da casa-mãe em Portugal no “momento” em que foi necessário.

OJE/Lusa

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