Novo Banco: auditoria da Deloitte confirma recuperação do balanço de “forma transparente e competitiva”

“A análise evidencia a importância dos processos de alienação de ativos para a recuperação do balanço do Novo Banco. As melhorias operacionais alcançadas colocam o Novo Banco numa posição sólida que permite apoiar os seus clientes e a economia portuguesa neste momento crítico da nossa vida coletiva”, referiu a instituição financeira liderada por António Ramalho. 

António Ramalho, Novo Banco | Cristina Bernardo

O Novo Banco reagiu esta terça-feira ao relatório da auditoria da Deloitte aos actos de gestão do BES/Novo Banco que foi entregue esta madrugada, já depois da meia-noite, ao Ministério das Finanças.

A instituição financeira liderada por António Ramalho diz que já “tomou conhecimento do relatório” e vinca que “o documento final transmite a clareza e colaboração em que decorreu o processo de análise e confirma a forma transparente e competitiva com que o Novo Banco tem vindo a recuperar o seu balanço”.

O Novo Banco citou ainda o comunicado divulgado pelas Finanças, por volta da uma da manhã, no qual anunciaram já terem recebido a auditoria, e sublinhou que o relatório “evidencia que as perdas incorridas pelo Novo Banco decorreram fundamentalmente de exposições a ativos que tiveram origem no período de atividade do Banco Espírito Santo e que foram transferidos para o Novo Banco no âmbito da resolução”.

Noutra citação ao comunicado da tutela, o Novo Banco evoca que a Deloitte concluiu que existiram “insuficiências e deficiências graves de controlo interno no período de atividade até 2014 do Banco Espírito Santo”.

No que diz respeito ao controlo interno no Novo Banco, a instituição financeira frisou que a auditoria confirmou “os progressos realizados” pelo banco que nasceu após a resolução do BES.

O banco adiantou ainda que está “totalmente empenhado em continuar o caminho traçado que permitirá cumprir na integra as indicações referidas no relatório de auditoria”.

“A análise evidencia a importância dos processos de alienação de ativos para a recuperação do balanço do Novo Banco. As melhorias operacionais alcançadas colocam o Novo Banco numa posição sólida que permite apoiar os seus clientes e a economia portuguesa neste momento crítico da nossa vida coletiva”, referiu a instituição financeira liderada por António Ramalho.

O relatório da Deloitte percorre um período de 18 anos, desde 1 de janeiro de 2000 até 31 de dezembro de 2018, pelo que foram auditados actos de gestão do BES e do Novo Banco.

Sobre o período de análise ao Novo Banco, entre 4 de agosto de 2014 (um dia após a resolução do BES) e 31 de dezembro de 2018, a Deloitte concluiu que esta instituição de crédito incorreu em perdas líquidas de 4.042 milhões de euros em 283 operações.

Foram analisados três blocos de atos de gestão do Novo Banco praticados naquele período. Foram auditadas 201 operações de crédito que geraram perdas de 2.320 milhões de euros, 26 operações com subsidiárias e associadas, que causaram perdas de 488 milhões de euros e ainda 56 operações com outros ativos, que geraram perdas no valor de 1.234 milhões de euros.

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