Novo Banco. “Não vemos como adequada esta prática”, diz Centeno sobre bónus de dois milhões aos administradores

André Silva do PAN deixou fortes críticas ao pagamento feito este ano pelo Novo Banco aos seus oito administradores. “Esta decisão demonstra um total desprezo pelos contribuintes”, disse o deputado que considera o pagamento do bónus “imoral e inadmissível”.

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José Sena Goulão/Lusa

O governador do Banco de Portugal criticou hoje o pagamento de dois milhões de euros feito este ano pelo Novo Banco aos seus administradores.

“Em 2020, registou-se uma muito significativa injeção de capital no Novo Banco. Não vemos como adequada esta prática no Novo Banco em 2020”, disse Mário Centeno esta terça-feira no Parlamento.

Em maio, o Fundo de Resolução pagou 1.035 milhões de euros ao Novo Banco devido aos prejuízos registados em 2019, menos dois milhões face ao previsto, devido precisamente ao pagamento deste bónus, conforme avançou o Expresso na altura.

O responsável sublinhou que o Fundo de Resolução “teve uma posição contrária aos interesses do Novo Banco e fê-lo saber  logo que foi conhecida essa decisão do comité de remunerações do Novo Banco, fê-lo saber ao NB e fez refletir essa decisão no valor que foi feita a injeção de capital através do mecanismo de contingência de capital”.

Mário Centeno respondeu assim às críticas feitas pelo deputado do Pessoas-Animais-Natureza (PAN) que considerou o pagamento do bónus “imoral e inadmissível”.

“Cada um dos oito administradores do Novo Banco vai, em média, receber de forma diferida um bónus de 249 mil euros. Isto é, 393 vezes mais que um funcionário administrativo; 200 vezes mais que um quadro técnico e 72 vezes mais que um diretor de segunda linha. Em 2019, oito administradores receberam 57 vezes mais a média de prémios da empresa, o que é absolutamente imoral e inadmissível”, disse hoje André Silva na comissão de orçamento e finanças.

“Esta decisão demonstra um total desprezo pelos contribuintes que são quem tem assegurado a sobrevivência do Novo Banco, repare-se que este aumento ocorreu tendo por referência um ano em que o Novo Banco teve um prejuízo de mais de mil milhões de euros: premiou-se o prejuízo e a má gestão”, afirmou.

“O que torna tudo ainda mais chocante é o facto destes prémios representarem o dobro do valor dos bónus pagos pelo BCP, concorrente do Novo Banco que em 2019 teve um aumento do lucro de 0,3% para 302 milhões de euros”, segundo o deputado do PAN.

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