Novo Banco recapitalizado. Obrigacionistas perdem 1985 milhões

Decisão do Banco de Portugal foi responsabilizar o BES pelo pagamento aos obrigacionistas institucionais de dívida sénior

O Novo Banco precisava de 1400 milhões de euros imediatos para repôr rácios de capital mínimos impostos pelo Banco Central Europeu. A solução foi um “bail-in”, ou seja, uma solução interna sacrificando os obrigacionistas com dívida de maior qualidade, a dívida sénior.

A decisão do Banco de Portugal foi responsabilizar o BES pelo pagamento aos obrigacionistas institucionais de dívida sénior e contrariando uma tese que pretendia converter estes obrigacionistas em acionistas, caso vingasse a hipótese de converter títulos de dívida em capital. Recorde-se que esta é mais uma vitória do Bloco e de Catarina Martins que tinha defendido a opção de colocar os obrigacionistas de dívida sénior a pagar as necessidades de capital do NB. Cerca de 1985 milhões de euros é quanto o NB ganhará ao reverter para o BES a obrigação de pagamento das várias linhas destas obrigações. Refere a Autoridade Monetária que desta forma ficam salvaguardados obrigacionistas não institucionais e os depositantes acima dos 100 mil euros, entidades que de acordo com as regras que entram em vigor a 1 de janeiro próximo estão na linha de sucessão na salvação das instituições financeiras em dificuldades de cumprimento de rácios de capital.

Recorde-se ainda que o recente teste de stresse ao NB detetou necessidades de fundos da ordem dos 1400 milhões de euros, ficando uma “almofada” de quase 600 milhões de euros que dará para acomodar eventuais prejuízos da instituição durante o exercício de 2015. Para o BdP esta operação é a retoma da decisão de Resolução do BES de 2014 e vem completar a operação da altura. Esta decisão, ainda de acordo com fontes financeiras, acabou por ser uma imposição do BCE, que coordenou a implementação da medida com o Banco de Portugal.

Por Vítor Norinha/OJE

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