Novo Banco vendido à Lone Star

Lone Star com 75% do Novo Banco. Carlos Costa disse que “o setor bancário nacional está hoje melhor preparado para fornecer o financiamento necessário ao desenvolvimento da economia portuguesa”.

Cristina Bernardo

Na cerimónia de assinatura que formalizou a venda estiveram presentes o Governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, Luís Máximo dos Santos, Sérgio Monteiro, o responsável por ‘montar’ esta operação, e o presidente do Novo Banco, António Ramalho, entre outros administradores do banco que acaba de ser vendido à Lone Star.

Assinaram a venda Donald Quintin da Lone Star, Carlos Costa e Luís Máximo dos Santos, Governador e vice-Governador do Banco de Portugal, respetivamente.

O senior managing diretor da Lone Star Europe Acquisitions  Limited disse na sua declaração que “o Novo Banco é hoje uma instituição sólida e bem capitalizada, posicionada para apoiar os seus clientes e ajudá-los atingirem os seus objetivos”.

“É com muito gosto que vamos trabalhar com a gestão do banco e os seus colaboradores para desenvolver a rede bancária de acordo com as melhores práticas do mercado”, diz o responsável pela Lone Star.

Por sua vez Carlos Costa diz que “a conclusão desta operação é um marco muito importante para o sistema financeiro português por duas razões: Em primeiro lugar, porque encerra um complexo processo de negociações com o novo acionista, com as instituições europeias e com outras instituições nacionais, em estreita colaboração com o Governo. A conclusão da operação permite um reforço muito significativo do capital do Novo Banco e faz cessar o estatuto de banco de transição aplicável desde a sua criação. O Novo Banco passa a estar agora dotado dos meios necessários à execução de um plano de negócios que garante a manutenção do seu papel relevante no financiamento da economia nacional”.

“Em segundo lugar, porque com a conclusão desta operação cumprem-se integralmente as finalidades que presidiram à resolução do Banco Espírito Santo (BES)”, acrescentou o Governador. “Efetivamente, apesar da situação de irreparável desequilíbrio financeiro e de iminente interrupção da atividade em que o BES foi colocado em 2014: foi assegurada a continuidade da maior parte da sua atividade; foi garantida a proteção dos depositantes, que não sofreram qualquer perda; preservou-se a capacidade de financiamento às empresas e famílias; minimizou-se, tanto quanto foi permitido pela conciliação das diferentes finalidades, o encargo para o erário público e para o setor bancário”, acrescentou o Governador.
Carlos Costa salientou que “este resultado contribui também para a melhoria da perceção interna e externa do setor bancário nacional, na medida em que se trata de um desfecho bem-sucedido de um processo de venda: Aberto, transparente e concorrencial; de alcance internacional; que respeitou as exigências do Banco Central Europeu e da Comissão Europeia; e que possibilitou a entrada de novos investidores no sistema financeiro nacional, diversificando as suas fontes de financiamento”, disse ainda.

Este acordo prevê que os americanos do Lone Star injetem mil milhões de euros para ficarem com uma participação de 75% — 750 milhões no closing do negócio e mais 250 milhões até ao final do ano — e ainda avançar com uma “reestruturação aprofundada da instituição”. Os restantes 25% ficam nas mãos do Fundo de Resolução, o que apenas é possível porque a resolução acontece antes de terem sido implementadas as novas regras europeias sobre resoluções bancárias.

Byron Haynes que vai ser eleito presidente não executivo do Novo Banco também esteve presente na cerimónia.

(atualizada)

Recomendadas

Bancos sujeitos a coimas até 1,5 milhões se não aplicarem diploma do Governo para crédito à habitação

Está já em vigor, a partir deste sábado, o diploma que estabelece medidas destinadas a mitigar os efeitos do incremento dos indexantes de referência de contratos de crédito para aquisição ou construção de habitação própria permanente. Bancos têm 45 dias a partir de hoje para aplicar as medidas.

Complemento excecional a pensionistas: SNQTB remeteu nova carta ao Primeiro-Ministro

Depois do OE2023 ter sido aprovado o Sindicato Nacional dos Quadros e Técnicos Bancários diz que “o Partido Socialista mantém a injustiça em relação aos bancários reformados que foram indevidamente excluídos da atribuição do complemento excecional a pensionistas”.

Sete bancos lucraram dois mil milhões até setembro, mais 71% do que no período homólogo

Os lucros dos sete maiores bancos – Caixa Geral de Depósitos, BCP, Novobanco, Santander Totta, BPI, Crédito Agrícola e Banco Montepio somam 2.006,3 milhões de euros até setembro deste ano, o que compara com um valor de 1.172 milhões nos nove meses do ano passado. O que significa que os lucros dos sete bancos cresceram 71,2%.
Comentários