Novo presidente da AG da ONU vai apostar em reforma do Conselho de Segurança

O novo presidente da Assembleia-Geral da ONU, Csaba Korosi, afirmou esta segunda-feira que trabalhará ativamente para que uma reforma do Conselho de Segurança avance, afirmando que o órgão precisa de ser “maior, mais representativo e mais responsivo”.

O novo presidente da Assembleia-Geral da ONU, Csaba Korosi, afirmou esta segunda-feira que trabalhará ativamente para que uma reforma do Conselho de Segurança avance, afirmando que o órgão precisa de ser “maior, mais representativo e mais responsivo”.

Embora tenha frisado que este é um processo que cabe aos Estados-membros, o diplomata húngaro – que tomou esta segunda-feira posse como presidente da 77ª sessão da Assembleia-Geral, declarou que nomeará “co-facilitadores” que iniciem negociações em “propostas concretas”.

“Tenho acompanhado este processo de reforma por mais de 20 anos e ouvi todos os argumentos, todas as tentativas. Vocês devem saber que é um processo que cabe aos Estados-membros, mas irei definitivamente apontar novos co-facilitadores. Irei pedir-lhes que sejam mais orientados para o impacto, que comecem negociações em propostas concretas”, disse, numa conferência de imprensa na sede da ONU, em Nova Iorque.

“Isto já se tem prolongado demais. O mundo mudou desde 1945-1947. Está muito, mas muito diferente, e o mundo espera que esta organização seja capaz – e eficaz – na entrega das suas funções, incluindo nas questões de paz e segurança. Para isso, precisaremos de um maior, mais representativo e mais responsivo Conselho de Segurança. Farei o meu melhor para alcançar esse objetivo”, assegurou.

Uma reforma e a expansão do Conselho de Segurança, frequentemente considerado obsoleto, já vêm sendo pedidas há vários anos, sempre sem sucesso, por falta de consenso. Aos membros permanentes – Estados Unidos, França, Reino Unido, Rússia e China – pretendem juntar-se países emergentes como a Índia, África do Sul e Brasil.

Ao longo dos anos, o poder de veto tem sido uma das questões mais polémicas e alvo de vários pedidos de modificação. Esse tem sido, aliás, o mecanismo usado pela Rússia para impedir que o Conselho de Segurança atue contra si face à Guerra na Ucrânia.

Desde 1946, o veto foi usado quase 300 vezes, cerca de metade delas pela União Soviética ou pela Rússia, que herdou a sua cadeira.

Em geral, quase todos os países da ONU consideram necessário reformar o Conselho de Segurança, mas não há acordo sobre como fazê-lo, com diferentes propostas na mesa há anos.

A embaixadora dos Estados Unidos da América (EUA) nas Nações Unidas, Linda Thomas-Greenfield, admitiu no mês passado, em Cabo Verde, a disponibilidade do seu país para avançar nessa reforma, incluindo o alargamento a África – o único continente sem um país como membro permanente daquele órgão máximo da ONU.

Após a sua tomada de posse, Csaba Korosi afirmou ainda que a guerra na Ucrânia deve terminar e que um cessar-fogo deve ser alcançado o mais rápido possível.

O diplomata húngaro prestou juramento sobre a Carta das Nações Unidas na presença do secretário-geral da ONU, António Guterres, e do anterior presidente da Assembleia Geral, Abdullah Shadid.

O evento encerrou oficialmente a 76.ª sessão da ONU, na qual o diplomata das Maldivas entregou a presidência a Csaba Korosi, que liderará a 77.ª sessão, que arranca na terça-feira.

Ainda no evento, Guterres afirmou que tal como aconteceu no ano passado, esta nova sessão “continuará a testar a coesão e a confiança entre os Estados-Membros” das Nações Unidas, avaliando que o “caminho será desafiador e imprevisível”.

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