Novobanco admite rever metas em alta em contexto de subida de juros

Mark Bourke, CEO do Novobanco, afirma que o banco deverá apresentar novas metas estratégicas quando divulgar os resultados de 2022, perante a mudança na tendência das taxas de juro.

Mark Bourke, presidente executivo do Novobanco, afirma que perante o cenário atual de subida das taxas de juro, com impacto positivo nas margens do sector, deverá haver uma revisão das metas estratégicas. Isto numa altura em que já alcançou alguns dos objetivos previstos pela instituição financeira.

“Acreditamos, dadas as mudanças na curva das taxas de juro, que quando apresentarmos as contas de 2022 vamos olhar novamente para os objetivos e provavelmente apresentar novas metas”, afirmou o CEO a analistas, esta segunda-feira, na apresentação dos resultados para os primeiros nove meses do ano.

O Novobanco obteve lucros de 428,3 milhões de euros nos primeiros nove meses do ano, o que representa um aumento de 178% face aos 154,1 milhões de euros registados no ano passado.

De acordo com a apresentação do banco, o custo do risco ronda agora os 20 pontos base, abaixo dos 61 pontos base registados nos primeiros nove meses de 2021 e dos 50 pontos base previstos a médio prazo.

Por outro lado, o rácio de non-performing loans (NPL na sigla em inglês), ou seja, crédito malparado, alcançou o objetivo de 5% . Em entrevista à “Bloomberg”, em outubro, Mark Bourke já tinha dado a indicação de que esta meta seria alcançada “este ano, a muito curta distância”. Em setembro de 2021, o rácio de NPL era de 7,3% e estava acima de 30% em 2016, quando António Ramalho — que deixou o cargo de CEO em agosto — ficou à frente do banco.

Já a rentabilidade do banco, medida através do RoTE (antes de impostos), situava-se nos 12,4%, acima dos 8,2% no período homólogo e dos 10% previstos no plano. Quanto ao capital, o rácio CET1 está nos 12,7%, superando o objetivo de 12% definido no acordo de capital contingente. Em setembro de 2021, era de 10,9%.

Em sentido contrário, a taxa da margem financeira era de 1,32% em setembro, ainda aquém do intervalo entre 1,3% e 1,5%. No entanto, Mark Bourke acredita que também este objetivo será cumprido, à boleia da subida das Euribor.

O banco está, assim, “a caminho de cumprir as metas de médio prazo”, estando prevista uma “atualização das metas, no final do ano, para refletir as atuais condições do mercado”, refere a apresentação dos resultados.

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Novobanco com lucros de 428,3 milhões de euros até setembro (com áudio)

O banco liderado por Mark Bourke aumentou os lucros em 178% nos primeiros nove meses do ano, com o rácio de capital CET1 a situar-se nos 12,7% e o rácio de crédito malparado a alcançar a meta dos 5%.
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