Novobanco atribui prémio de 1,6 milhões à equipa de António Ramalho

O banco voltou a atribuir um prémio à comissão executiva do Novobanco, referente ao ano de 2021, apesar das críticas já feitas pelo Governo ou pelo Fundo de Resolução.

Cristina Bernardo

O Novobanco atribuiu um prémio de 1,6 milhões de euros à equipa liderada por António Ramalho. Tal como aconteceu nos outros anos, a remuneração variável apenas poderá ser paga após Bruxelas dar o “ok” ao fim do plano de reestruturação.

“Para o ano de 2021, a remuneração variável foi atribuída condicionalmente, sujeita à verificação de condições diversas, no montante de 1,6 milhões de euros aos membros do conselho de administração executivo”, pode ler-se no relatório e contas de 2021 do Novobanco, divulgado esta quinta-feira.

Este prémio, refere, “teve como base o desempenho individual e coletivo de cada membro, avaliado pelo Comité de Remunerações”, mas a sua “atribuição não deu origem a direitos adquiridos e nenhum pagamento foi realizado a estes membros, estando a mesma sujeita à verificação das condições previstas na política de remunerações”.

Em 2020, foi atribuído um prémio de quase 1,9 milhões de euros à comissão executiva, depois de outros dois milhões no ano anterior. Valores que apenas serão pagos após as autoridades europeias darem luz verde à conclusão do plano de reestruturação, que ficou fechado no final de 2020.

A atribuição de prémios não tem sido bem vista pelo Governo ou pelo Fundo de Resolução. “Esta questão dos prémios não me parece ser uma boa ideia”, chegou a dizer Mário Centeno, governador do Banco de Portugal. O fundo recusou mesmo pagar os prémios. “Não é adequada a prática de atribuição de prémios de gestão do Novobanco”, disse, por outro lado, o gabinete de João Leão, então ministro das Finanças, em maio do ano passado.

O relatório detalha ainda a remuneração recebida pelo conselho executivo e pelo conselho geral e de supervisão. A administração recebeu perto de dois milhões de euros, com António Ramalho a obter um salário fixo de 371,86 mil euros, mais um valor diferido de 38,1 mil euros.

Já Mark Bourke, que é um forte candidato ao cargo de CEO, recebeu a mesma remuneração fixa, mas o valor diferido é de 13,1 mil euros.

Já a remuneração do conselho geral e de supervisão foi de perto de um milhão de euros, com o presidente desta entidade, Byron Haynes, a receber 371,85 mil euros em termos fixos, mais 53,1 mil euros em remuneração variável.

(Notícia atualizada com mais informação)

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