Novobanco com lucros de 266,7 milhões de euros no primeiro semestre

Os lucros do Novobanco cresceram quase 94% no primeiro semestre em comparação com o mesmo período do ano passado.

O Novobanco obteve um lucro de 266,7 milhões de euros no primeiro semestre, o que representa um aumento de 93,7% em comparação com o mesmo período do ano passado. São as últimas contas apresentadas por António Ramalho que sai hoje da liderança da instituição financeira.

O banco destaca, em comunicado enviado à CMVM, o “sólido desempenho do negócio com incremento da rentabilidade apesar do atual contexto macroeconómico caracterizado por pressões inflacionistas e consequente volatilidade das taxas de juro”.

Neste período, a margem financeira caiu 7,3% para 268 milhões de euros, o que se deve, refere o Novobanco, à “evolução estável da taxa média do crédito a clientes e o efeito das emissões de dívida sénior no quatro trimestre de 2021 e das taxas de juro negativas nas aplicações do mercado monetário”.

Já as comissões cresceram 6,5% para 144,4 milhões de euros, com o produto bancário comercial a recuar -2,9% no primeiro semestre, para 412,4 milhões de euros, e o produto bancário a subir quase 17% para 571,5 milhões de euros  incluindo o contributo positivo dos “outros resultados de exploração” de 73,2 milhões, impulsionado pelo processo de desalavancagem do portefólio imobiliário.

O Novobanco reporta assim o sexto trimestre de resultados positivos. Este resultado leva o Novobanco a quase duplicar os resultados semestrais e a liderar o ranking de lucros da banca privada portuguesa, acima do Santander Totta, do BPI e do BCP. Fica em segundo nos lucros da banca, depois da CGD. As últimas contas apresentadas por António Ramalho já estão auditadas pela E&Y.

“Os resultados confirmam o momentum do Novobanco e o modelo de negócio acretivo, combinado com medidas específicas de geração de capital. O Novobanco demonstra criação de valor para todos os seus stakeholders, com o progresso efetuado nos últimos anos refletido no upgrade de 2 níveis pela Moodys”, refere o banco em comunicado.

A instituição financeira diz que está bem posicionada para continuar a crescer e competir no mercado português.

Ainda na conta de resultados, os lucros de operações financeiras foram positivos em 85,8 milhões, a maioria gerados no primeiro trimestre (91,4 milhões). Já que no segundo trimestre este indicador foi negativo em 5,6 milhões de euros. O Novobanco diz que os resultados de operações financeiras (trading) foram justificados “pelo efeito da cobertura do risco de taxa de juro, reflexo da volatilidade dos mercados de dívida pública no semestre deste ano”. As reservas de justo valor, nestes primeiros seis meses de 2022, registaram um decréscimo de 271,7 milhões de euros (no 2º trimestre de 2022 foi negativo em 28,3 milhões de euros).

Os outros resultados de exploração, no valor de 73,2 milhões incluem ganhos com a venda de um portefólio de imóveis (logística) no valor de 77,1 milhões (+58,5 milhões de euros líquido de interesses que não controlam) e as contribuições para os Fundos de Resolução de 40,9 milhões de euros. Para o Fundo Único de Resolução o Novobanco contribuiu com 24,5 milhões e para o Fundo de Resolução Nacional com 15,4 milhões de euros.

Os custos operativos, por outro lado, aumentaram em 4,6 milhões de euros para 208,7 milhões de euros. Este aumento comparativamente ao primeiro semestre de 2021, “resultam de uma redução dos ustos com Pessoal e com um aumento dos Gastos Gerais e Administrativos que suportam o investimento na melhoria dos processos operativos e de negócio, necessário para executar com sucesso o programa estratégico”.

“Numa base recorrente, os custos operativos apresentaram uma redução de 0,5% (-0,9 milhões de euros”, o que deixaria o rácio de cost-to-income em 49%.

Os custos com pessoal totalizaram 111,8 milhões (representando uma variação anual negativa de 4,9%), “mantendo a tendência de redução que se tem verificado nos últimos anos em resultado das medidas de eficiência implementadas”.

Menos colaboradores e balcões

Em 30 de junho de 2022, o Grupo Novobanco tinha 4.167 colaboradores , o que compara com 4.193 em dezembro (-26 colaboradores). Já em balcões o número ascendia a 304, menos sete que em dezembro.

O rácio de eficiência medido pelo cost-to-income situou-se em 51%, piorou face ao primeiro semestre do ano passado devido aos custos operativos de 208,7 milhões de euros.

O banco ainda liderado por António Ramalho deixa o banco com um baixo custo do risco (de 15 pb) reflexo da estratégia de redução de risco das carteiras. Em junho de 2021 reportava um custo do risco de 0,68% (68bps ou 40bps ex-provisões Covid-19). O baixo custo do risco é ainda o espelho da redução das imparidades para crédito para 19,3 milhões de euros (-77,2% ou seja menos 65,4 milhões do que no primeiro semestre de 2021).

As novas imparidades para crédito caíram -77,2% para 19,8 milhões de euros.

“O Grupo Novobanco registou até 30 de junho de 2022 um reforço de imparidades e provisões no montante de 19,8 milhões, apresentando uma redução face aos valores registados no período homólogo”, diz o banco que explica que essa redução traduz uma estratégia de redução de risco das carteiras, executada durante o processo de reestruturação.

Em suma, “o Novobanco continua a aumentar a sua rentabilidade atingindo um RoTE anualizado (antes de impostos) de 11,0% (acima dos 10,2% no 1º trimestre do ano), apresentando no semestre um resultado ajustado (antes de impostos)de 160,2 milhões, prova da sustentabilidade da sua trajetória”, lê-se no comunicado.

Rácio de malparado acima de 5% sem venda da Harvey

O Novobanco chegou a junho com um rácio de créditos não produtivos (NPL) de 5,4% que compara com 5,7% em dezembro do ano passado e 7,3% em junho de 2021. Faltou a Ramalho a aprovação pelo Fundo de Resolução da venda da carteira de grandes devedores, chamada de Harvey, para fechar os seus últimos resultados com um rácio de malparado abaixo dos 5% recomendados pela Autoridade Bancária Europeia.

O rácio de cobertura por imparidades fixou-se em 73,0%, “em linha com a estratégia de de-risking e aproximando-se do rácio médio dos peers europeus”.

No fim do ano passado o Novobanco concluiu a venda de crédito malparado da carteira de NPL “Harvey”, o portefólio de single-names de créditos não produtivos e ativos relacionados tinha o valor de 164,4 milhões de euros, e que foi vendido por 52,3 milhões de euros ao fundo Deva Capital Management Company e à AGG Capital, do grupo Arrow.

Uma vez que são créditos cobertos pelo mecanismo de capitalização contingente, o Fundo de Resolução foi chamado a dar luz verde, mas não a deu antes da saída do CEO com quem várias vezes entrou em confronto.

Era dito na altura que “a concretização da transação, nos termos acordados, deverá ter um impacto marginal na posição de capital do novobanco e na demonstração de resultados de 2021”,

Esta venda do Harvey representa uma redução de 162,6 milhões de euros no montante NPL (non-performing loan) e, juntamente com o projeto Orion, representava mais um marco relevante para o Novobanco, permitindo ao mesmo executar a sua estratégia de convergência para a média da UE.

O banco liderado por António Ramalho explicou na altura que o projeto Harvey “inclui créditos não produtivos e ativos relacionados abrangidos pelo mecanismo de capital contingente, estando os contratos sujeitos a ajustamentos de perímetro habituais em operações desta natureza”.

Ramalho congratula-se ainda com a subida do rating. A Moody’s subiu em 2 níveis o rating BCA do novobanco, de caa1 para b2. “O outlook do rating long-term deposit e long-term senior unsecured debt manteve-se inalterado em positivo. A subida de dois níveis na classificação de crédito da Moody’s reflete o melhor perfil de crédito como resultado da continuada redução do risco do balanço e da significativa reestruturação das operações nos últimos anos”, lembra o banco. As notações de ratings do long-term senior unsecured debt e subordinated debt do Banco passaram de Caa2 para B3.

Rácio de capital aquém dos 12%

Outro indicador sensível no banco que nasceu das cinzas do BES é o rácio de capital, que como se sabe está protegido pelo Acordo de Capitalização Contingente assinado em 2017, aquando da venda à Lone Star. Mas apesar de todos os obstáculos à recapitalização nos últimos trimestres, vindo do Governo e do Fundo de Resolução, com algumas operações de chamada de capital em Tribunal Arbitral, o Novobanco conseguiu obter um rácio de capital CET1 de 11,8%, reflexo da evolução positiva dos resultados. O rácio de CET 1 aumentou 1,0 pontos percentuais no trimestre e o rácio de solvabilidade total totalizou 13,9% que compara com 13,1% em dezembro, “valor acima do requisito de 13,5% de Overall Capital Requirement (OCR) e contribuindo para o reforço do P2G (pillar 2 Guidance”.

Os requisitos de capital global (OCR) são a soma do requisito de capital total do SREP (TSCR), com os requisitos de reserva de capital e os requisitos macroprudenciais, quando expressos como requisitos de fundos próprios.

“Este desempenho evidencia a capacidade de criação de capital do modelo de negócio do Novobanco e a disciplina de gestão de RWA (ativos ponderados pelo risco) o, que juntamente com medidas especificas asseguram o cumprimento antecipado dos requisitos de capital pós-pandemia”, refere o banco.

O Novobanco tem o seu rácio de Common Equity Tier 1 (CET1) protegido em níveis pré-determinados até aos montantes das perdas já verificadas nos ativos protegidos pelo Mecanismo de Capitalização Contingente (CCA).

O  banco explica no comunicado que o montante de compensação solicitado com referência a 2021, no montante de 209,2 milhões (valor não considerado no cálculo de capital regulamentar com referência a 31 de dezembro de 2021), teve em conta as perdas incorridas nos ativos cobertos pelo CCA, bem como as condições mínimas de capital aplicáveis no final do mesmo ano ao abrigo do Mecanismo de Capitalização Contingente.

No que respeita ao valor solicitado ao Fundo de Resolução, relativo ao exercício de 2020 subsistem duas diferenças que resultam de divergências entre o Novobanco e o Fundo de Resolução, relativamente à provisão para operações descontinuadas em Espanha e valorização de unidades de participação, que estão sujeitos a uma decisão arbitral. O Novobanco explica que considera estes valores (165 milhões) como devidos ao abrigo do CCA, “estando a despoletar os mecanismos legais e contratuais à sua disposição no sentido de assegurar o recebimento dos mesmos”.

O Novobanco e o Fundo de Resolução possuem ainda em divergência sujeita a arbitragem a aplicação pelo banco, no final de 2020, da opção dinâmica do regime transitório da IFRS 9.

O rácio de liquidez (LCR) continuou a melhorar, situando-se nos 187% (contra 182% em dezembro) e o NSFR totalizou 106% (que compara com 117% em dezembro).

No balanço, o crédito a clientes (bruto) totalizou perto de 25,5 mil milhões de euros, ou seja, mais 2,6% face a 2021, com um crescimento de 4,1% no crédito a empresas. Já os recursos totais subiram 2,4% para 34,6 mil milhões de euros, sendo que os depósitos cresceram 3,9%, representando 82,1% do total dos recursos de clientes.

O banco salienta que ocupa uma posição de liderança junto do tecido empresarial português, com quotas de mercado de 14,7% no crédito a empresas e de 12,6% nos depósitos deste segmento.

No primeiro semestre de 2022, o crédito a empresas no Novobanco cresceu 440 milhões de euros (+4,2% desde dezembro), “com um forte crescimento do apoio à tesouraria das empresas (+14,6% no Crédito de Curto Prazo) e com o contributo de 915 milhões de novo crédito ao investimento e de +544 milhões de euros de garantias e créditos documentários, suportando a atividade dos clientes.

Recomendadas

PremiumGestores bancários sem tarimba a gerir períodos inflacionários

Estudo sobre o sector bancário europeu feito pela consultora estratégica Oliver Wyman considera que as instituições financeiras podem não estar preparadas para os impactos do aumento da inflação e do abrandamento da economia na atividade.

Sindicato denuncia que administração da Caixa quer fechar mais 23 agências (com áudio)

O banco estatal registou lucros de 486 milhões no primeiro semestre de 2022. Sindicato recorda que a CGD já encerrou mais de 300 agências em Portugal.

Banco do Brasil regista lucro recorde no primeiro semestre

O banco público, cujas ações são negociadas na bolsa de São Paulo, atribuiu o seu resultado histórico semestral ao salto na carteira de empréstimos graças à recuperação económica a que o país tem assistido até agora este ano.
Comentários