Novobanco constituiu 14 milhões de provisões para exposição a dívida de empresas com ligação à Federação Russa

O Novobanco teve de reforçar no primeiro semestre as provisões em 41,7 milhões de euros para crédito a empresas, o que inclui 14 milhões de euros de provisões para a exposição (obrigações de empresas) do Novobanco à Federação Russa. Em junho, o valor contabilístico líquido dessa exposição era de oito milhões de euros.

O novo CEO do Novobanco apresentou, em conference call aos analistas, os resultados do segundo trimestre e semestre.

No capítulo relativo às imparidades e provisões, Mark Bourke falou do facto de o nível de provisionamento do banco ter ficado abaixo da execução, o que reflete um ambiente económico benigno no primeiro semestre. As imparidades e provisões caíram de 89,2 milhões de euros em junho de 2021 para 19,8 milhões em junho deste ano (imparidades líquidas de reversões). Aqui estão incluídas os 19,3 milhões de euros de imparidades para crédito.

O Novobanco diz que beneficiou da estratégia de redução de risco das carteiras, executada durante o processo de reestruturação.

Ora o banco teve de reforçar provisões em 41,7 milhões de euros para crédito a empresas, o que inclui 14 milhões de euros de provisões para a exposição (obrigações de empresas) do Novobanco à Federação Russa.

Em junho, o valor contabilístico líquido dessa exposição era de 8 milhões de euros.

Assim, a redução das provisões líquidas é explicada em boa parte pela reversão de 31,7 milhões de euros de “provisões específicas” relacionadas com contingências e potenciais custos de litigância.

O Novobanco reportou um custo do risco de 15 pb (0,15%), reflexo da estratégia de redução de risco das carteiras (o que compara com 68 bps no primeiro semestre de 2021  ou 40 pontos base ex-provisões Covid-19), e da redução das imparidades para crédito para 19,3 milhões (-77,2% ou -65,4 milhões face ao primeiro semestre de 2021).

O banco destacou a estabilidade do stock de NPL (Non Performing Loans) desde dezembro até ao fim de junho, “beneficiando da recuperação bem sucedida de clientes de moratórias e tendo em conta o impacto macroeconómico”.

O stock de crédito com imparidade caiu de 2.209 milhões de euros em junho de 2021 para 1.749 milhões em dezembro de 2022 e para 1.695 milhões de euros em junho de 2022. O que inclui 116 milhões de novas entradas em malparado e 152 milhões de euros de curas e recuperações. Depois há 13 milhões de euros de redução dos NPL por vendas em portfólio, 30 milhões de euros de write-offs e há uma subida de 25 milhões de euros justificada com foreclosed assets (imóveis recebidos em dações de cumprimento de crédito) e outros.

O rácio de NPL sobre o crédito total ficou em 5,4%.

De dezembro até junho, a geração líquida de NPL  foi de -36 milhões de euros, com a recente redução de NPL a beneficiar da venda de carteiras, gerando o capital e demonstrando a adequação da cobertura de NPL.

Recorde-se que no primeiro semestre de 2022, o grupo Novobanco apresentou um resultado de 266,7 milhões de euros (+129,0 milhões do que em junho de 2021), cuja evolução se justifica pela melhoria do produto bancário (+82,4 milhões de euros) e pelo menor nível de imparidades e provisões.

O resultado ajustado (antes de impostos) é de 160,2 milhões, equivalente a um RoTE anualizado pre tax (Return on  Tangible Equity) de 11,0%.

O banco reportou uma menor exposição ao crédito em Stage 2 (exposições para as quais se observa uma degradação significativa do nível de risco de crédito desde o reconhecimento inicial) no acumulado do ano, principalmente de devedores que tiveram sob o regime de moratória durante 2021, revertendo para a classificação de Stage 1 (em situação regular).

De toda a carteira de crédito, o Novobanco tem em Stage 2 (em risco) 16% do crédito e está coberto em 7,4% e em Stage 1 está 77% do crédito e a cobertura em 51.0%. Em Stage 3 (incumprimento) está 6,7% da carteira. No crédito em incumprimento, 15% está nessa situação há mais de dois anos. Ainda no crédito em Stage 3, o crédito a empresa tem um valor bruto de 1,3 mil milhões de euros. Sendo que 51% está coberto por imparidades e os restantes 50% cobertos por colateral (total cobertura de 101%).

No crédito à habitação no Stage 3 (que em junho soma 200 milhões de euros), as imparidades são 20% e os colaterais cobrem 97%. O crédito ao consumo em Stage 3 soma também 200 milhões de euros, sendo que está coberto por imparidades em 81% e 11% por colaterais.

O Novobanco diz que e mais de dois terços dos empréstimos classificados em Stage 3 não estão ainda vencidos.

O banco reportou um aumento no acumulado do ano de exposição a imóveis (Real Estate) para 909 milhões de euros devido à reavaliação dos ativos com base no preço de venda acordado em SPAs – Sales and Purchase Agreement (pro-forma Net Book Value -15%). Em junho, a exposição a imobiliário subiu para 2% do total dos ativos. Contando com a venda de um portefólio de imóveis (logística) no valor de 77,1 milhões de euros (58,5 milhões líquidos de interesses que não controlam) essa percentagem baixa para 1,5%. Isto excluindo 208 milhões de euros de Net Book Value destes imóveis de logística, cuja venda foi fechada já em julho.

Os ativos “TOP 20 RE” representam 60% da carteira, apresentou Mark Bourke. Desses ativos de alta qualidade, oito estão a gerar receitas (rendas) e três em estágio avançado de processos de vendas. Recorde-se que o Novobanco está em fase avançada de venda da sede, na Avenida da Liberdade, tendo sido entregues as propostas na passada sexta-feira.

Do total dos 909 milhões de euros de valor de balanço dos imóveis no Novobanco, apenas 168 milhões (valor líquido) resulta de imóveis recebidos por dação em cumprimento de crédito. Os restantes 741 milhões referem-se a propriedades de investimento e outros.

O banco garante que a cobertura é suportada por uma política de avaliação robusta, por avaliações individuais de ativos, por preços de mercado (ofertas recebidas) e pelo desempenho de rendimento.

O CEO do Novobanco, Mark Bourke destacou na conferência de analistas que a venda do “Head-Office”, referindo-se à sede da Avenida da Liberdade e que está na fase das propostas vinculativas, vai ter um impacto positivo de 25 a 35 pontos base no rácio de capital CET1, que em junho ficou nos 11,8%. Isto significa que, com a venda da sede, o Novobanco conta subir o rácio de CET1 para 12%. Recorde-se que o banco tem o rácio de capital CET1 protegido nos 12% pelo Mecanismo de Capitalização Contingente, sendo necessário o Fundo de Resolução injetar capital quando fica abaixo desse limiar.

Mark Bourke revelou as medidas que o banco tem para acelerar a venda de ativos não essenciais e de elevado consumo de capital, e que incluem um impacto positivo de 35 a 45 bps com a venda de ativos imobiliários previstos para 2022 (processos de vendas em estágio avançado), antes de possível antecipação de meta de vendas para 2023/24.

O banco prevê um impacto positivo de 25 a 30 bps decorrente da venda dos Fundos de Reestruturação. Está a decorrer a “venda da participação do Novobanco nos Fundos de Reestruturação, que se traduz em cerca de 40% de valor contabilístico líquido (Net Book Value)”. O banco refere-se à venda dos fundos da ECS, cuja negociação de contrato de venda à DK Partners está em curso.

Há “outros possíveis eventos positivos não considerados ainda no capital (mas com potencial vantagem para o rácio) e que se referem à chamada de capital de 209 milhões de euros ao abrigo do Mecanismo de Capitalização Contingente (CCA) relativo ao exercício de 2021”.

Recorde-se que o banco pediu 209 milhões ao Fundo de Resolução, dos quais 116 milhões acomodam o impacto no capital da provisão para o IMI a pagar e que foi agravado no OE2021. Ora o Fundo de Resolução não aceita que o custo resultante da provisão seja elegível. O banco diz que se esses 116 milhões forem pagos, o impacto em capital é de 50 pontos base. O caso está pendente de esclarecimento das autoridades fiscais.

O Novobanco fala ainda dos montantes da chamada de capital que estão em Tribunal Arbitral e que somam 165 milhões relativos às contas de 2020 e ao processo de adoção da contabilidade IFRS 9, isto porque o Novobanco aderiu à opção dinâmica do regime transitório da IFRS 9 e o Fundo de Resolução reconheceu uma divergência relativamente à aplicação dessa opção.

Mark Bourke garante que o banco vai continuar a execução de medidas para cumprir os requisitos de capital no futuro.

Destaque ainda para o Novobanco ter revelado a sua exposição a dívida pública. O Banco tinha em junho, em carteira, 2,2 mil milhões de euros em dívida pública portuguesa e ainda mais 3,4 mil milhões de euros em dívida soberana de outros países.

O banco destaca que a carteira de títulos tem um rendimento médio de 1,32%.

O Novobanco tem 30% da carteira de títulos com vencimento inferior a dois anos; 25% entre dois e cinco anos; 28% entre cinco e oito anos; 7% entre oito e 10 anos; e 4% acima de 10 anos.

Em Fundos de Reestruturação, em participações financeiras e em papel comercial, o banco tinha em junho 655 milhões de euros (6% do total destes ativos).

O Novobanco revela ainda que 68% dos títulos de dívida em carteira estão registados ao custo amortizado. Isto é, as obrigações estão classificadas como instrumentos detidos até à maturidade (com mensuração ao custo amortizado menos perdas de imparidade), o que acontece sempre que o objetivo da sua aquisição (mercado secundário) ou subscrição (mercado primário), é a sua detenção até à maturidade com o propósito de obter rendimentos pelos respetivos juros (cupões). Há 6% que estão contabilizados ao valor de mercado (fair value through profit or loss – FVTP&L) e os restantes 26% estão contabilizados ao “Fair Value Through the statement of Other Comprehensive Income” (com instrumentos de cobertura), o banco fala em “0,4 milhões de euros de sensibilidade para um aumento de 1bps nas taxas de juro”.

 

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