Novobanco duplica resultados positivos para 142,7 milhões no trimestre

No primeiro trimestre de 2022 o Grupo Novobanco apresenta um resultado de 142,7 milhões que compara com 72 milhões um ano antes. A evolução justifica-se pela melhoria do produto bancário (+36,9 milhões) e pelo menor nível de imparidades e provisões. O capital segue sendo o ponto fraco do banco.

Cristina Bernardo

O Novobanco apresentou um resultado líquido de 142,7 milhões de euros no primeiro trimestre, o que compara com 72 milhões no trimestre homólogo de 2021. Isto significa que o banco liderado por António Ramalho quase duplicou o resultado num ano.

O banco apresenta no trimestre um resultado ajustado (antes de impostos) de 59,5 milhões de euros equivalente a um RoTE anualizado (antes de impostos) de 10,2%, ou seja, rentabilidade de 10,2%. O RoTE é apresentado após Contribuições sobre o Sector Bancário e Fundos de Resolução (pro-rata) e excluindo os resultados de operações financeiras.

“O desempenho da atividade está em linha com as expetativas, apresentando pelo quinto trimestre resultados positivos. O banco apresenta melhorias de desempenho financeiro apesar do atual contexto macroeconómico caracterizado por pressões inflacionistas e consequente volatilidade das taxas de juro”, lê-se no comunicado.

Os cinco trimestres consecutivos de resultados positivos definem uma tendência é parece ser o virar de página para a rentabilidade sustentável.

“Pelo quinto trimestre consecutivo o Novobanco apresenta resultados positivos criando valor para todos os seus acionistas, o que demonstra uma clara sustentabilidade da rentabilidade assente num robusto modelo de negócio, permitindo continuar a apoiar as famílias, as empresas e a economia nacional”, diz António Ramalho, CEO do banco detido em 75% pela Lone Star.

A margem financeira totalizou 133,5 milhões de euros (o que traduz uma queda de 8,4%  face ao trimestre homólogo de 2021), “refletindo a estabilidade nas linhas do negócio bancário (empresas e particulares), e o efeito das emissões de dívida sénior em 2021 e das taxas de juro negativas nas aplicações do mercado monetário”.  A margem financeira no período foi de 1,31% (pior que os 1,49% no 1º trimestre do ano anterior).

“A rentabilidade positiva do trimestre e o foco contínuo na disciplina de RWA (ativos ponderados pelo risco) demonstra o modelo de negócio acretivo de capital”, refere a instituição.

Já o crédito a clientes (líquido) ascendeu a 24 mil milhões de euros, uma subida de 1,2% face a dezembro, o que o banco diz ter sido impulsionado pelo crescimento no segmento de empresas e estável crédito a particulares.

As comissões de serviços a clientes ascenderam a 68,8 milhões (+9,6% do que no um ano antes), mantendo a tendência positiva dos últimos trimestres.

Em resultado, o produto bancário comercial no período totalizou 202,3 milhões (-3% do que um ano antes), e o produto bancário apresenta “um forte desempenho” ao ter crescido 13,5% num ano para 310,4 milhões, com os resultados de operações financeiras a serem de 91,4 milhões de euros, acima dos 52,8 no 1º trimestre de 2021). A justificação para os resultados de trading são os instrumentos de cobertura a funcionarem compensando a subida de taxas de juro.

O resultado operacional core (produto bancário comercial – custos operativos) fixou-se em 98,7 milhões de euros (-7 milhões do que no trimestre homólogo do ano anterior), resultado da estabilização dos agregados de negócio e da manutenção dos custos operativos.

O Cost-to-Income que mede a eficiência, situou-se em 51% (piorou face ao mesmo período do ano anterior onde foi de 49%. O banco diz que este rácio é excluindo os resultados de mercados e outros resultados operacionais e beneficiando de custos operativos estáveis de 103,6 milhões (+0,9 milhões face ao primeiro trimestre de 2021), com a implementação de medidas de eficiência e investimento contínuo no modelo de negócio. Numa base recorrente, os custos operativos apresentaram uma redução de 1,9% (-2,0 milhões).

Os custos com pessoal totalizaram 55,7 milhões (representando uma variação de -5,1% face ao primeiro trimestre de 2021), “mantendo a tendência de redução que se tem verificado nos últimos anos em resultado das medidas de eficiência implementadas. Em 31 de março de 2022, o Grupo Novobanco tinha 4.182 colaboradores (o que compara com 4.557 em março de 2021, ou seja houve uma redução de 375 colaboradores). Em 31 de março de 2022, o número de balcões ascendia a 311, menos 46 balcões que um ano antes.

O montante afeto a imparidades e provisões totalizou 21,8 milhões de euros, reflexo da normalização do balanço do banco (o que compara com 61,8 milhões no primeiro trimestre de 2021, dos quais 21,8 milhões relacionados com a Covid).

Sobre a qualidade da carteira de crédito, o custo do risco foi de 23 pontos base, reflexo da estratégia de redução de risco das carteiras (no trimestre homólogo do ano anterior tinha sido de 88 bps ou 53bps se excluídas as provisões relacionadas com a Covid-19). O custo do risco reflete um decréscimo nas Imparidades para crédito para 14,3 milhões de euros (-74,0% do que no trimestre homólogo de 2021, ou seja -40,6 milhões de euros).

O rácio de créditos não produtivos (NPL) fixou-se em 5,7% igual a rácio de dezembro mas inferior aos 8,9% em dezembro de 202). “O rácio de cobertura situou-se em 70,8%, em linha com a estratégia de de-risking do balanço e aproximando-se do rácio médio de NPL dos peers europeus”, avança o banco.

No balanço o banco destaca a evolução dos recursos totais de clientes de 0,4% face a dezembro, apresentando um aumento dos depósitos de clientes de 0,9% (+247 milhões de euros) reflexo do crescimento do negócio.

O crédito a clientes (bruto) totalizou 25.215 milhões de euros, ou seja, mais 1,1% que em 2021), com crescimento de 2,3% no crédito a empresas. O Novobanco ocupa uma posição de liderança junto do tecido empresarial português, com quotas de mercado de 14,4% no crédito a Sociedades não Financeiras (empresas) e de 12,7% nos depósitos deste segmento.

O Novobanco apresenta um aumento anual de 6% dos clientes digitais ativos para 55,1% e destaca a crescente relevância do digital nas vendas nos segmentos de Crédito Pessoal (+354%), de Seguros Vida e Não-Vida (+101%), e de Cartões de Crédito (+110%).

O Calcanhar de Aquiles do Novobanco segue sendo o capital. A variação do rácio CET 1 reflete o movimento das reservas de capital, devido ao aumento das taxas de juro e as deduções prudenciais, repercutindo-se num rácio CET 1 de 10,8% (abaixo dos 11,1% em 2021) e um rácio de solvabilidade total de 12,9% (versus 13,1% em 2021).

No comunicado o banco refere que “importa destacar, no contexto de pandemia atual, o facto de o Banco Central Europeu (BCE) ter divulgado durante o mês de março de 2020 medidas que permitem aos Bancos operar temporariamente abaixo do nível de capital exigido permitindo que as instituições financeiras continuem a suportar o financiamento da economia, num contexto económico particularmente adverso”.

“Complementarmente, foram introduzidas alterações ao enquadramento regulamentar sobre apuramento de rácios de capital, em vigor desde junho 2020, destinadas a mitigar os impactos da pandemia Covid-19, quer ao nível dos ativos ponderados pelo risco, quer ao nível dos reforços de imparidade relacionados. Neste âmbito o novobanco aderiu à opção dinâmica do regime transitório da IFRS 9”, explica a instituição.

Divergências com o FdR

No comunicado o banco faz referência à sua “guerra fria” com o Fundo de Resolução, detentor de menos de 25%. “O Novobanco tem o seu rácio de Common Equity Tier 1 (CET1) protegido em níveis pré-determinados até aos montantes das perdas já verificadas nos ativos protegidos pelo Mecanismo de Capitalização Contingente. O montante de compensação solicitado com referência a 2021, no montante de 209,2 milhões (valor não considerado no cálculo de capital regulamentar com referência a 31 de dezembro de 2021), teve em conta as perdas incorridas nos ativos cobertos pelo Mecanismo de Capitalização Contingente, bem como as condições mínimas de capital aplicáveis no final do mesmo ano ao abrigo do Mecanismo de Capitalização Contingente”, diz o banco.

No que respeita ao valor solicitado ao Fundo de Resolução, relativo ao exercício de 2020 “subsistem duas diferenças que resultam de divergências, entre o novobanco e o Fundo de Resolução, relativamente à provisão para operações descontinuadas em Espanha e à valorização de unidades de participação, que estão sujeitos a uma decisão arbitral. O Novobanco considera estes valores (165 milhões) como devidos ao abrigo do Mecanismo de Capitalização Contingente, estando a despoletar os mecanismos legais e contratuais à sua disposição no sentido de assegurar o recebimento dos mesmos”, diz o banco liderado por António Ramalho.

O Novobanco e o Fundo de Resolução possuem ainda em divergência sujeita a arbitragem a aplicação pelo banco, no final de 2020, da opção dinâmica do regime transitório da IFRS 9.

O rácio de liquidez (LCR) continuou a melhorar, situando-se nos 184% (versus 182% em dezembro) e o NSFR totalizou 115% (abaixo dos 117% em dezembro).

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