Nuestros Hermanos de Canárias

Seria interessante criar mais laços com Canárias na tentativa de afirmação de duas regiões ultraperiféricas europeias que integram a Macaronésia.

A relação amistosa e cordial com o vizinho do lado é uma coisa que trás benefícios para todos, já dizia o provérbio “Quem é teu irmão? O vizinho mais à mão!”. No caso do arquipélago da Madeira, o território insular mais próximo é o arquipélago das Canárias. Nos últimos 46 anos, os vários Governos da República têm procurado estreitar relações à nossa vizinha Espanha, com a organização de várias cimeiras ibéricas e com a assinatura de vários acordos bilaterais em vários domínios como a cooperação transfronteiriça, questões relacionadas com água, energia e outros assuntos. De facto Espanha é o principal parceiro comercial de Portugal, pelo que o estreitar de relações traduzem-se efetivamente em ganhos económicos para os dois países.

Ao contrário das boas relações a nível nacional com nuestros hermanos, a nível regional parece que as Canárias que estão ali ao lado não existem para o Governo Regional da Madeira, apesar de entre 1993 e 2019 terem tido como seus interlocutores no governo canário uma coligação regionalista de partidos chamada Coalición Canaria, de centro-direita e que defendiam mais autonomia, à semelhança da bandeira autonómica do PSD-Madeira nas últimas décadas. Não tenho ideia de visitas de parte a parte entre os respetivos governos regionais para estreitar relações económicas ou culturais a não ser algumas organizações de colóquios sobre a História insular nos idos anos 90 ou mais recentemente a manifestação de apoio e solidariedade por parte da Madeira a Canárias aquando da erupção do vulcão Cumbre de Vieja em La Palma em 2021.

As Canárias são um colosso face à dimensão da Madeira, com mais ilhas, um território nove vezes superior e com uma população de 2,2 milhões de habitantes, numa economia que tem naturalmente no turismo a sua principal fonte de riqueza e uma estrutura económica em termos de atividades que contribuem para o PIB regional muito semelhante à Madeira, com exceção da função pública que em Canárias tem um peso menor.

Nesse sentido seria interessante criar mais laços com Canárias na tentativa de afirmação de duas regiões ultraperiféricas europeias que integram a Macaronésia. As Canárias possuem uma companhia aérea que opera atualmente a linha Madeira-Porto Santo, e alguns armadores marítimos de passageiros e carga, um dos quais operou com viabilidade uma linha de passageiros e carga entre Las Palmas, Madeira e Portimão, tendo desistido da linha devido a entraves burocráticos impostos pelo Governo Regional da Madeira, que prejudicaram fortemente as pequenas e médias empresas madeirenses que tinham uma forma mais económica e rápida de exportar os seus produtos, e os residentes que tinham uma oportunidade de poder viajar de “armas e bagagens” com carro incluído para Gran Canária ou para o Algarve. Era a continuidade territorial a funcionar em pleno. Era um mundo de possibilidades!

Agora na carga marítima uma pequena empresa madeirense que exporte os seus produtos, não só perdeu a ligação mais rápida, como até paga o frete 18% mais caro por quilómetro do que os Açores, que ficam a uma distância muito maior de Lisboa, estando refém de um único operador de carga em regime de monopólio. Operador marítimo de passageiros, nem vê-lo…

Quem acaba por perder mais com este desprezo em relação a nuestros hermanos de Canárias é mesmo a população. Resta-nos a lembrança dos anos áureos das acessibilidades marítimas na região e a promessa feita em 2015 pelo presidente do Governo Regional da Madeira sobre a criação de uma linha regular de ferry entre a Madeira e o continente. Já passaram sete anos!

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