Número de desempregados inscritos no IEFP acima da fasquia dos 300 mil pela primeira vez desde abril (com áudio)

O número de desempregados inscritos no IEFP subiu para 307 mil em dezembro. Em causa está um salto de 3,5% face ao mês anterior. É a quinta subida consecutiva.

Hugo Correia/Reuters

Desde abril que o número de desempregados inscritos no Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP) não estava acima dos 300 mil, barreira que voltou a ser ultrapassada no último mês de 2022. De acordo com os dados divulgados esta segunda-feira, em dezembro, havia 307 mil indivíduos desempregados em Portugal, mais 3,5% do que no mês anterior. Esta foi a quinta subida em cadeia consecutiva do desemprego registado, numa altura em que os empregadores enfrentaram diversos desafios, como a escalada dos custos da energia.

“No fim do mês de dezembro de 2022, estavam registados nos serviços de emprego do continente e regiões autónomas 307.005 indivíduos desempregados. O total de desempregados foi inferior ao verificado no mesmo mês de 2021 (-40.954; -11,8%), e, em sentido contrário, face ao mês anterior (+10.282; +3,5%)”, revela o IEFP esta manhã.

Da parte do Governo, o Ministério do Trabalho destaca que o número de desempregados em questão foi “o mais baixo nesse mês dos últimos 30 anos”. Mais, face a dezembro de 2019 (isto é, ao período pré-pandemia) verificou-se uma redução de 1,1% (-3.477 pessoas), realça o gabinete de Ana Mendes Godinho.

“O ano de 2022 foi, no geral, o melhor ano em termos de desemprego registado, tendo assinalado, desde março de 2022, valores sistematicamente mais baixos do que os valores homólogos de 2019”, sublinha ainda o Executivo de António Costa.

De notar que os dados divulgados esta segunda-feira mostram que o desemprego registado caiu, em termos homólogos, em todas as regiões do país, “com destaque para a região autónoma da Madeira (-31%) e de Lisboa e Vale do Tejo (-14,8%)”.

Já se compararmos os números de dezembro com os do mês anterior, a trajetória é a oposta: quase todas as regiões portuguesas viram o desemprego registado crescer, tendo sido verificada a maior variação no Algarve (+22%). A exceção foi a Madeira, onde o desemprego registado caiu em cadeia 0,3%.

Quanto ao desemprego jovem, em dezembro, verificou-se uma diminuição em cadeia de 1,6% e um recuo homólogo de 10,3%. “Em dezembro havia 32.426 jovens em situação de desemprego, -0,5% abaixo do valor de dezembro de 2019 (-154 jovens). O desemprego jovem representa atualmente 10,6% do desemprego registado, que compara com 11,0% registado no mês homólogo de 2021”, enfatiza o Ministério do Trabalho, que realça que os números verificados em dezembro de 2022 foram os melhores desde que há registo.

Por outro lado, no que ao desemprego de longa duração (isto é, desempregados inscritos há 12 meses ou mais) diz respeito, o IEFP contabilizou uma diminuição de 28,8% face a dezembro de 2021, mas um aumento de 0,3% face a novembro de 2022.

O Governo está atualmente a discutir em Concertação Social o desenho de uma nova medida de incentivo ao regresso ao mercado de trabalho dos desempregados de longa duração, que permitirá acumular uma parte do subsídio de desemprego com o salário. O novo apoio deverá chegar ao terreno no segundo semestre, sendo parte do acordo de rendimentos e competitividade assinado em outubro pelo Governo, as confederações patronais e a UGT.

Em dezembro, mostram ainda os dados, as ofertas de emprego por satisfazer situaram-se em 11.431, menos 28,3% do que há um ano e também menos 28,3% do que no mês anterior.

Apesar dos desafios resultantes da guerra em curso no leste europeu, as empresas portuguesas têm segurado a grande maioria dos postos de trabalho. Até ao momento, a taxa de desemprego tem registado somente ligeiras variações. O Governo prevê, de resto, que 2023 será um ano de estabilidade no mercado laboral.

Atualizada às 11h43

Recomendadas

Espanha. Sector dos serviços cresce ao maior ritmo desde julho

É o sector com mais peso no PIB espanhol e teve no primeiro mês de janeiro o melhor mês desde julho do ano passado.

Dados do emprego nos EUA podem influenciar próxima reunião da Fed

A Oxford Economics estima que a Fed volte a aumentar as taxas de juro em 25 pontos base no próximo mês de março e que essa decisão já contemple os resultados do emprego nos EUA. A subida das taxas no mês de janeiro irá impedir novo aumento no próximo mês.

Embargo europeu a gasóleo russo chega este domingo (com áudio)

De acordo com dados da “Bloomberg”, Moscovo é o maior fornecedor de gasóleo à Europa sendo que os países da Europa ocidental recebem diariamente 600 mil barris deste produto refinado, metade do abastecimento que chega todos os dias ao “Velho Continente”.
Comentários