O ano da nossa inteligência

Tudo tem que começar pelo capital social. Trata-se claramente do vértice mais decisivo do “capital estratégico” que importa construir neste novo tempo.


Notice: Undefined offset: 1 in /var/www/vhosts/jornaleconomico.pt/httpdocs/wp-includes/media.php on line 1031

Notice: Undefined offset: 2 in /var/www/vhosts/jornaleconomico.pt/httpdocs/wp-includes/media.php on line 1031

O novo ano tem que ser sobretudo Inteligente. Trata-se de um desafio único, que tem que assentar numa verdadeira dimensão colaborativa de mobilização dos “atores da mudança” (empresários, académicos, empreendedores) para uma ação de base coletiva de reinvenção estratégica da base competitiva nacional. Trata-se de um contributo que se pretende possa ter efeitos de alavancagem na perceção da necessidade de reinventar a economia nacional. Pretende-se consolidar uma ideia de marca, solidificar as bases de um projeto, protagonizar novas soluções com novas respostas para questões que teimam em ser as mesmas de há muito tempo a esta parte. Um ano inteligente é a nova resposta para as perguntas que hoje existem na sociedade portuguesa.

Tudo tem que começar pelo capital social. Trata-se claramente do vértice mais decisivo do “capital estratégico” que importa construir neste novo tempo. O exercício de maior seletividade dos potenciais promotores de projetos e de maior atenção operativa a uma monitorização dos resultados conseguidos terá que ser acompanhado desta ação global de qualificação sustentada da rede de atores que compõem o quadro de animação social e económica do território. Não se realizando por decreto, não restam dúvidas que esta ação de “competence building” de entidades da administração pública central e local, centros de ensino e saber, empresas, associações e demais protagonistas da sociedade só tem sentido de eficácia se resultar de um exercício de “cumplicidade estratégica” entre os diferentes protagonistas.

Cabe às empresas o papel central na criação de riqueza e promoção de uma cultura sustentada de geração de valor, numa lógica de articulação permanente com universidades, centros I&D e outros atores relevantes. São por isso as empresas essenciais na tarefa de endogeneização de ativos de capital empreendedor com efeito social estruturante e a “leitura” da sua prática operativa deverá constituir um exercício de profunda exigência em termos de análise. Tendo sido as empresas um dos atores fortemente envolvidos nas dinâmicas de financiamento comunitário ao longo destes últimos 20 anos, ressaltam indícios de défice de “capital empresarial” em muitos dos protagonistas envolvidos.

Endogeneizar dinâmicas de “inovação proactiva” em articulação com o mercado, geradora de novos produtos e serviços; reforçar a responsabilidade individual do empresário enquanto agente socialmente responsável pela criação de riqueza; fazer do trabalhador um “empreendedor ativo” consciente do seu papel positivo na organização; fazer da “empresa” um espaço permanente de procura da criatividade e do valor transacionável nos mercados internacionais; consolidar uma “cultura de cooperação ativa” entre empresas nacionais e internacionais, pequenas e grandes – são estas as palavras-chave de uma nova estratégia para um ano que se pretende Inteligente.

Quando em 1994 Michael Porter elaborou o célebre Relatório, encomendado pelo Governo português de então, o diagnóstico sobre o que fazer e as áreas estratégicas de actuação ficaram clarificadas. Dezassete anos depois, pouco foi feito, a situação competitiva degradou-se em termos globais e Portugal mais do que nunca tem pela frente a batalha da mudança estrutural. Assumidas as prioridades de um “novo paradigma” de desenvolvimento para o país, a aposta numa “agenda de mudança” torna-se prioritária. Ou seja. Torna-se um imperativo nacional mobilizar um contrato de confiança para o futuro, centrado em novas ideias e novas soluções para as quais toda a sociedade civil dê um contributo ativo. É importante por isso perceber que a aposta nos fatores dinâmicos de competitividade, numa lógica territorialmente equilibrada e com opções estratégicas claramente assumidas, é um contributo central para a correção das graves assimetrias sociais e regionais que se têm acentuado. Falta por isso em Portugal um verdadeiro choque operacional capaz de produzir efeitos sistémicos ao nível do funcionamento das organizações empresariais. O “novo paradigma” da economia portuguesa radica nesse sentido na capacidade de os resultados potenciados pela inovação e conhecimento serem capazes de induzir novas formas de integração social e territorial, capazes de sustentar um equilíbrio global do sistema nacional.

Um ano inteligente é uma resposta aos desafios que temos pela frente. Pretende-se que estejam em cima da mesa duas ideias centrais para uma nova ambição – profunda renovação organizativa e estrutural dos setores mais tradicionais da sociedade e aposta integrada na utilização da inovação como fator de alavancagem de criação de valor de mercado. Um ano inteligente deve assentar em ideias muito concretas – instituições abertas e eficientes, talentos e excelência, novos modelos de negócio e redes globais, empreendedorismo e capacidade inovadora, ética e sustentabilidade. São eles a base de uma nova ambição para todos.

Por Francisco Jaime Quesado
Presidente da ESPAP – Entidade de Serviços Partilhados da Administração Pública

Recomendadas

Uma banca portuguesa cada vez mais ‘ibérica’

Uma fusão entre BPI e Novobanco poderia fazer sentido à luz daquela que tem sido a estratégia do CaixaBank para crescer no mercado ibérico.

As pessoas não podem ficar para trás na nova era

Milhões de euros de investimentos e centenas de megawatts. Ao escrever e ler sobre o mundo da energia, é normal que os grandes números sejam abordados, tal a dimensão dos projetos.

A ilusão, do faz de conta que faz

As eleições autárquicas realizaram-se exatamente há um ano atras, e no primeiro ano de muitos autarcas eleitos e após as lutas eleitorais, veio um ano de calmia e aparente tranquilidade.