O aproximar da recessão

Na opinião dos analistas, se a recessão nos EUA ainda é uma incógnita, ela é praticamente inevitável no Reino Unido e na zona euro.

Começam a ser unânimes os relatórios que apresentam um futuro sombrio para a economia em 2023. Muito recentemente, dois deles foram particularmente influentes na forma como os investidores e as entidades financeiras olham para o mercado; um emitido pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e outro pelo Morgan Stanley.

Praticamente em simultâneo com o “World Economic Outlook” emitido pelo FMI, Vítor Gaspar e Tobias Adrian assinaram no blogue da organização um artigo onde realçam que a política monetária dos bancos centrais e a política orçamental dos governos têm de “demonstrar alinhamento” e “responsabilidade orçamental” ou inclusive “enveredar pela consolidação dos orçamentos” para não forçarem a uma subida adicional das taxas de juro pelos bancos centrais.

Esse aumento das taxas é um cenário indesejável, mas provável. E quer o relatório do FMI quer o do Morgan Stanley antecipam que possa vir a ocorrer, num cenário particularmente deprimente para a situação económica dos países e empresas. Como destaca o “World Economic Outlook”, as dificuldades são imensas e o enfraquecimento dos indicadores económicos aponta para novos desafios pela frente, tendo a organização diminuído a sua previsão do crescimento global no próximo ano para 2,7%, baixando dos 2,9% mencionados em julho e dos 3,8% em janeiro. Na opinião dos autores, existe uma significativa probabilidade avaliada em 25% de que o crescimento possa mesmo desacelerar para menos de 2%.

Com efeito, destaca o FMI, os consumidores em todo o planeta enfrentam uma crise cada vez maior provocada pelo aumento do custo de vida, estimulado pela inflação do preço dos bens alimentares, dos combustíveis e da energia. Os preços altos desencadearam assim uma onda de aumentos nas taxas de juros que encareceu o pagamento da dívida e levantou preocupações relacionadas com um eventual congelamento dos financiamentos a países de baixo rendimento e aos mercados emergentes.

Por seu lado, também o Morgan Stanley antecipa um crescimento global mais fraco, fixando a expectativa abaixo do FMI, nos 2,2%. No entanto, o banco de investimento prevê a descida da inflação e o fim dos aumentos das taxas de juros ainda em 2023, de acordo com seu relatório de perspetivas.

Na opinião dos analistas, se a recessão nos EUA ainda é uma incógnita, ela é praticamente inevitável no Reino Unido e na zona euro. Se os britânicos sofrerão a pressão do aperto fiscal, já a economia dos países europeus sofrerá as consequências negativas do choque energético.

Face a esta realidade, importa às famílias e às empresas adotarem práticas minimizadoras do risco e terem uma redobrada cautela sobre os procedimentos contabilísticos, reforçando os instrumentos de poupança. Na verdade, quem melhor antecipar a borrasca menos sofrerá os efeitos da tempestade, evitando assim o naufrágio. Mais vale sermos céticos sobre a realidade que se aproxima do que cegamente otimistas. Como escreveu Napoleão Bonaparte: “No negócio prático da vida, não é a fé que salva, mas a desconfiança”.

 

Parabéns à Madeira por ter sido considerada o melhor destino europeu de cruzeiros nos World Cruise Awards, como noticiou aqui o “Jornal Económico”. Este prémio é o reconhecimento para o arquipélago do trabalho que tem vindo a ser realizado na região para o aumento da qualidade das infraestruturas turísticas, dos equipamentos e dos serviços.

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