O desconhecido à porta

A Suécia diz de sua justiça perante a chegada de migrantes em grandes levas. E o que diz assusta, alerta e coloca várias questões. A Europa tem vindo a preocupar-se – e bem! – com a questão da segurança e do registo dos milhares de pessoas que, a todo o custo, forçam as fronteiras do […]


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A Suécia diz de sua justiça perante a chegada de migrantes em grandes levas. E o que diz assusta, alerta e coloca várias questões. A Europa tem vindo a preocupar-se – e bem! – com a questão da segurança e do registo dos milhares de pessoas que, a todo o custo, forçam as fronteiras do continente dourado, estejam estas abertas ou fortificadas por muros.

Mas o descuido que tem colocado na informação dos seus cidadãos leva a que se tomem posições radicais que, a médio prazo, podem ser extremamente perigosas. A teoria da comunicação diz que, quando a informação sobre determinado assunto é insuficiente ou inexistente, surge o rumor, cria-se o boato.
É essa a razão pela qual nos deparamos com tão díspares opiniões sobre a situação do apoio aos refugiados que iremos acolher.

Ponto prévio: Portugal é um país humanista, acolhedor e que tem bem presente a sua condição de país de imigração dos anos 50 e 60. Tal como tem presente o retorno a esses tempos, ocorrido nos últimos anos com a saída de jovens quadros nos quais o país investiu e que se viram obrigados a partir por impossibilidade de inserção num mercado de trabalho condigno. Este esvaziamento de uma geração jovem num país que envelhece de ano para ano terá consequências trágicas a curto prazo.
Como tal, não é de espantar que comecem a surgir vozes contra o acolhimento dos “outros” em detrimento da proteção do “nós”.

Assim sendo, é urgente que haja um esclarecimento das condições, das razões e dos procedimentos do acolhimento por quem de direito, para dissipar dúvidas e, sobretudo, para evitar um clima hostil que não aproveita a ninguém.
Por se tratar de uma situação sem precedentes, pode acarretar uma crispação social que há que evitar a todo o custo, até porque o rastilho desta tensão social já se espalha pela Europa. Importa estabelecer a distinção entre o que é um refugiado e o que é um imigrante ilegal e qual a forma prevista para identificar uns e outros. Há que explicar as circunstâncias em que o estatuto de refugiado e de asilo é concedido, e tranquilizar a população quanto às medidas de segurança que vão sendo adotadas.

Aprendamos, pois, com os (maus!) exemplos que nos chegam dos países do Norte e antecipemos momentos conturbados, não vá que nos lembremos de Santa Bárbara apenas quando o raio nos cair em cima e a contestação popular for mais um obstáculo que estes desalojados, frágeis e despojados de tudo, tiverem ainda que enfrentar.

Nota: A referência a Santa Bárbara e a relação com recentes acontecimentos é pura coincidência.

Manuela Niza Ribeiro
Presidente do Sindicato dos Funcionários do SEF e professora universitária

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