O (des)governo dos dados nas organizações

As organizações são fontes de geração e de consumo de dados em larga escala. Esta evolução tem trazido grandes oportunidades, mas também grandes desafios às empresas, nomeadamente no mercado português onde constatamos um “governo desgovernado” dos dados e isso revela-se potencialmente ao nível dos custos financeiros, riscos de conformidade, riscos reputacionais (e.g. fugas de dados, sejam eles pessoais ou de negócio) e até sob a perspetiva da sustentabilidade (ESG) que está hoje, e bem, na ordem do dia (a União Europeia estima que, em 2030, os Data Centers representem 3,2% do consumo total de eletricidade).

Se juntarmos o custo de oportunidade da inação sobre os dados que permitem às organizações tomarem melhores decisões, estratégicas e operacionais, então creio que concordamos que, nesta matéria, o tempo é de agir. Aqui chegados, podemos identificar dois tipos de organizações: (i) as que estão a olhar para os dados como uma oportunidade de obter vantagens competitivas ao ponto de redefinirem o seu propósito e (ii) as que vão olhar para os dados quando perceberem que ficaram para trás e aí poderão, ou não, ainda ir a tempo de ser relevantes no mercado.

Alguns objetivos estratégicos ouvidos com frequência nos mais variados setores de atividade, são:

“É urgente desmaterializar os processos e reduzir a burocracia”

“Queremos ser um ator ativo na investigação através da partilha de dados/conhecimento”

“Queremos colocar o cliente no centro do nosso dia-a-dia”

“Os nossos colaboradores podem trabalhar de qualquer parte do mundo”

“Como obter/aumentar o retorno dos nossos dados?”

Ora, nenhum destes objetivos é atingível sem que se assegure um efetivo contributo dos dados.

Temos tido o privilégio de colaborar com diversas organizações na sua transformação no que se refere aos dados e uma das primeiras atividades que desencadeamos é auscultar o negócio. Os dados e a definição de uma estratégia para os mesmos estão quase exclusivamente relacionados com negócio e muito pouco com tecnologia. Só assim entendemos que dados existem, como são tratados e com relativa facilidade identificamos dores comuns em muitas das sessões. A saber: (i) silos de dados, (ii) falhas de segurança de informação, (iii) qualidade de dados, (iv) várias interpretações para os mesmos conceitos e (v) mecanismos de exploração de dados acessórios (e.g. o “demónio” do Excel) aos definidos como oficiais.

A definição de uma estratégia de dados não é “one size fits all” mas a nossa experiência permite-nos identificar um conjunto de princípios basilares que norteiam a nossa metodologia:

Entender de forma clara os objetivos estratégicos da organização e a sua visão para os dados.

Assegurar uma visão integral dos dados da organização e como são tratados, manuseados e partilhados.

Assegurar ownership e responsabilidade sobre os dados.

Definir um roadmap evolutivo a duas velocidades: (i) iniciativas fundacionais de gestão/governo de dados e (ii) iniciativas de negócio que potenciam a criação de valor ao negócio numa lógica de benefícios de curto prazo (fail fast learn fast).

A tecnologia suporta a estratégia e não o contrário.

Em resumo, os dados (já) são mesmo um ativo estratégico para as organizações tal como são as pessoas e o capital. Quem não assumir isto, irá ficar rapidamente para trás. Tem sido o nosso desígnio ajudar alguns dos gestores a assumir e implementar esta transformação. E a pergunta que se impõe aos restantes é: a organização que representa encontra-se no palco ou na plateia?

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