O digital agregou todos os meios tradicionais

Nenhum dos meios tradicionais está imune ao impacto do digital. Televisão, Rádio, Out-of-home e Cinema, todos se fundiram com o digital e procuram a clarificação dos modelos de negócios.

O sector dos media foi um dos que mais rapidamente sofreu a disrupção da era digital. O conteúdo virou rei e passou a ser distribuído em várias plataformas. Os meios, chamados, tradicionais aproveitaram a onda e fundiram-se com o digital, tornando-se multiplataforma. Mas esta fusão tem impacto nos modelos de negócio. São muitos os exemplos desta nova realidade.

Vejamos o Projeto Nónio (desenvolvido pela Plataforma de Meios Privados), no qual alguns dos principais grupos de comunicação social portugueses se juntam para qualificar (e rentabilizar) as audiências das suas plataformas digitais. Para terem acesso aos conteúdos, os consumidores são convidados a partilhar alguma informação sobre o seu perfil e sempre que acederem terão que fazer “login”. É um projeto “win-win”, pois permite que os consumidores continuem a ter a acesso gratuito a estes conteúdos Premium e que os meios possam a disponibilizar audiências qualificadas que os anunciantes poderão segmentar para direcionar as suas campanhas.

A imprensa foi o meio que mais cedo começou a sentir os efeitos da era digital. Quando os seus conteúdos começaram a ser distribuídos em plataformas digitais de acesso livre o modelo de negócio deste meio encetou uma transformação que ainda hoje não está definida.

Mas não foi só a imprensa – atualmente nenhum dos chamados meios tradicionais está imune ao impacto do digital. Televisão, Rádio, Out-of-home e Cinema, todos se fundiram com o digital e procuram a clarificação dos respetivos modelos de negócios.

Claro que todo este fenómeno é também potenciado pelas alterações do lado do consumidor, que adere às novas tecnologias, altera os seus hábitos e cada vez mais consome tudo em plataformas digitais.

Por isso cada vez mais faz menos sentido falar em meios tradicionais por oposição ao digital. Os conteúdos dos meios tradicionais estão hoje largamente disponíveis em plataformas digitais, tornando as fronteiras cada vez mais difíceis de definir.

Vejamos o exemplo do vídeo. Já lá vai o tempo em que uma marca projetava o spot para televisão e cinema. Atualmente o conteúdo vídeo é projetado para as várias plataformas/écrans disponíveis: desktop/laptot, smartphone, televisão, cinema, mupis digitais… E em cada écran e contexto o consumidor tem uma experiência diferente.

O consumo de rádio está também a ser alvo de profundas alterações. Em Portugal os principais grupos investiram fortemente em conteúdos e estão a colher os respetivos dividendos. Produzem conteúdos áudio, vídeo, eventos… o consumidor agradece e retribui consumindo mais em digital.

E é por tudo isto que as marcas planeiam a sua comunicação numa perspetiva 360º e que o storytelling tem uma abordagem crescente em cross media e cross device. No final tudo estará fundido.

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