O futuro está no Marketing

O Marketing, tal como o concebemos na atualidade, desenvolveu-se a partir da II Guerra Mundial, fruto do crescimento e do aumento de produção. Até então, embora existissem mercados, o que hoje se entende por Marketing era encarado de forma incipiente, mais inspirado na intuição do que em qualquer técnica ou prática científica.

A maior função do Marketing é conseguir-se, através das suas técnicas, obter-se a melhor satisfação das necessidades do Mercado. Vejamos a realidade portuguesa e o que foi todo um processo de anos, sem estas ferramentas imprescindíveis para o sucesso. Quando todo o mundo despertava, na década de 50 do século passado, e caminhava a passos largos para o desenvolvimento, Portugal ou marcava passo, ou andava a um ritmo reduzido.

Tomemos como exemplo a cidade de Vila Real de Santo António, que nessa época era famosa. Durante a Guerra, era desse porto que saiam os barcos carregados de volfrâmio, vindo das minas de São Domingos por via fluvial através do rio Guadiana, e que alimentavam as partes beligerantes. Em paralelo, saiam também outros barcos carregados de conservas de peixe para alimentar um mundo descontrolado. De facto, Vila Real de Santo António era um polo de crescimento e desenvolvimento em Portugal.

A industria conserveira cresceu como cogumelos. Eram muitas dezenas de unidades fabris que empregavam milhares de pessoas, embora a maioria em situação precária, e que movimentavam negócios de vulto e de invejável sucesso. A par desta atividade em terra, a frota pesqueira crescia no mar, tanto em número de embarcações, como em quotas de pesca. As novas técnicas de deteção de cardumes faziam aumentar as capturas.

As fábricas absorviam tudo, produziam de tudo e criaram as marcas que haveriam de chegar a todo o mundo. O conserveiro era uma figura socialmente imponente. Alimentava muitas famílias e contribuía de sobremaneira para a riqueza nacional. Toda a cidade floresceu por mais 30 ou 40 anos. Nem o visionário Marquês de Pombal, que a tinha arquitetado 200 anos antes, poderia imaginar o sucesso e o desenvolvimento conseguidos e, especialmente, durante a guerra colonial portuguesa, a partir da década de 60.

O conserveiro da época criou os seus pilares para valorizar o seu negócio e fortalecer a atividade. Para além de muita mão de obra, sempre disponível quando havia necessidade de descargas de pescado, as fábricas tinham o diretor de produção, geralmente designado como diretor fabril, o diretor de armazém, os chefes de vendas ou comerciais e alguém que respondia pela qualidade, de forma pouco rigorosa, já que esta era testada pelos serviços do Estado e muito pouco fiscalizada dentro da empresa.

Portanto, o diretor da fábrica tinha como função produzir muito, quiçá, mais do que qualquer outra fábrica. O diretor de armazém queria grandes áreas para mostrar a sua enorme capacidade de guardar o que o outro produzia. A mercadoria entrava, mas a sua saída estava condicionada à capacidade de venda dos comerciais, quer para o mercado interno, como para a exportação. Grande parte do valor da fábrica residia no armazém e na sua capacidade.

O conserveiro tinha grandes instalações, muitos operários, via o dinheiro a circular e pouco tinha para se preocupar. Não se deu conta, mas faltava-lhe o elemento essencial para o seu sucesso sustentado: o diretor de Marketing. Alguém que determinasse quais os produtos que poderiam vir a interessar mais aos consumidores. Alguém que soubesse travar a produção quando não havia vendas. Alguém que explicasse ao diretor de armazém que por ter a sua área grande e recheada poderia ser fatal no futuro. De facto, o conserveiro precisava de alguém que pensasse o futuro e por falta disso, as muitas dezenas de fábricas de Vila Real de Santo António, que falávamos antes, foram encerrando ano após ano, ao ponto de hoje não restar nenhuma.

Do que foi o sucesso e a riqueza pouco existe. Ainda algumas ruínas que mais tarde ou mais cedo serão transformadas em blocos habitacionais. A demora é mais prolongada, apenas, devido à crise imobiliária dos últimos anos.

Como se viu, faltou alguém que pensasse o futuro, que gerisse os relacionamentos de mercado e que orientasse os níveis de satisfação e de necessidades. Os clientes já conquistados precisam de ser geridos e, ao mesmo tempo, é necessário procurar mercados alternativos.

Hoje tudo passa pelo Marketing, desde os estudos de mercado, às definições de estratégias e assistência pós-venda. Quem abraça esta atividade está presente em todos os processos de futuro.

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