O mar e a inovação na construção de uma economia azul

As Nações Unidas encerraram em outubro último um ciclo de reflexão global do qual saíram 17 ambiciosos objetivos de desenvolvimento que vêm traçar o rumo da viagem até ao horizonte do ano de 2030. Deste novo conjunto de compromissos para com a humanidade, destaco com agrado a forma como as conclusões da Rio+20 influenciaram positivamente os […]


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As Nações Unidas encerraram em outubro último um ciclo de reflexão global do qual saíram 17 ambiciosos objetivos de desenvolvimento que vêm traçar o rumo da viagem até ao horizonte do ano de 2030.

Deste novo conjunto de compromissos para com a humanidade, destaco com agrado a forma como as conclusões da Rio+20 influenciaram positivamente os líderes mundiais quer na valorização das indústrias tecnológicas – pelo seu papel vital na troca de conhecimento, cooperação técnica e capacitação para o desenvolvimento sustentável – quer pela importância estratégica que os mares, oceanos e regiões costeiras assumiram na formulação de um novo modelo de desenvolvimento económico. Aliás, também em linha com a estratégia europeia de “Crescimento Azul” e com a visão da nossa Estratégia Nacional para o Mar.

Perante um contexto em que a “maritimidade” paira na agenda global, num país que conta com uma geografia avassaladoramente marítima, mas que ainda assim há mais de uma década não consegue crescer, é tempo de refletirmos sobre a holística dos objetivos de sustentabilidade para reinventar a forma como tirar proveito do valor que o Mar encerra para a economia de um Estado costeiro como Portugal.

É certo que este desígnio passará pela gestão inteligente e integrada do território marítimo e costeiro, tendo em conta a incidência de fatores como a pressão urbana e os impactos isolados e combinados que as diferentes atividades económicas provocam sob o ecossistema marinho e costeiro. Na verdade, da mesma forma que a temática das “cidades inteligentes” foi conquistando o seu espaço na agenda dos decisores, será determinante que o conceito de “regiões costeiras inteligentes” saia do armário e assuma o seu papel neste novo impulso económico assente no potencial dos mares e oceanos.

É preciso desenvolver as regiões costeiras, investindo na democratização de sistemas capazes de monitorizar o clima e os ecossistemas naturais, na sensibilização das comunidades para o uso racional dos recursos e na modernização das indústrias com métodos produtivos sustentáveis e tecnologicamente assistidos. Por outro lado, a vulnerabilidade das regiões costeiras e a exposição das suas populações e dos seus turistas aos riscos resultantes das alterações climáticas deverão ser combatidas pelo uso de sistemas com a capacidade de prever e alertar as populações para os riscos de intempéries e catástrofes naturais.

A carga utópica dos objetivos de sustentabilidade só será vencida se públicos e privados convergirem numa abordagem filantrópica pela manutenção da capacidade regenerativa dos oceanos e ecossistemas estuarinos, compatibilizando o aumento da produção pesqueira e aquícola com a preservação de formas tradicionais de uso sustentável dos mares, oceanos, zonas costeiras e estuarinas. Neste contexto, a especialização de avanços tecnológicos, como o da Internet das Coisas (IoT), trará a prosperidade a atividades económicas como a aquacultura. Permitindo que esta assuma o seu papel no desenvolvimento sustentável inclusivo, através da criação de postos de trabalho e na produção de proteínas de alto valor nutritivo, determinantes no combate à fome e à pobreza e para a segurança alimentar e nutricional. Todos eles, objetivos espelhados no horizonte que nos separa de 2030.

A resposta do setor tecnológico e da inovação aos desafios previstos pelos “Objetivos de Sustentabilidade” propostos pelas Nações Unidas e a estratégia de Crescimento Azul visionada para a Europa começou ontem. Provavelmente, com ela reinventou-se a forma como Portugal poderá iniciar um novo ciclo de crescimento económico que nos poderá voltar a projetar como uma grande potência marítima mundial.

Aproveitemos a “onda”!

Jorge Manuel Delgado, 
CEO da Compta

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