O mundo mudou!

A exclusão digital é cada vez mais diminuta, e o mundo mudou em rede social. O tema agora é o estar atento aos perigos da sociedade digital em que vivemos. Mas esta nova tendência transversal às gerações veio para ficar.

As dificuldades que os efeitos da crise pandémica criaram à sociedade e economia portuguesas, nomeadamente no que se refere ao emprego, retribuição salarial e precariedade laboral, obrigaram a uma adaptação rápida à nova realidade. Muitos negócios foram reinventados e outros surgiram, criando inovação e valor em nichos até agora pouco ou nada utilizados.

Os tempos vividos de isolamento e contenção impostos, levaram a fortes limitações do contacto direto da população com as instituições, fazendo disparar, por reação, muitos negócios online e com recurso à Internet. Na verdade, a resposta dos nossos agentes económicos foi muito rápida, com os números de registos online a dispararem abruptamente, com os negócios nacionais a sentirem a urgência de estar presentes no meio digital, bem como novas empresas ou estruturas mais pequenas, que chegaram agora à Internet.

Se antes da Covid-19, muitas empresas ponderavam ainda o momento de dar o passo para o digital, a pandemia empurrou-as definitivamente para este universo, acelerando todo o processo, com os novos registos a atingir números inéditos. Nunca houve tantas empresas portuguesas na Internet, porque a maioria entendeu que esta seria a única forma de manter alguma atividade no período do confinamento, divulgando os seus produtos e projetos.

As vendas e serviços online dispararam abruptamente, mas vieram para ficar, atingindo um número histórico nos últimos meses: mais de 10 mil novas moradas digitais por cada mês em média que passou no último quadrimestre, e nem o retomar da economia e o fim do isolamento abrandou este crescimento exponencial, que fez disparar o crescimento do domínio PT para mais 50% nos últimos dois anos.

Muitos destes negócios que vão chegando agora à Internet são novos e pequenos, e correspondem a cerca de metade das novas empresas. Pertencem, sobretudo, à restauração, aos serviços domésticos, ginásios e vendas de serviços e comércio digital, mas também a áreas essenciais que visam mitigar os impactos do vírus, como projetos de solidariedade social, saúde, higiene e terapias ocupacionais e de tempos livres.

Não foi só a necessidade que fez disparar este fenómeno digital, mas o baixo custo (basta um investimento de 10 euros por ano para o registo do domínio .pt), e também o facto de ser um processo muito rápido, fácil e funcional, para conseguir ter uma porta aberta no online. Na verdade, os portugueses descobriram o que já sabiam mas não praticavam, o ser possível fazer (quase) tudo num teclado, sem sair de casa, e esta nova tendência transversal às gerações veio, sem dúvida, para ficar.

A exclusão digital é cada vez mais diminuta, e o mundo mudou em rede social. O tema agora é o estar atento aos perigos da sociedade digital em que vivemos. Temos de conseguir compreender que, neste mundo online onde estão biliões de pessoas em permanência, a privacidade e o direito dos consumidores não são valores antiquados que travam a inovação. Estão, antes, ao nosso serviço e não se servem de nós.

Se foi a pandemia que acelerou o digital, a forma e a massificação terá sido benéfica? O tempo o dirá, mas, para já, a adaptação de várias gerações ao seu uso permanente e o quebrar do tabu de que resumir a Net à diversão e não ao negócio e rendimento, é demasiado positivo para ser subestimado.

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