O outro lado da vida

Mais uma vez e como é hábito nesta altura do ano, decorreu na última semana o Congresso de Retail MAPIC, que será seguramente um dos maiores eventos do setor, se não o maior do mundo. De uma forma geral, ficou claro para todos os presentes que apesar das melhorias registadas, o futuro continua a ser […]

Mais uma vez e como é hábito nesta altura do ano, decorreu na última semana o Congresso de Retail MAPIC, que será seguramente um dos maiores eventos do setor, se não o maior do mundo.
De uma forma geral, ficou claro para todos os presentes que apesar das melhorias registadas, o futuro continua a ser extremamente desafiador. A enorme e cada vez mais “poderosa” globalização, a volatilidade dos mercados e a especial fragilidade revelada em alguns, tornam os cenários futuros incertos e mesmo com a recuperação a que assistimos em alguns países europeus, continuamos a ser pouco atrativos para os retalhistas e promotores. Os mercados emergentes, muito menos maduros e com potencial de crescimento elevado, são cada vez mais uma alternativa válida. No entanto e porque nem tudo são notícias menos boas, é também nestes momentos que alguns operadores e investidores analisam e procuram oportunidades nos mercados em recuperação. Tem sido esta a tendência registada em Portugal, com performances invejáveis em 2014 numa perspetiva de investimento. Numa perspetiva de ocupantes, o mercado salvo as exceções das localizações ou projetos Prime, continua a ter um longo caminho a percorrer para atingir a sua maturidade.
No estudo que a CBRE apresentou no MAPIC “The Gobal Consumer Journey”, realizado em 32 países e com mais de 32 mil participantes, regista-se que apesar das rápidas mudanças que o “Ecomerce” tem introduzido nos mercados, 75% dos inquiridos utilizam este meio para pesquisar artigos específicos online, mas ao mesmo tempo, 79% continuam a não prescindir da deslocação à loja física para concretizar a compra do artigo selecionado. O relacionamento entre o comércio online e a loja física, torna-se cada vez mais complexo, obrigando Proprietários e Operadores a racionalizar duas questões fundamentais: a primeira trata-se de oferecer cada vez mais uma experiência única ao cliente na loja física, uma linha de produtos abrangente e serviços de valor acrescentado e diferenciadores face à concorrência; em segundo lugar, devem perceber qual a melhor forma de capitalizar os fenómenos associados às tecnologias digitais e ao fenómeno das redes sociais, tornando-os num fator de complementaridade das estratégias de atração dos consumidores. As lojas físicas são mais do que nunca a imagem da marca e devem ser vistas com um elemento crucial no seu posicionamento. Não deixa de ser curioso a recente notícia de que a Amazon abriu recentemente uma loja em Nova York, que basicamente serve como ponto de recolha, mas que revela a necessidade de oferecer ao consumidor um serviço adicional.
Quem teve oportunidade de estar presente no MAPIC, pôde constatar que o número de expositores era similar ao do ano passado, eventualmente até ligeiramente inferior, nomeadamente no que refere às empresas presentes, facto muito provavelmente justificado pelo momento económico e expectativas futuras. No entanto, o número de participantes no congresso aumentou cerca de 12%, o que traduz a necessidade que os diversos atores do mercado têm de continuar a viver e a desenvolver os seus negócios.
É verdade que não vivemos tempos fáceis, que as perspectivas nem sempre serão as melhores, mas a vida tem sempre o seu lado positivo. Nem sempre é fácil, mas este princípio deve-nos fazer refletir, transcender e procurar ir sempre mais além. Mais do que nunca, é nos momentos difíceis que se vê a natureza e caráter do ser humano, já que nos fáceis, tudo se torna mais óbvio, seguro e concreto. É nestes momentos, que enquanto ser individual, povo, nação, devemos ter orgulho no nosso País e nas inúmeras coisas boas que temos, para que seja possível reencontrarmos o caminho que nos levará a todos a um futuro melhor.

Carlos Récio
Diretor de Agência de Comércio da CBRE

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